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Após 43 anos na emissora, ex-apresentador da Globo abre o jogo sobre aposentadoria compulsória

Após mais de quatro décadas na TV Globo, ex-apresentador de 70 anos revela os bastidores de sua aposentadoria compulsória e o retorno para novos projetos

Foto: Globo

A TV passou por grandes mudanças nos últimos anos, e uma das mais marcantes foi a saída de um dos seus rostos mais tradicionais do jornalismo em 2022. Após 43 anos de trabalho diário em uma única emissora, o fim do contrato com a Globo foi anunciado ao público. O comunicado oficial da época informou que o desligamento aconteceu em comum acordo entre a empresa e o profissional. Nos bastidores da televisão, no entanto, a situação é conhecida como uma aposentadoria compulsória, um movimento comum para a renovação do quadro de funcionários. Essa saída encerrou um ciclo de mais de quatro décadas, mas serviu como o ponto de partida para viver um novo capítulo, longe da rotina pesada e diária dos estúdios.

A saída da TV aberta não significou o fim do trabalho. A chamada aposentadoria durou pouco tempo. Em 2023, o público viu o retorno desse comunicador às telas, desta vez na televisão por assinatura. A CNN Brasil o contratou para comandar o “CNN Freedom Project”. Esse programa mudou o foco do noticiário tradicional para documentários sobre temas sociais e criminais complexos, como o tráfico de pessoas e a escravidão moderna. Em 2024, a adaptação continuou. Ele passou a integrar a equipe do canal digital Flow News, provando que a experiência na TV migra para a internet com naturalidade. Sobre a mudança de rota, ele declarou: “Eu, que durante tanto tempo fiz hardnews, agora parto para um outro desafio, um novo projeto, em uma nova empresa”.

A voz que conversou com milhões de paulistas por 24 anos no SPTV 2ª Edição e o rosto que ancorou o primeiro telejornal de dentro de um helicóptero em 1992 pertencem a Carlos Tramontina. Hoje, aos 70 anos, Tramontina carrega o peso de quem foi pioneiro no jornalismo brasileiro. Além do voo histórico, ele apresentou o primeiro telejornal fora de um estúdio no Bom Dia São Paulo, no ano de 1990. O jornalista esteve à frente de todos os telejornais de rede nacional da emissora, cobriu eleições desde 1982 e mediou debates em vários estados. Agora, com sete décadas de vida, ele usa essa bagagem para explorar a comunicação fora do formato que o consagrou.

Os bastidores da despedida

Os detalhes sobre a sua saída da televisão aberta vieram a público com o tempo. Em 2024, durante uma entrevista ao programa “Companhia Certa”, da RedeTV!, Carlos Tramontina explicou o motivo de ter optado por uma saída muito discreta. Ele decidiu não fazer discursos de despedida ao vivo para evitar expor seus sentimentos na frente do público.

“Achei que ia ficar muito cabotino e, além disso, não aguentaria emocionalmente, iria chorar”, confessou durante o bate-papo com o apresentador Ronnie Von. Foi apenas nessa atração da RedeTV! que o jornalista leu, pela primeira vez na íntegra, o texto que havia deixado preparado para a ocasião.

Carlos Tramontina
Carlos Tramontina – Foto: Reprodução / Instagram

O apoio dentro de casa

O momento do desligamento foi rápido. Na mesma entrevista, ele revelou que a reunião sobre a sua saída aconteceu no dia 4 de abril, mas o trabalho continuou até o dia 26. “Foi uma surpresa geral”, admitiu.

A reação da família foi o que deu tranquilidade para a nova fase. Tramontina contou a Ronnie Von como foi dar a notícia para a sua esposa, Rosana. “Quando cheguei em casa, falei para a Rosana e ela me disse: ‘Legal, você vai fazer outras coisas, vai ser legal’. Tomei um susto”, lembrou.

GABRIELA CUNHA é jornalista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Especialista em entretenimento, atua na cobertura editorial de televisão, celebridades e comportamento, com foco em notícias e análises