Ameríndio, do inglês american indian, índio americano, designa o primeiro…

...habitante das Américas. Naus, galeões e caravelas que levaram os europeus a conhecê-lo só o conseguiram porque tinham cadaste, do latim catasta, tipo de leme que possibilita navegar contra o vento.

Ameríndio: de amerindian, contração de american indian, índio americano, expressão sugerida pelo Prêmio Nobel Charles Scott Sherrington (1857-1952) ao etnólogo americano John Wesley Powell (1834-1902) para distinguir o índio americano do índio asiático. No Brasil, os primeiros habitantes também foram chamados índios, depois enaltecidos como heróis nas figuras de Araribóia (?-1587) e Felipe Camarão (1601-1648). O indianismo celebrou o passado indígena e seus mitos. Nos Estados Unidos, os índios foram enaltecidos na figura de Pocahontas (1595-1617), filha do chefe da tribo powhatan. Durante muito tempo seu nome foi erroneamente traduzido para “rio claro entre duas colinas”, mas o significado é “filha caprichosa”. Mataoka, “pequena pena de neve”, era seu outro nome. O capitão inglês John Smith (1580- 1631), então com 27 anos, foi capturado pelos índios e levado ao chefe, que mandou matá-lo. Mas a princesa Pocahontas, de 12 anos, apaixonada por ele, atirou-se à frente dos executores, salvando a vida do amado. Mais tarde, capturada por outros colonos, casou-se com John Rolfe (1585- 1622), converteu-se ao cristianismo e foi batizada com o nome Rebeca. Já mãe de um menino, foi morar em Londres. Sofrendo problemas respiratórios causados pelo clima e pela fumaça, morreu de pneumonia em Kent.

Cadaste: do latim catasta, cadaste, peça semelhante à roda de proa, que dá fecho ao esqueleto da embarcação. Designou um tipo de leme, criado no século XIII, que possibilitou que naus, galeões e caravelas navegassem contra o vento. Representou tecnologia de grande utilidade nas viagens marítimas. Em uma delas, Pedro Álvares Cabral (1467-1520) descobriu o Brasil, em 1500, mas dois anos antes, também no mês de abril, Vasco da Gama (1569-1624) chegara à Índia, feito memorável, celebrado por Luís de Camões (1524-1580) em Os Lusíadas. Depois de tantos perigos em mar aberto, a volta à pátria é celebrada com muita emoção: “Assim foram cortando o mar sereno,/ Com vento sempre manso e nunca irado,/ Até que houveram vista do terreno/ Em que naceram, sempre desejado./ Entraram pela foz do Tejo ameno,/ E à sua pátria e Rei temido e amado/ O prêmio e glória dão por que mandou,/ E com títulos novos se ilustrou”. Sem o cadaste, não teriam ido e muito menos voltado.

Dormente: de dormir, do latim dormire, com influência de dormiens, que em latim significa dormindo. Com o mesmo étimo, temos no português dormitório e adormecer. Designa peça de madeira que, nas ferrovias, dá sustentação aos trilhos. Seus sinônimos são chulipa e sulipa, do inglês sleeper, de sleep, dormir.

Fondã: do francês fondant, que se derrete. Designa guloseima muito apreciada, sendo um dos mais populares o fondã de gianduia, palavra vinda do italiano gianduia, iguaria feita de chocolate e nozes, originária da cidade de Turim. A origem remota de gianduia é uma palavra do dialeto piemontês, Gianduja, Gioan d’la duja, isto é, Giovanni del boccale, nome inspirado em personagem gordo, vestido de roupas coloridas, de cabeleira castanha e com três chifres.

Sintaxe: do grego syntaksis, pelo latim syntaxis, organização, ordem, composição. Os antigos gregos e romanos utilizavam a palavra para descrever uma cidade- Estado, um império, uma instituição e também a estrutura de um texto, oração ou frase. Durante muitas décadas, o estudo da sintaxe, denominado muito apropriadamente análise sintática, foi o terror dos estudantes, mas era recurso eficiente para a compreensão e a redação de textos. O poeta paranaense Paulo Leminski (1944-1989) tratou com muita graça do assunto no poema O Assassino Era o Escriba: “Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente./ Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,/ regular como um paradigma da 1ª conjugação./ Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial/ Ele não tinha dúvidas:/ Sempre achava um jeito assindético/ de nos torturar com um aposto./ Casou com uma regência./ Foi infeliz./ Era possessivo como um pronome./ E ela era bitransitiva./ Tentou ir para os EUA./ Não deu./ Pegaram um artigo indefinido em sua bagagem./ A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,/ Conectivos e agentes da passiva, o tempo todo./ Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça”.