LIÇÕES DE ROSAMARIA MURTINHO
Em paris, ela fala do amor sereno após 49 anos de casamento
Aos 73 anos de idade e com mais de 50 anos de carreira, Rosamaria Murtinho acredita que ainda há muito a fazer na sua vida pessoal e profissional. “A atriz que se sente realizada coloca um ponto final na carreira. Não pode isso”, analisa ela – que acumula mais de 40 trabalhos na TV e já perdeu a conta de quantas peças tem no currículo -, durante férias em Paris. Caminhando por pontos turísticos como o Jardim de Luxemburgo, ela não esconde a saudade do companheiro de quase 50 anos de vida, o ator Mauro Mendonça (78). “Queria que ele estivesse aqui. Paris é tão romântica”, suspirou ela, justificando a ausência do marido por motivo de trabalho. Ele grava a todo vapor a novela A Favorita, em que vive Gonçalo.
Em julho de 2009, o casal fará bodas de ouro. Carinhosa, a atriz, que já pensa nos festejos da data, revela que vive atualmente uma relação de amor madura com Mauro. Segundo ela, até a separação ocorrida há quase dez anos foi fundamental para manter a união deles. “Não tem mais isso de ficar discutindo a relação. É um tipo de amor mais sereno na terceira idade”, explicou a estrela que deu vida à pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) nos palcos brasileiros. Mãe do músico João Paulo (46), do ator Rodrigo (45) e do diretor Mauro Mendonça Filho (42), ela mostrou disposição no passeio pela capital francesa e só fez pausa para um café no charmoso Les Deux Magots, onde conversou com a CARAS.
– São anos de sucesso. Algum sonho ainda na carreira?
– Tenho muito o que fazer. Outro dia vi Às Favas com os Escrúpulos, com a Bibi Ferreira, e saí encantada do espetáculo. É assim que quero ficar. Ela atua no palco durante uma hora e meia. Enquanto Deus me der condições físicas, vou continuar. Aqui mesmo, já me programei para ver a peça sobre a vida da cantora lírica Maria Callas, que é encenada por uma atriz com quase 80 anos. Nossa profissão nos permite trabalhar até um pouco mais tarde, se você tiver cabeça e saúde.
– Qual a sua receita para se manter tão bem?
– Já fiz plástica no rosto, trato da pele com um dermatologista, uso cremes. Mas faço tudo com muito cuidado. Não sou uma daquelas pessoas que coloca botox na testa porque acho que a atriz precisa da sua expressão para representar. Mesmo que esteja com rugas, não faz mal, tenho idade para isso. Eu usufruo os tratamentos que estão à disposição para uma pessoa da minha idade. Faço ginástica três vezes por semana e também cuido da alimentação.
– A relação de amor estável com o Mauro ajuda?
– O amor não é o mesmo de quando você é uma mocinha. Mas a amizade, a cumplicidade, a dedicação de um com o outro ajuda muito. Ele me deu força, por exemplo, para vir a Paris, mesmo sem a companhia dele. E o amor vai ficando algo inacreditavelmente gostoso. A gente pensa que quando acaba a paixão não vai ficar tão bom. Isso é bobagem.
– A separação de quase dez anos foi fundamental para essa redescoberta do amor?
– Depois que reatamos, ficou bem melhor. Vamos avaliando o relacionamento e não ficamos pensando, discutindo a relação. A gente deixa as coisas acontecerem. Talvez se não tivéssemos nos separado não seria tão bom. Ano que vem, nosso casamento completa 50 anos. Quero comemorar com uma grande festa, com os filhos e netos. É uma história bonita e diferente, até porque começamos juntos na TV, com as mesmas dificuldades. E vencemos.
– Ainda existe ciúmes?
– Eu já fui muito ciumenta e o Mauro, também. Mas hoje não há espaço para ciúmes em nossa relação. Não sei explicar o motivo. Mas maturidade é muito bom para o conhecimento do ser humano. Hoje não me vejo com outra pessoa sem ser o meu Mauro. Nem pensar!
– Ele fez falta na viagem?
– Já viemos juntos e namoramos muito aqui em Paris. Sinto saudade, mas sei que sua ausência é por motivo de trabalho.
– O que lhe agrada em Paris?
– Passear, sentar nos bistrôs, tomar um copo de vinho e ver a vida passar. Outro dia fui ao Museu D’Orsay, que está com uma exposição do Picasso linda. Tudo é novidade nesta cidade. Você passa por um lugar onde morou o escritor Victor Hugo, depois lhe mostram o local onde Monet pintava… Tudo tem história. É uma aula de cultura.
– Em seu passeio no Jardim de Luxemburgo, você fez questão de tirar uma foto em um dos bancos do parque. Por quê?
– Eu quis uma foto exatamente igual à que tenho de minha avó Luiza. Ela era de Belém do Pará e vinha muito com o meu avô a Paris. E esse retrato dela foi tirado em 1900, neste mesmo banco. Ela também estava de lado, como eu, e com um casaco de pele. Fazia muito frio. Eu quis imitá-la.
– Qual o tipo de turista que você se considera?
– Gosto de caminhar, não sou muito de ficar fazendo compras. E planejo um tour à noite pela cidade. A Torre Eiffel está toda iluminada com a cor azul.
– Depois de Paris, qual o roteiro das suas férias?
– Vou para a Alemanha, onde visito Berlim, e sigo para Praga, na República Checa. Recarregada de beleza e inspiração, começo a pensar na festa de bodas de ouro.