Higienização bucal seis vezes ao dia facilita muito o controle do tártaro

Verdadeira praga que incomoda por volta de 98% das pessoas, o tártaro inflama a gengiva, levando a sua retração e a absorção óssea irrecuperável. Se não for tratado, pode até provocar a perda dos dentes. A experiência tem mostrado, no entanto, que se pode controlar o problema com eficácia aumentando o número de higienizações da boca para pelo menos seis vezes ao dia.

O tártaro é uma “massa” dura esbranquiçada, amarelada ou marrom que aparece junto à gengiva, debaixo dela e/ou na superfície dos dentes. Forma-se quando, sob a ação de substâncias como o cálcio e o fosfato existentes na saliva, ocorre a “petrificação” da “placa bacteriana” – mais conhecida hoje pelos profissionais de saúde como filme biológico -, massa pegajosa e incolor composta de resíduos alimentares e de bactérias.

Pouco frequente na infância, em geral o tártaro aparece na adolescência. Costuma iniciar-se nas duas regiões da boca onde existe maior liberação de saliva, ou seja, embaixo da língua na parte da frente e nas duas extremidades da arcada dentária superior, perto dos dois dentes molares. Mas pode aparecer em qualquer outro local.

De acordo com as estatísticas de universidades brasileiras e de outros países, por volta de 98% das pessoas estão propensas a apresentar tártaro. As causas básicas são: falta de higienização ou higienização deficiente da boca. Favorecem sua formação tanto o consumo excessivo de alimentos ricos em cálcio, como laticínicos, quanto o número de restaurações e uma configuração dental que facilitam a deposição de resíduos alimentares e dificultam a higienização.

O tártaro provoca uma inflamação na gengiva. A indicação é sangramento, perceptível em especial ao se passar fio dental ou escovar os dentes. Pode haver ainda inchaço, vermelhidão, sensibilidade, desconforto, mau hálito e, nos casos mais graves, até dor. A gengiva reage retraindo, ou seja, diminuindo de tamanho. Ocorre também perda óssea irrecuperável. Se o portador não vai ao destista e não se trata, a inflamação pode se aprofundar a ponto de atingir as estruturas de sustentação dos dentes, como os ossos e os ligamentos periodontais, o que caracteriza uma doença conhecida como periodontite. Portadores de periodontite que não se tratam podem até perder os dentes.

Felizmente, é possível evitar a formação de tártaro passando fio dental e escovando bem os dentes. Em geral os dentistas aconselham as pessoas a higienizarem a boca três vezes ao dia: depois do café da manhã, do almoço e do jantar. Minha experiência tem mostrado, porém, que esse número de vezes não basta. Defendo a higienização seis vezes ao dia: ao levantarse; após o café da manhã; depois do almoço; no meio da tarde; após o jantar; e antes de dormir.

Não se deve deixar de higienizar os dentes na periodicidade citada mesmo quando não se comeu nada no período. O objetivo principal da higienização é diminuir a quantidade de bactérias na boca a um nível aceitável. Pequena quantidade é suficiente para auxiliar no fracionamento dos alimentos. Quando sua quantidade aumenta excessivamente, elas se tornam prejudiciais, provocando cáries e doenças gengivais.

Também é importante, finalmente, ir ao dentista semestralmente, fazer uma revisão dental e, havendo problemas, tratar. Quem tem sintomas de gengivite e de periodontite, enfim, deve consultar o especialista. Quanto mais cedo as doenças são diagnosticadas e combatidas, maior a possibilidade de cura e menor o risco de sequelas, como perda óssea tão intensa que inviabilize até o que há de mais moderno na área, o implante dentário.