Síndrome de Kawasaki atinge mais meninos, em geral antes dos 5 anos
Esta síndrome se caracteriza pela inflamação das artérias. Ocorre mais em meninos, 80% dos casos até os 5 anos. Febre, conjuntivite, manchas vermelhas e irritação na pele, vermelhidão na língua, na garganta e na boca são alguns dos sintomas. Costuma durar duas semanas e desaparecer. Mas, em 2% dos pacientes, pode formar aneurismas nas coronárias, o que é grave.
A mídia divulgou que Jeff Travolta (1992- 2009), filho mais velho do ator americano John Travolta (54) e morto no último dia 2, era portador da síndrome de Kawasaki. Descrita pelo pediatra japonês Tomisaku Kawasaki (83) em 1967, esta síndrome é rara. Manifesta-se mais em meninos, 80% dos casos antes dos 5 anos. É mais frequente nas crianças japonesas, mas existem registros de ocorrências em todo o mundo.
Trata-se de uma vasculite sistêmica aguda, ou seja, inflamação repentina das paredes das artérias do corpo da criança. O sintoma inicial é febre sem causa aparente, que dura por volta de cinco dias. Surgem, então, conjuntivite, manchas vermelhas e irritação na pele, vermelhidão na língua, na garganta e na boca. Em seguida, incham as mãos, os pés e os gânglios linfáticos do pescoço (ínguas). Dias depois, a pele das mãos e dos pés começa a descamar. Essa é a chamada fase aguda da moléstia, que dura cerca de duas semanas. Ainda não se descobriu o que a causa. Acredita-se que seja desencadeada por algum processo infeccioso, viral ou bacteriano, em crianças com algum tipo de predisposição genética.
O diagnóstico de Kawasaki é difícil, porque muitos sintomas são comuns aos de várias outras doenças infantis. Além disso, a gravidade da síndrome varia de uma criança para outra, e nem todas apresentam todos os sintomas citados. Até conseguir um diagnóstico conclusivo, claro, o médico controla apenas os sintomas. Mas pode fazer um diagnóstico definitivo quando a criança tem febre sem causa aparente por pelo menos cinco dias, acompanhada de quatro destas cinco características: conjuntivite nos dois olhos, inchaço dos gânglios linfáticos, irritação da pele, vermelhidão na boca e na língua e inchaço/descamação nas mãos e nos pés.
Diagnosticada a síndrome, interna-se a criança em um hospital e trata-se com aspirina e gamaglobulina intravenosa. Ambas fazem a inflamação diminuir e os sintomas desaparecerem. Mas a ação anti-inflamatória da gamaglobulina é essencial também para evitar a complicação mais temida da síndrome, isto é, a formação de aneurismas (dilatações) nas artérias coronárias (originam-se no início da artéria aorta e irrigam o coração), o que ocorre em 2% dos pacientes.
Pessoas suspeitas de ter a síndrome devem fazer exames de sangue, para se avaliar o grau de inflamação, e exames cardíacos de imagem (eletrocardiograma e ecocardiograma) para se verificar se houve comprometimento cardíaco, como aneurismas nas artérias coronárias, inflamação do músculo (miocardite) ou da membrana que recobre o coração (pericardite). Aneurismas são perigosos por facilitarem a estase de sangue e a obstrução da artéria, causando o infarto (morte de tecido do músculo cardíaco por falta de oxigênio), o que é sempre grave. Felizmente, a maioria dos aneurismas se desfaz ao longo do tempo. Quando permanecem mesmo com o tratamento, a criança tem de fazer um controle com exames cardiológicos seriados na periodicidade indicada por seu médico. Pode também ser afastada de determinadas atividades físicas para evitar que se machuque e sua vida corra risco em virtude dos remédios que toma para evitar a formação de coágulos no sangue.