Que perigos esconde uma praia que se encontra imprópria para banho

Praia imprópria para banho é aquela cuja água contém uma grande quantidade de bactérias provenientes de esgotos lançados no local. Quem se banha nela pode estar com sorte, claro, e não ter nenhum problema de saúde. Mas é grande o risco de contrair hepatite A, salmonelose e febre tifóide. Alguns dos sintomas são: icterícia, febre, vômitos, dores de barriga e diarréia.

É comum vermos Brasil afora placas dos organismos de saúde informando que as águas de determinada praia estão impróprias para banho. Também é comum vermos tanto adultos quanto crianças se banhando em tais locais. “Que risco corre uma pessoa que toma banho numa praia dessas?”, você poderia perguntar.

Muitas cidades brasileiras situadas à beira de rios e mares, vale relembrar, ainda não têm tratamento de esgotos. Despejam-nos nas águas mais próximas. Claro que elas ficam cheias de bactérias, os chamados coliformes fecais, microrganismos como a Escherichia coli e os enterococos que povoam os intestinos humanos e são eliminados com as fezes. Pela lei do país – Resolução 274, de 18 de junho de 1986, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) -, as águas de um rio ou de um mar são classificadas como excelentes para banho quando, em 80% do tempo ou mais, têm no máximo 250 coliformes fecais em cada 100 ml de água, sendo até 200 Escherichia coli e 25 enterococos; muito boas quando têm no máximo 500 coliformes fecais em 100 ml de água, sendo até 400 Escherichia coli e 50 enterococos; satisfatórias quando têm até 1000 coliformes fecais em 100 ml de água, sendo no máximo 800 Escherichia coli e 100 enterococos; e impróprias quando, em 20% do tempo, têm mais de 1000 coliformes fecais em 100 ml de água, sendo mais de 800 Escherichia coli e mais de 10 enterococos, ou, na última análise, mais de 2500 coliformes fecais em 100 ml de água, sendo mais de 2000 Escherichia coli e mais de 400 enterococos.

Quem se banha em água de praia imprópria pode ter sorte e não enfrentar nenhum problema de saúde. Mas é grande o risco, sobretudo se ingere o líquido, de contrair hepatite A, salmonelose e/ou febre tifóide.

Hepatite A.
Doença infecciosa causada por vírus. Ele é contraído ao se ingerir líquidos e alimentos contaminados, como ostra e marisco, e se aloja no fígado. Os sinais característicos da doença são: icterícia (olhos amarelados), urina escura, fezes claras e enjoo. O organismo da maioria da pessoas neutraliza a ação viral e elas não têm maiores problemas. Um pequeno grupo, porém, pode apresentar hepatite A fulminante – muito rara -, que destrói o fígado em pouco tempo e mata.

Salmonelose.
É causada por salmonela, bactéria adquirida ao se ingerir água não tratada e alimentos contaminados, como ostras, mariscos, verduras, leite e ovos. Provoca alterações gastrintestinais, com febre, vômitos, dores na barriga e diarréia, às vezes com sangue e muco nas fezes.

Febre tifóide.
Doença infecciosa causada pela bactéria Salmonella typhi. É contraída sobretudo pela ingestão de líquidos e alimentos contaminados. Os sintomas são: alterações no funcionamento intestinal, aumento do fígado e do baço, febre e, se não tratada, confusão mental progressiva, que pode levar ao óbito por perfuração intestinal ou infecção generalizada. Felizmente, é possível evitar essas doenças com algumas medidas básicas. Jamais tome banho em praia imprópria. Antes de banharse em uma praia, mesmo longe dos grandes centros, verifique se não recebe os esgotos de moradias ou condomínios. À beira-mar, de outro lado, tome sempre água tratada e consuma verduras e frutos do mar cozidos. E, caso apresente algum dos sintomas citados, procure logo o serviço de saúde mais próximo.