READY TO WEAR SUMMER 2009: Calvin Klein

Luxo invisível futurista

Adoro! Não sou mesmo de “badalar” Francisco Costa só porque é brasileiro. Mas… nossa!, como ele é talentoso! Seu minimalismo sai da mesmice chicosa que, de certa forma, ameaçou Calvin Klein, Helmut Lang e até Jil Sander em tempos idos. A verdade (pelo menos a minha…) é que parte dos anos 90 acabou sendo terrivelmente tediosa.

A epidemia de tubinhos & terninhos “limpinhos”, “sequinhos”, valeu sim, mas depois virou um “nadinha” e contaminou todo mundo. Tão fácil, tão óbvio, tão… chato. As bijoux foram quasequase banidas, porque o discurso oficial da moda era “menos é mais”, lembra como? Brincar de ousar? Personalizar?? Nem pensar.

Momento perigo: essa unanimidade simplista podia deixar a moda sem saída, “encolhida” dentro de um (mais um…) pretinho entubado. “Nãonãonãonãonão”, gritou a turminha dos excêntricos (Vivienne Westwood), dos “tecnocoloridos” (Kenzo), dos barrocos crônicos (Lacroix), dos tecno-visionários (Issey Miyake), dos teatrais (John Galliano), dos experimentalistas (Rei Kawakubo) etc.etc. Mas no meio desse tudo (os anos 90 foram pra lá de paradoxais), o luxo invisível do minimalismo ficou no ar. Olha só: a caixa de Pandora se abre e… ui!, Francisco Costa apresenta a metamorfose do “less is more”, tão Calvin Klein (a marca acaba de completar 40 aninhos, sabia?). Mas o perfume desse passado – parece – agora chega transparente: nada mudou e tudo mudou. Assepsia radical? Não mesmo. Acontecem volumes etéreos, desdobramentos dilapidados, pregas intricadas (ou intrigantes?), ombrosorigamis, abotoamentos secretos, quadris arredondados.

Calma, muita calma: brancos cremosos, cinzas polares, pratas congeladas. Bem que Chanel falava, eu me lembro, da beleza das “cores sem cores”, deu para entender? Tecidos lindos, como o látex escovado, o jérsei compacto, a lã enrugada, as sedas de brilho fosco (altíssima tecnologia). Cubismo? Surrealismo? Japonesismo? Nem tento definir. Afinal, magia é isso mesmo: um “toque” invisível, indefinível.