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Carolina Dieckmann revelou problema de saúde que costuma evoluir em silêncio; médico faz alerta

Urologista explica como uma infecção sem sintomas pode se tornar um problema grave e exigir internação

Carolina Dieckmann
Carolina Dieckmann - Foto: Reprodução/Instagram

A internação da atriz Carolina Dieckmann após o diagnóstico de uma infecção no rim chamou a atenção dos fãs e trouxe à tona um tema pouco conhecido: a infecção urinária assintomática. Segundo a artista, o quadro evoluiu de forma silenciosa até atingir o rim esquerdo, resultando em uma pielonefrite, condição que exigiu tratamento hospitalar com antibióticos intravenosos.

O caso despertou curiosidade porque muitas pessoas acreditam que uma infecção urinária sempre provoca sinais claros, como ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e desconforto na região pélvica. No entanto, especialistas alertam que isso nem sempre acontece. Em determinadas situações, as bactérias podem permanecer no trato urinário sem provocar sintomas perceptíveis, o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações.

Embora a maioria dos quadros seja identificada rapidamente, existem casos em que a infecção permanece ativa por dias ou até semanas sem que a pessoa perceba qualquer alteração relevante. Quando isso ocorre, o acompanhamento médico se torna ainda mais importante para evitar a progressão da doença.

O que é a infecção urinária assintomática?

De acordo com o urologista Dr. Nelson Batezini, a principal característica desse tipo de infecção é justamente a ausência dos sintomas que normalmente levam o paciente a buscar ajuda médica.

“A infecção urinária assintomática acontece quando há a presença de bactérias na urina, mas sem os sintomas típicos que normalmente levam o paciente a procurar atendimento médico. Muitas vezes, a pessoa não percebe que existe um processo infeccioso em andamento”, explica.

Por conta dessa característica, muitas pessoas só descobrem o problema durante exames de rotina ou quando a infecção já evoluiu para estágios mais avançados. Em alguns grupos específicos, como gestantes, idosos e pessoas com determinadas condições de saúde, a vigilância costuma ser ainda maior.

Segundo o especialista, nem toda bacteriúria assintomática evolui para quadros graves. Ainda assim, alguns pacientes podem apresentar uma progressão da infecção para regiões mais altas do sistema urinário.

Quando a infecção chega aos rins

O maior risco ocorre quando as bactérias conseguem subir pelas vias urinárias e atingir os rins. Nesse estágio, o quadro passa a ser considerado mais grave e pode exigir tratamento intensivo.

“Quando as bactérias chegam aos rins, pode ocorrer a pielonefrite, que é uma infecção mais séria. Nessa fase, surgem sintomas como febre alta, calafrios, mal-estar intenso, náuseas e dor lombar. Dependendo da gravidade, o tratamento pode exigir internação e uso de antibióticos na veia”, afirma.

Foi justamente esse cenário que acometeu Carolina Dieckmann. A atriz revelou que descobriu a infecção pouco antes de uma viagem e precisou permanecer internada por vários dias para controlar o quadro e evitar complicações maiores.

A pielonefrite pode provocar intenso comprometimento do estado geral e, quando não tratada adequadamente, pode trazer consequências importantes para a saúde renal.

Quem corre mais risco e como prevenir

Segundo Dr. Nelson Batezini, as mulheres costumam apresentar maior predisposição às infecções urinárias devido a características anatômicas. No entanto, homens também podem desenvolver a doença. “Alguns fatores aumentam o risco, como baixa ingestão de líquidos, retenção frequente da urina, alterações anatômicas do trato urinário, diabetes e histórico recorrente de infecções urinárias”, diz.

A boa notícia é que medidas simples podem ajudar a reduzir o risco de novos episódios e favorecer o funcionamento adequado do sistema urinário. “Manter uma hidratação adequada é fundamental. Além disso, não devemos segurar a urina por longos períodos e é importante procurar avaliação médica diante de qualquer alteração urinária ou episódios recorrentes de infecção”, finaliza.

Dr. Nelson Batezini (CREMERS 26.958/RQE 23814) é médico urologista com ampla formação e atuação reconhecida na área de disfunções miccionais e urologia feminina. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Nossa Senhora da Conceição e em Urologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Aperfeiçoou-se por meio de um fellowship em Disfunções Miccionais, Urologia Feminina e Urodinâmica na Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), onde também obteve seu doutorado em Urologia. Foi médico assistente do setor de Urologia Feminina e Urodinâmica da UNIFESP entre 2008 e 2011 e atualmente é preceptor da Residência Médica em Urologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.