Com bom humor, Angela Dip relembra os tempos de Castelo Ra-Tim-Bum
A atriz fala sobre sua boa forma, beleza e como lidou com o fato de não poder ter filhos

Curiosa, engraçada e até meio infantil. É assim que Angela Dip (52) se define. O bom humor de suas personagens no teatro e na TV também está presente em seu dia a dia. “Eu sou uma pessoa muito alegre. Tão alegre a ponto de confundirem com irresponsabilidade. O que não é verdade, sou muito responsável”, diz a atriz, que usa a graça para superar percalços da vida. “A gente aprende que quando uma piada não dá certo, tem de ir para outra. Levei isso para a vida. Foi como quando descobri que não podia ter filhos. Bola para frente!”, conta ela, que mostrou outra faceta em seu último papel na TV, a alcoólatra Vivian, na novela global Amor à Vida, encerrada em janeiro. “Esse trabalho foi um desafio pela carga dramática”, define a gaúcha de São Borja, crescida em Porto Alegre e radicada em São Paulo há 30 anos. Eternizada no imaginário dos brasileiros como a charmosa repórter Penélope do Castelo Rá- Tim-Bum, Angela voltou a viver a personagem nos palcos e vai se apresentar, no próximo mês, no Museu da Imagem e do Som, em SP, junto à exposição 20 anos de Castelo Rá-Tim-Bum, em cartaz até outubro. “As pessoas têm um carinho enorme por ela. Fez parte da infância de muitos”, declara ela, que ainda se dedica a três trabalhos: a gravação da série O Homem da sua Vida, sem data de estreia na HBO, o monólogo O Barril, que volta em setembro, e o stand-up Só para Mulheres.
– Você está linda e em ótima forma. Como é sua autoestima?
– Sou perfeccionista. Tudo me seduz e nada me satisfaz. Quando alguém diz que estou linda, brinco: ‘Acorda comigo para ver!’
– Seus cuidados com a beleza mudaram após os 50 anos?
– Aos 25 anos, comecei a me preocupar com a minha pele. Eu sempre limpo o rosto antes de dormir e passo cremes. Não dispenso o filtro solar. Se eu pudesse, comia protetor! Moro em SP e mesmo assim uso diariamente, pois até a luz do computador é prejudicial. Quando vou à praia, me cubro toda. Uso chapéu, óculos, lenço e camisa. Não dá para ser chique assim, não é? (risos)
– Como mantém a boa forma?
– Sempre fiz exercícios físicos. Minha iniciação artística foi como bailarina. Sou uma atriz com habilidade corporal forte. Me exercito 2 horas todos os dias, com musculação, aeróbico, yoga e balé. Também faço tratamento ortomolecular com vitaminas. Já a alimentação sempre foi uma questão na minha vida. Fui vegetariana por 23 anos e há dois voltei a comer peixes e carne vermelha. Sou uma pessoa com fome. É ideal comer de 3 em 3 horas, mas comigo é de 3 em 3 minutos. Por isso, sou a rainha da marmita! Ando cheia de comida onde quer que eu vá!
– Gosta de cozinhar?
– Sou prática. Gosto das coisas como vieram ao mundo. Quanto menor a quantidade de processamento melhor. Não gosto de nada cozido, com molho ou que vá ao forno. Meu tempero é limão, azeite de oliva e sal marinho.
– Você não tem filhos. Pode dizer que foi uma opção?
– Fiz fertilização in vitro cinco vezes, aos 42 anos. Lidar com o fato de que você não controla sua vida foi bem complicado. Você planeja algo e a vida dá risada. Criei uma frustração quando descobri que não podia ter filhos. Me separei depois disso. Acho que seria um ser humano mais evoluído se tivesse filhos, pois ser mãe é um jeito de se civilizar e crescer.
– Como lidou com isso?
– Não penso mais nessa questão. Só me atrapalha no relacionamento. Só posso me envolver com quem já tem filhos, não quer ter ou quando isso não é uma questão para a pessoa.
– Como está o coração?
– Ótimo. Consigo subir três lances de escada sem ficar ofegante! (risos) Estou solteira, mas vou passar esse Dia dos Namorados com a Seleção Brasileira, vendo o jogo da Copa do Mundo. Brincadeiras à parte, tenho muita sorte no amor. Tive relacionamentos maravilhosos com pessoas maravilhosas que caíram no meu colo. Mas não sou do tipo que fica em casa esperando o príncipe chegar.
– Como é o seu príncipe?
– Com a idade, ficamos menos exigentes. Esse príncipe precisa ter bom humor, ser alto e fogoso! (risos) Tem que dizer que me ama e que eu sou gostosa. Quando não há elogios, a relação fica morna. Fui casada três vezes e sempre fui muito feliz. No fundo, sou muito insegura e carente. Não sei viver sozinha e nem gosto!