Síndrome do coração partido atinge sobretudo mulheres, após 50 anos

Esta síndrome é rara, a literatura médica registra cerca de 200 casos. Ocorre mais em mulheres após os 50 anos. Ela se caracteriza por apresentar sintomas parecidos com os do infarto agudo do miocário, como dor no peito, palidez e sudorese. Ambas podem ser fatais. Por isso, pessoas com sintomas devem procurar o pronto-socorro ou o serviço de emergências de um hospital.

A síndrome do coração partido foi descoberta no Japão, em 1991. Também é chamada de síndrome de tako-tsubo, que significa “armadilha para pegar polvo” – parece-se com um vaso de gargalo longo -, forma que o ventrículo esquerdo assume durante sua ocorrência.

Tem sido chamada ainda de síndrome do abaulamento apical transitório. Trata-se de uma síndrome rara. A literatura médica registra cerca de 200 casos. Claro que o número pode ser muito maior, só que nem sempre são identificados. No Brasil, já foram notificadas diversas ocorrências.

Por volta de 95% dos registros mundiais são em mulheres de 50 a 65 anos, mas há casos também em homens. É um problema cardíaco em que não ocorre falta de irrigação sanguínea nem morte de tecidos, só uma debilidade momentânea da capacidade de bombeamento do coração, com manisfestações semelhantes aos sintomas do infarto agudo do miocárdio, que são: dor na região central do peito, às vezes com irradiação para o braço esquerdo, sudorese, palidez, náuseas e arritmias cardíacas. Em geral tais sintomas ocorrem após episódios de estresse agudo, como perda do marido, seqüestro de um filho, morte na família, perdas materiais importantes e furacões.

Quando os sintomas se manifestam, geralmente a paciente é encaminhada a um pronto-socorro cardiológico, onde, após o médico fazer uma rápida avaliação, é submetida a eletrocardiograma. Os sinais eletrocardiográficos se mostram idênticos aos do infarto do miocárdio e também as enzimas cardíacas se apresentam levemente alteradas. A paciente é encaminhada a uma unidade coronariana para ser medicada e, então, faz cateterismo cardíaco. Curiosamente, esse exame mostra que as artérias coronárias estão totalmente normais, ou seja, sem oclusões.

Em pacientes que realmente têm infarto, as artérias coronárias estão obstruídas, levando a uma falta de oxigenação no músculo cardíaco, o que provoca a sua morte. Na síndrome do coração partido os sintomas descritos são passageiros e, após tratamentos de urgência, que podem durar 5 a 30 dias, todas as alterações se normalizam. O eletrocardiograma passa a ser normal e, se fizermos um novo cateterismo, as imagens sugestivas de “armadilha de polvo” desapareceram, como se nada tivesse acontecido.

O que ocorre, nas situações de síndorme, é que o organismo libera algumas substâncias que aceleram o ritmo cardíaco e causam um desarranjo no funcionamento do órgão, ou seja, a porção basal continua contraindo e relaxando normalmente, mas a apical (ponta), não. Pessoas com o quadro citado, sobretudo se têm casos de infarto na família, hipertensão ou diabetes, se são fumantes e/ou obesas, devem mesmo ser levadas a um pronto-socorro cardiológico ou ao serviço de emergência de um hospital.

O infarto, como disse, às vezes até é fatal. Mas a síndrome também pode matar por arritmia e parada cardíacas. Quanto mais cedo o portador de sintomas for atentido, pois, maior a chance de se controlar o quadro. Enquanto houver dor, a forma de vaso no ventrículo esquerdo se manterá. Mas em poucos dias o doente terá alta do hospital.

Sua recuperação é espontânea e completa. Não existem notícias de que possa vir a apresentar a síndrome outras vezes. É aconselhável, entretanto, que, após o episódio agudo, procure um psicoterapeuta para tratar do estresse a que foi submetido.