ALTA-COSTURA VERÃO 2008 – LACROIX
É difícil entender Lacroix

Um blend de “maravilha” & fantasia é o DNA da alma-couture de Christian Lacroix. Impossível não abrir a boca (oooh!, aaah!) de espanto. O olho arregala – mal acreditando no que está vendo. Coisa rara! Porque, custe o que custar, Lacroix persegue seu sonho obsessivamente, barroco (louco?) em suas “colagens” – preciosíssimas -, que se superam incansavelmente. Rendas de ouro, sedas voluptuosas, prints guaches (aguados/ aquarelados), mangas de organza estufadas feito merengues, vestidos “pigmentados”, mulheres-flores “froufroutantes”, volumes meteóricos ou… frágeis – como espuma. Das cores, ele nunca teve medo, e vai que vai, “compondo” as mais delirantes sintonias/sinfonias. Azuuul, pinkpinkpink, rubi, vinho, esmeralda. Enquanto isso, listras encaram escoceses, prints esbarram em bordados, “pois” negros explodem corajosamente. Claro, às vezes é difícil entender Lacroix. Esse seu estilo apoteótico (decoradíssimo, enfeitadíssimo) – ulálá – mataria de inveja a madrasta má da Gata Borralheira… Sorry, eu acho que já disse antes. Mas – verdade seja dita – os sapatinhos now não são de cristal, mas altérrimos (como Madame gosta), forrados de tafetá vichy black and white. Esportivos?? Não na cabeça caleidoscópica de Lacroix. Vai daí que os tais sapatinhos aparecem sempre & sempre, complementando todos os seus new-looks e… outra novidade, as meias tecnicoloridas sob efeito dégradé. Mais “frissons” ainda?? Luvinhas “mitenes” (sem dedos) em dourado/vermelho, tricotadas à mão, que – o The New York Times afirma – ficariam “de um tudo” nas mãos da elegantérrima Daphne Guinness. Uma bolsa, como uma rosa-gigante (alô, alô, Paulinho Von Poser…), balança pra lá e pra cá, enquanto 1, 2, 3, 100 vestidos, tipo “jóias” rebuscadas, deixam umas & outras out of control. Mas… é too much indeed. Vai daí que, cuidadinho: consuma moderadamente.