O CLÃ DOS CAMARGO MARIANO

Marido, pai, avô e sogro: a dedicação de Cesar a sua família

Os sentimentos que unem pai e filho não são suficientes para definir a relação de Cesar Camargo Mariano (65) e o seu primogênito, o cantor Pedro Mariano (33). Fruto da união do pianista com a lendária Elis Regina (1945-1982) e irmão da cantora Maria Rita (31), Pedro perdeu a mãe aos 5 anos, mas encontrou no pai um porto seguro afetivo e profissional.

Arquitetura, vinho, carros… Ambos têm as mesmas paixões. Mas, acima de tudo, Cesar Camargo e Pedro dividem o amor pela família. Convidado para o Castelo de CARAS, em Tarrytown, New York, o pianista contou ainda com a companhia de Flávia (48), sua mulher há 27 anos. Já Pedro viajou com a amada, Patrícia Fano (36), e Rafaela (2), sua filha e mais nova integrante do clã. Sempre em harmonia, até o gosto musical dos Camargo Mariano é o mesmo, apesar da diferença de geração.

Juntos e assumindo a tietagem recíproca, Cesar e Pedro gravaram o CD e DVD Piano e Voz. E ambos se emocionam ao comentar que a pequena Rafa gosta mais de jazz do que de músicas infantis.

– Cesar, qual você considera a grande delícia de ser avô?
Cesar – É ver a família progredindo. Os netos refletem o que os filhos foram um dia. A Rafa, minha neta, é muito parecida com Pedro no comportamento, por exemplo. Assim como também percebo nela um pouco de Maria Rita e Luisa, minha filha com Flávia. É um grande prazer conseguir ver essa continuação.

– Lições de música são prioridade em sua casa?
Cesar – Não há lições, mas uma manifestação natural da pessoa. Evidentemente que a convivência nesse meio ajuda, assim como em uma família de médicos ou advogados. Eles prestaram atenção e optaram por esse caminho, mas já nasceram com o dom. Isso não se ensina e nunca tive a intenção. O importante é estar atento, dar espaço e incentivar. Em casa, os instrumentos e os discos sempre foram liberados, o piano ficava aberto. E vejo que eles continuam fazendo isso com os filhos deles. Se o dom está ali, vai acabar aflorando.
Pedro – Mas esse dom, atribuído à genética, não quer dizer nada. Para mim, isso tem 10% de importância para a escolha da profissão. Os outros 90% são compostos por muita dedicação, afinidade, estudo e vocação.

– Com quantos anos Pedro manifestou interesse por música?
Cesar – Com menos de 2 anos o semblante dele já mudava por conta de uma música da qual gostasse. Aí é que entra a capacidade do pai em perceber isso em um filho ou neto e incentivar. Pedro – Na memória mais remota que eu tenho da minha vida, já manifestava o desejo de ser músico, mais precisamente guitarrista ou pianista. O meu irmão João Marcelo, filho da minha mãe com Ronaldo Bôscoli, queria que eu cantasse, mas isso era muito comum para mim, todo mundo fazia. E ele não sossegou até o dia em que conseguiu me colocar no palco para substituir o vocalista da sua banda, depois de mentir dizendo que o cantor estava muito doente. Tinha 10 anos e o palco mexeu comigo de maneira incrível. Na hora me fascinei pela profissão.

– Pedro, quais as influências de Cesar na sua vida profissional?
Pedro – O que eu quisesse aprender de música e de como fazer um disco ou um show, eu conseguia dentro de casa. Era só ficar olhando que aprenderia tudo, in loco, e com um grande mestre.
Cesar – O importante é que os meus filhos souberam aproveitar isso muito bem, pois sempre fiz questão de trabalhar com os melhores compositores e cantores do Brasil, que viviam dentro da minha casa. Eles cresceram no colo de grandes músicos como Gal Costa, Milton Nascimento, Gil, Ivan Lins, João Bosco…

– E da sua mãe, o que você traz de influências e lembranças?
Pedro – A cantora Elis Regina Carvalho Costa não é a minha mãe, ela é de todo mundo. A artista não tem como não ser uma referência para mim. Conhecer seu lado profissional, sua dedicação e entender por que ela chegou a ser tudo o que foi tem que ser a lição número 1 de todo mundo que quer cantar no Brasil. Se ela se tornou um ícone em sua profissão não foi só porque cantava muito bem, nem porque tinha personalidade forte ou pelas decisões que tomou na vida. Mas por um conjunto de fatores. Há quem fale que gravou os melhores compositores, mas a verdade é que alguns só se tornaram grandes depois de serem interpretados por ela. Num termo bem coloquial e que ela usava muito: ‘O buraco ali era bem mais embaixo’. Já a dona Elis, que ia fazer compras e me buscar no colégio com bobes no cabelo e lenço e que não tinha nenhum problema em ser ela mesma no dia-a-dia, essa pessoa eu perdi com 5 anos e, infelizmente, não tive o prazer de conhecer. Ouvi muitas histórias a seu respeito, leio sobre ela, converso com pessoas que foram de seu convívio diário. Isso fez com que eu conseguisse idealizar um pouco a imagem da minha mãe.

– Rafaela já gosta de música?
Pedro – Sim, como toda criança. Mas, particularmente, acho precoce com apenas 2 anos ela já gostar mais de jazz do que das musiquinhas infantis. Isso é, no mínimo, curioso…