A mulher mudou, mas continua tão romântica como no passado
Ela conquistou espaço e briga por igualdade, mas nos relacionamentos ainda se comporta de modo bem diferente do homem. Mesmo quando um encontro acontece apenas por atração física, cria expectativas de compromisso, espera que ele telefone, mande flores. Precisa ser coerente: se quer apenas se divertir, não pode esperar nada no dia seguinte.
As mulheres pós-feminismo trabalham, moram sozinhas, saem com amigas, enfim são independentes. A série americana Sex and the City, aliás, explora esse universo. Mas, apesar da independência e suposta igualdade de direitos com os homens, muitas continuam tão românticas como as heroínas de Hollywood nos anos 1950.
Uma das questões que mais recebo por email e no consultório, por exemplo, é o seguinte: “Posso ir para a cama com ele já no primeiro encontro? Se eu for, o que pensará de mim? Vai me procurar outras vezes ou desaparecer?” Não esperava que mulheres consideradas independentes ainda tivessem esse tipo de dúvida. Mas parece que continuam tão inseguras como no passado, quando a virgindade era tabu e os rapazes classificavam as moças em dois tipos: as “de família”, que mesmo fazendo de tudo continuavam virgens e por isso eram tidas como ideais para casar, e as “fáceis”, das quais podiam se aproveitar à vontade, pois não se lembravam delas quando pensavam em casamento.
Hoje, se uma moça conhece um rapaz na balada, os dois dançam, “ficam” e sempre surge a oportunidade de passarem a noite juntos. Caso ela decida ir, deveria pensar assim: “Vou porque também quero e sou tão livre quanto ele”. Não se trata de uma questão moral. A mulher tem todo direito de fazer o que deseja e não importa o que o homem pensa. O que vai achar depende mais das próprias convicções e do conceito que tem das mulheres do que da realidade. Se convida e a mulher topa, o homem não está pensando no dia seguinte. Está a fim dela naquela hora, quer transar. Para a mulher continua a ser diferente. Não é o momento que importa, ela sempre espera algo romântico, um telefonema no dia seguinte, receber flores, carinho. Se não ocorre, fica magoada.
Ora, se é tão independente quanto ele, deveria estar claro que foi uma aventura e não se iludir com romantismos. Pode até ocorrer de um encontro na primeira noite se transformar em compromisso, mas não existe garantia.
Quando há um vínculo mais forte, uma amizade ou um trabalho em conjunto, conversas, amigos comuns, quando se constrói uma relação, quando o sexo ocorre não apenas por atração física, aí é mais provável que ele a procure no dia seguinte. A dupla “amizade mais atração” é um bom começo.
Mesmo quando ela não cobra, sempre existe uma expectativa de que o encontro continue. Mas ele não está preocupado com isso. Nem imagina que ela esteja. Então, é preciso ser coerente. Se o que a mulher deseja é compromisso, deve conhecer melhor o homem para ver se, além da atração sexual, há compatibilidade intelectual, se realmente pode confiar nele.
Ser independente significa ter liberdade para viver seus desejos, mas também saber conter-se, não agir só por impulso, pensar nas consequências. Perguntar-se sempre não o que o homem vai pensar e sim o que ela pretende. Está saindo com ele porque quer viver esse momento, apesar de não conhecêlo? Ou está saindo porque quer um compromisso e acha que assim vai conseguilo? Se for pela segunda opção, é melhor esperar, tentar outros encontros e ver se, além de atração, há maior afinidade. Se for pela primeira opção, é preciso ser coerente: saia, divirta-se, mas não espere nada no dia seguinte.