TONY E LIDIANE: FORÇA DO AFETO E DO HUMOR

Viagem à Índia fascina os casal, prestes a completar 40 anos juntos

Ao lado da companheira da vida inteira, Lidiane (56), o ator Tony Ramos (60) estava de férias na cidade alemã de Baden-Baden, quando seu telefone tocou na hora em que eles se preparavam para assistir a um concerto de música erudita. Do outro lado da linha, o diretor de TV Marcos Schetmann (46) fez um convite a ele: participar da próxima novela das 8, de Glória Perez (60), Caminho das Índias.

“Fiquei surpreso. Não imaginava voltar aos estúdios agora. Mas aceitei na hora”, diz ele, que por conta do novo trabalho teve que viajar para o Oriente. “Levei a Lidiane comigo. Ela é a melhor companheira de passeio que existe. Engraçada, de bem com a vida. E tem um humor crítico, analítico e relaxado”, derrete-se o ator.

Na Índia, o casal mostra a cumplicidade que os une há quase 40 anos – que serão comemorados em 2009. Parceira em todos os momentos, Lidiane colabora com o trabalho do marido. “Quando fui fazer uma cena difícil com o Lima Duarte, perguntei a opinião dela, para saber se estava bem”, conta. Para viver o indiano Opash na trama com estréia marcada para janeiro, o ator, que estava de férias da TV desde o fim de Paraíso Tropical, em setembro de 2007, mergulhou na cultura hindu. Leu livros, fez pesquisas na internet e procurou saber o máximo sobre os costumes do povo. No entanto, a melhor experiência veio com a viagem de quase um mês à Índia. “Nós trabalhamos com uma equipe de produção indiana. Captei tudo: o cotidiano, a alimentação, a religiosidade. Fiquei fascinado. É uma das melhores experiências da minha vida”, afirma ele.

Empolgado, o casal planeja uma próxima viagem. “Da próxima vez, não quero ter que decorar os textos. Quero pura diversão”, sonha o ator.

– Lidiane é sua companheira de todos os momentos?
– Sim, ela me acompanha em todas as viagens. Já fomos ao Japão, a países da Europa… Ela é maravilhosa. Na Índia, conhecemos vários locais, nos empolgamos com as particularidades da região. E experimentamos mais a culinária indiana que toda a equipe.

– Você é ligado à família…
– Como os indianos, também coloco a família em primeiro lugar. O ser humano é gregário, ele busca uma tribo. E priorizo muito isso. Gosto muito de estar ao lado da Lidiane, dos meus filhos, Rodrigo e Andréa, e dos meus netos, Henrique e Gabriela.

– Em 2009, você faz 45 anos de carreira e 40 de casamento. Qual o segredo da estabilidade?
– Respeitar, sem ter que exigir isso. Só respeitando somos respeitados. Prezo minha intimidade, sou muito sincero e franco. Muito até. Comigo, sim é sim, não é não.

– E o sucesso do casamento?
– Resumo com uma palavra: afeto. Afeto, amor e humor.

– A gente conhece muito o Tony Ramos na TV. Como é o Tony no seu dia-a-dia?
– Minha vida é rotineira. Vou ao cinema, teatro, recebo amigos em casa, assisto a jogos de futebol em estádios. Afirmo com todas as letras que a palavra inveja nunca fez parte do meu vocabulário. Nem a chamada inveja branca. Sempre fui assim. Minha mãe sempre me passou valores muito positivos. Não admitia fofoca. Minha vida não é rocambolesca. É objetiva, simples. Gosto de um bom vinho, uma boa conversa e bom humor.

– Você prioriza o humor…
– O humor move a vida. Eu recomendo aos taciturnos, aos esquisitões, que tentem mudar bem rápido. Saiam dessa logo.

– O que lhe chama a atenção nessa passagem pela Índia?
– As cores, os hábitos e a docilidade deles me impressionam mui to. O lugar é fascinante. São várias Índias que ninguém conhece. O Rajastão é um estado cheio de contrastes, muita gente, muitos palácios. A religiosidade é algo lindo também, porque é sem fundamentalismo. Por exemplo, após venderem algo, os comerciantes sem pre agradecem à Cons ciên cia Maior pelo sustento de mais um dia, isso em qualquer categoria social. Essa filosofia de vida da não agressão, e sim do afeto, é muito bonita.

– É uma pessoa religiosa?
– Eu sou católico e freqüento a igreja, mas o meu pensamento é ecumênico. Estou sempre aberto a aprender. Acredito em uma comunhão que nos estabelece com o Ser Maior. Minha filosofia é ter fé e estar em paz comigo e com a natureza que me cerca. Sendo assim, sei que Deus estará ao meu lado, seja em meio a templos indianos ou no trânsito.

– Você trabalha com Rodrigo Lombardi, Ísis Valverde e Juliana Paes. Eles pedem conselhos?
– Quando precisam, sim, mas não sou professor, apenas um colega pronto a ajudar. Claro que minha experiência é gran de, mas não sou melhor que ninguém e gosto de aprender com eles também. Nós, mais veteranos, temos que saber lidar com os que estão chegando. Afinal, já fui um ator iniciante cavando meu lugar ao sol.

– Outros planos profissionais?
– Terminei o Se Eu Fosse Você 2 em junho. Agora, filmo Tempos de Paz, também com o Daniel Filho. O filme é um suspense baseado na peça que eu e o Dan Stulbach fizemos, Novas Diretrizes em Tempos de Paz, do Bosco Brasil, e deve estrear no ano que vem.