Só com o controle dos mosquitos o Brasil ficará livre da febre amarela

Com praticamente todo o país sob a ameaça da febre amarela, o governo determinou, no dia 8, a intensificação da vacinação contra a doença. Mas, como nem todos podem imunizar-se, ele deveria é lançar uma grande campanha para acabar com a enorme população de Aedes aegypti que toma conta do Brasil. Só assim poderíamos nos livrar de fato tanto da dengue quanto da febre amarela.

Artur Timerman
Artur Timerman

Um aumento no número de macacos mortos em Goiás, no Distrito Federal e em Minas Gerais e o surgimento de doentes com suspeita de febre amarela – em alguns casos era mesmo a doença – levaram o governo a determinar, no dia 8, a intensificação da vacinação contra a doença nas áreas de risco, em 19 Estados. Essas áreas são as seguintes: regiões Norte e Centro- Oeste inteiras; Distrito Federal; Maranhão, sul do Piauí, sul e oeste da Bahia; Minas Gerais, norte do Espírito Santo e oeste de São Paulo; oeste do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Como se vê, a maioria do país está ameaçada.

A febre amarela é uma doença infectocontagiosa causada por um vírus transmitido aos humanos pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que causa a dengue. Há dois tipos de febre amarela: a silvestre e a urbana. Aurbana foi considerada extinta em 1934, mas a silvestre se perpetua nos macacos. Como hoje há uma grande população de Aedes aegypti no país, pela falta de empenho dos governos em combatê-lo, existe o perigo de a febre amarela voltar às cidades. Para isso, basta que alguém vá a uma das muitas áreas de risco, contraia a doença, volte à cidade e seja picado pelos mosquitos, que poderão disseminar o vírus na população não vacinada. Esse é o temor atual. O Governo garante que tudo está sob controle e não há a possibilidade de isso ocorrer. Tomara que seja verdade. Mas é fundamental destacar: em vez de vacinação – já que nem todos podem tomar a vacina -, o governo deveria mesmo é combater o mosquito. Só assim poderíamos ficar livres ao mesmo tempo da dengue e da febre amarela.

O vírus fica incubado no organismo por até duas semanas. Três a cinco dias após a picada, entretanto, o inivíduo se torna um potencial disseminador da doença. Basta que o mosquito o pique, adquira o vírus e passe a picar pessoas sadias. Os sintomas iniciais da febre amarela são: febre alta, dor de cabeça e no corpo, malestar, moleza, náuseas, vômitos e suor intenso. O vírus se multiplica de tal forma que destrói o fígado do doente. A indicação é um amarelão pelo corpo. Essa fase já é gravíssima. A pessoa costuma ter em seguida hemorragia, que pode ser percebida porque sua pele se enche de manchas vermelhas. Metade dos atingidos por febre amarela vão a óbito por falência generalizada de órgãos.

Prevenção, claro, é fundamental. A melhor maneira de evitar a doença é por meio do combate ao Aedes aegypti. Todos devem encampar essa cruzada. Para isso, dê fim nas vasilhas dentro de casa e no quintal que acumulam água limpa. É nela que os mosquitos se multiplicam.

Pessoas que vão viajar para áreas de risco, de outro lado, precisam se vacinar pelo menos dez dias antes. A vacina protege por dez anos. É feita com vírus vivo enfraquecido. Não devem vacinar-se: bebês de até 6 meses, grávidas, imunodeprimidos e alérgicos ao ovo.

A vacina sempre foi considerada segura. Mas nos últimos cinco anos isso mudou. Tem-se constatado que um indivíduo em cada grupo de 50 000 que a toma, em especial após os 55 anos, pode apresentar reações graves. Um índice alto, como se vê. A ocorrência mais comum é inflamação no cérebro (encefalite).

Quem esteve nas áreas de risco e apresenta sintomas, finalmente, deve ser levado a um pronto-socorro. Não há remédios específicos para febre amarela. Mas se pode controlar os sintomas e evitar a morte do paciente