GERALD THOMAS COM TODA A SUA OUSADIA

Diretor conta sua experiência com drogas e mostra orgulho por sua cultura

Dono de opiniões fortes e polêmicas e despido de qualquer tipo de pudor que o impeça de expô-las, o diretor e autor teatral Gerald Thomas (53) assusta e fascina. No Castelo de CARAS, em Tarrytown, New York, ele finge não saber que provoca essas reações tão díspares. “Não entendo. As pessoas aqui estão vindo falar comigo, dizendo que já me viram várias vezes, mas que tinham receio de se aproximar. Por que têm essa impressão?”, questionou ele, referindo-se aos demais convidados da temporada no Hudson Valley. Na verdade, todos criaram coragem e fizeram questão de se apresentar ao diretor, descrito pelo grupo como genial.

Após conhecer os outros vips, Gerald, que se divide entre EUA, Inglaterra, Brasil e Argentina, e se prepara para estrear em abril a ópera Hemingway em quatro cidades européias – Amsterdã, Viena, Genebra e Salzburg -, soltou sua verve. Com a habitual franqueza, falou sobre política, disse que abandonou a cocaína e, em raro momento, mostrou-se desconcertado em discorrer sobre seu poder de sedução.

– Você não imaginava que poderia provocar medo?

– Tenho 81 trabalhos encenados no mundo todo. Isso só poderia ser feito por alguém que seduz, e não que assusta. Todo diretor é um sedutor. Mas sou mais. Sou um autor. Eu penso e escrevo. Não fico encenando Shakespeare.

– Você é polêmico…

– Van Gogh não era? Picasso não era? Beethoven não era?

– Se acha genial como eles?

– Isso só o tempo pode dizer. Mas é certo que tenho um embasamento cultural que o resto das pessoas não tem. Estudei Hegel, Kant, Rimbaud, Descartes…

– E é difícil ser tão culto?

– É. No Brasil mais ainda porque é um país que nasceu para a música. Tem músicos geniais, mas não tem um Jorge Luis Borges, por exemplo.

– E Machado de Assis?

– Nem ele atingiu a internacionalidade. Os brasileiros não se integram ao mundo, o que pode ser virtude ou defeito. Mas como eu sou um internacionalista…

– Você teria uma estrutura -padrão: casa, mulher e filhos?

– Se tivesse uma casa, abriria um prostíbulo (risos). Está todo mundo aí em suas casas, tomando Prozac, Zoloft… Por que eu seria um desses? Nem bebo álcool.

– Não bebe?

– Para quê? Tapar as emoções e passar a madrugada espancando as mulheres?

– Você não tem vícios?

– Faço muito sexo. Quero até diminuir a libido. Nada em demasia é saudável. É como o pato que come muito e vira patê. Já cheirei, mas parei. Maconha é um horror, deixa todos abobalhados. Mas nem posso fazer apologia da pureza. Trabalho em teatro.

– Você já namorou muito. Como você seduz?

– Ah, não sei… Vamos deixar esse assunto para lá.