COUTURE HIVER 2008/2009 – DIOR
Uma apoteose!! Uma glória!!

Lembra do tailleur Bar, de Monsieur Dior (1947)?? Aquele que marcou a história da moda com seu new look saia corola negra, casaqueto de shantung creme, cinturinha de formiga saúva e, mais importante que tudo, a basque “empinada”. Mas não tanto (mesmo!) como a que Galliano desenhou agora, em verdade um “cinto-corset”, ancas exacerbadas (“rondex”), esculpidas como “cascas de ovos gigantes”. Ui! Ficou um luxo! Teatral, sim, but, who cares?? Couture é couture, valem todos os exercícios de exagero. Sei não, claro que a essência é Dior, mas algo me transporta para as mulheres oitentaças de Thierry Mugler, meio andróides, aerodinâmicas. Bom, isso é divagação… Olho nesses casaquetos e nesses mantôs que apostam em loucos volumes (valem efeitos plissados), enquanto as saias de tule transparente revelam – sem o menor complexo – “pernas pra que te quero!”, nuas até o bumbum. O estudo de cores é doce e inesperado, chez Galliano. Tons e semitons minerais, geleiras “antárticas”, neves alpinistas. Magia pura que o negro (imprescindível, ainda que “mortal”), não consegue “quebrar”. Nem o print leopardo (de repente, que susto…). Socorro! Será que essa “fome de fera” nunca mais vai se aplacar?? O que mais?? Ah, o chapéu cloche (sino), que, tenho certeza, vai ser o “complemento-fetiche” deste inverno (estou falando da Europa, claro, porque aqui, entre nós, eu tento, a Osklen tenta, a Huis Clos tenta, mas… aiaiai, a brasileira não assume e o “chapéu-maravilha” não emplaca…). Sapatos? Um plusplus: um pouco anos 1950, um tanto anos 3000. Alguns enlaçados, outros de tressé fininho, quase renda, plataformas empinadas, saltos feito cones (invertidos) cromados. Adoro esse make-remake, “extragráfico”, igualzinho ao que Lisa Fonsagrives usava numa das fotos históricas de Irving Penn, quintessência – em termos de beauty – dos anos 1950.