AACD quer identificar e tratar os portadores de dor do crescimento
Moléstia que incomoda bastante crianças e adolescentes, a dor do crescimento se manifesta nos músculos e nos ossos dos membros inferiores, em especial na parte dianteira da coxa e da perna, na panturrilha e atrás dos joelhos. Surge em geral depois de atividades físicas, como saltar, correr e escalar. É mais frequente à tarde e à noite, mas pode ocorrer também durante o sono.
O Centro de Pesquisas Clínicas da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) realiza, no Hospital Abreu Sodré, em São Paulo, com término previsto para 2010, o projeto Dores não Articulares na Infância – O Enigma das Dores do Crescimento. O estudo, feito pela primeira vez no Brasil e coordenado por mim, foi aprovado e conta com recursos privados recolhidos pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad), da Prefeitura paulistana. O objetivo é identificar e tratar portadores de dor do crescimento de todo o Brasil.
Trata-se de uma pesquisa importante para o país. O Brasil ainda não dispõe de um mapeamento da incidência da doença, que é comum. Assim, muitos outros casos de dor são classificados erroneamente como dor do crescimento e, portanto, tratados de maneira incorreta. A meta é estudar 500 portadores e já avaliamos metade. Dois terços das pessoas que passaram pelo projeto têm o fenômeno. As restantes apresentam, entre outros, problemas resultantes da prática inadequada de atividades físicas ou doenças de natureza ortopédica adquiridas ou congênitas, deformidades da coluna vertebral, deficiências congênitas do sistema neuromuscular, formas iniciais de reumatismo infantil e tumores musculoesqueléticos.
A dor do crescimento ocorre em meninos e meninas de 5 a 15 anos. Manifesta-se nos músculos e nos ossos em geral dos membros inferiores. Costuma surgir após atividades físicas, como saltar, correr e escalar. Varia entre discreta e muito intensa. Os principais pontos dolorosos são a parte dianteira da coxa e da perna, a panturrilha e atrás dos joelhos. É mais frequente à tarde e à noite, mas ocorre também durante o sono, o que leva o portador a acordar. Ele pode ter ainda febre, perda do apetite, cansaço e fraqueza. Ainda não se descobriu o que causa a dor nos músculos e nos ossos. Não existem evidências científicas de que o crescimento dos ossos provoque dor.
A dor incomoda bastante as crianças e os adolescentes. Interfere em sua qualidade de vida. Os que a têm à noite em geral dormem mal e, consequentemente, no dia seguinte estão sonolentos e não têm condições de ir à escola. Se vão, seu rendimento é baixo.
Crianças e adolescentes que se queixam de dor nos músculos e nos ossos dos membros inferiores à tarde e à noite devem ser levados ao pediatra. O diagnóstico de dor do crescimento é feito por eliminação de outras doenças. É preciso descartar, por exemplo, com exames de sangue ou de imagem, a presença de artrite, reumatismo, malformações ósseas congênitas e até câncer. Também é importante descartar moléstias como osteoporose juvenil e carência em vitamina D, esta última bastante comum no Brasil, podendo levar a dores ósseas.
Diagnosticada a dor do crescimento, o tratamento utiliza analgésicos e, nos casos mais complicados, também com antiinflamatórios. Felizmente, vem proporcionando bons resultados. Além do mais, a doença costuma durar por volta de dois anos e desaparecer.
Pessoas interessadas em participar ou inscrever crianças e adolescentes na pesquisa, finalmente, podem se informar pelo telefone (011) 5576-0788; pelos e-mails [email protected] ou mpereira@ aacd.org.br; ou pelo site www.aacd.org.br