Comunicação clara entre parceiros evita conflitos no relacionamento
Se não usamos as palavras certas para dizer o que pretendemos, o outro pode compreender aquilo que quiser. É sempre melhor ser bem claro e nunca deixar margem a interpretações errôneas, que são capazes de contaminar a confiança mútua. Mensagens confusas em geral são táticas de quem tem intenção de exercer poder e isso nunca faz bem a uma relação amorosa.

Palavras bem ditas (benditas!) podem curar, unir, promover clareza e alegria, ao passo que palavras mal ditas (malditas!) podem ferir, trazer confusão e minar a confiança que dá sustento a uma relação. Por isso, precisamos ser cuidadosos no manejo das palavras – e dos gestos que as acompanham.
Em toda comunicação verbal há três níveis de significado no que diz respeito ao emissor da mensagem: o que se fala; o que se quer dizer com o que se fala; e a maneira como se fala (dando uma bronca, acusando ou confortando). Um bom exemplo é o do marido que chega em casa dizendo que pediu um extrato bancário pela internet e viu os últimos lançamentos. O que ele talvez queira dizer com isso é que a mulher gastou além do que devia. Sem falar todas as palavras, a acusa de um comportamento inadequado e, a depender do tom de voz utilizado, pode estar também ameaçando-a, ralhando com ela e assim por diante. A resposta dela certamente guardará correspondência com os vários planos da mensagem: há uma reação emocional ao conjunto da comunicação, em razão do impacto que ela causa e de como ela é decodificada – e não apenas ouvida.
Convenhamos, não é fácil compreender algo que não se explicita. Se a mensagem é clara, isto é, se o que se fala é compatível com o que se quer dizer, sem deixar margem a interpretações e distorções, a reação emocional é assimilável e não costuma resultar em dificuldades relacionais, mesmo quando o assunto em pauta é conflituoso. Se, ao contrário, a mensagem é ambígua, surge em reação a ela um sentimento intenso e impreciso. No exemplo mencionado, tudo se agrava quando o marido vira-se e diz que não entende por que ela está tão perturbada, uma vez que ele apenas afirmou ter visto os tais lançamentos. Ela se sente ameaçada e ainda é considerada maluca por se sentir assim.
De duas, uma: ou o marido está realmente apenas comunicando que viu o extrato – mas não explicita por que fez isso e por que o está comunicando – ou ele realmente a está acusando, sem admitir que o faz. A mulher fica perdida. Se apenas ouve e registra o que ele fala, é obrigada a adivinhar o que está querendo dizer. Se ouve e registra o que sente, corre o risco de ser tratada como louca.
O comportamento psicologicamente saudável requer, da parte do marido, maior clareza: “Vi o extrato para avaliar se poderemos trocar o computador” ou “Vi o extrato e estranhei alguns lançamentos. Você pode me contar o que aconteceu?”. Na ausência de clareza, o saudável é que a mulher ouça seus sentimentos e os tome como leituras confiáveis da realidade.
Situações como essa são muito comuns, de ambos os lados. Algumas vezes a mulher pergunta ao marido quanto tempo ele vai demorar para chegar em casa, quando talvez queira dizer que se sente mais segura quando o tem ao seu lado. Prefere falar sobre o comportamento dele a confessar os seus sentimentos. Resultado: em lugar de se sentir solidário e agilizar o retorno, o marido demora ainda mais por não suportar ser controlado – o que, interpreta, ela está fazendo com ele. Não raro, todos juram de pés juntos que não têm intenção de acusar ou controlar, mas acusam e controlam. O núcleo da dificuldade está em que, ainda que não o façam de forma deliberada, acabam sonegando parte significativa do que querem comunicar. Ou o interlocutor não sabe o que faz com a mensagem que recebe, ou faz o que lhe resta, isto é, preenche como pode as lacunas. Não dá outra: fica imediatamente comprometida a harmonia e mesmo a saúde psicológica do casal. A solução está em ambos caminharem sempre na direção da clareza em suas comunicações. Mensagens claras são mensagens amorosas; mensagens confusas e ambíguas geralmente são tentativas de exercer poder sobre o outro. Escolhamos, pois, qual é o tom que queremos imprimir aos nossos relacionamentos interpessoais.