Quase 30 anos após queda de helicóptero, ator faz revelação sobre sobrevivência
Após quase três décadas do acidente, o ator de 50 anos detalha como venceu o trauma de forma totalmente inesperada

O dia 14 de setembro de 1998 ficou marcado na vida de um ator. Durante uma gravação para um programa educativo no Monte Roraima, um helicóptero caiu em uma região de mata fechada. O acidente fatal parou o país e deixou marcas profundas nos sobreviventes, que precisaram lidar não apenas com a recuperação física, mas com o trauma psicológico de voar. Quase três décadas depois, os detalhes de como um dos tripulantes conseguiu vencer o pavor de aeronaves mostram como a mente humana pode superar grandes barreiras.
A cura não veio de forma planejada ou em um consultório. Treze anos após o desastre, durante uma viagem de férias para Ushuaia, na Argentina, o sobrevivente tomou uma atitude por puro impulso. Enquanto esquiava em uma área coberta por neve, notou um pequeno helicóptero acompanhando um fotógrafo e pediu para embarcar. Como ele mesmo descreve a experiência: “Era um lugar inóspito, como aquele lá em Roraima, e eu precisava enfrentar isso. Só sei que eu entrei no helicóptero, mas não me lembro de nada do voo”. Esse passo corajoso marcou o fim de um medo que o assombrava.
O protagonista desse relato, que na época de sua entrevista ao jornal Extra, em 2020, refletia sobre o passado aos 45 anos, é um rosto muito conhecido do público e irmão do também ator Selton Mello. Se trata de Danton Mello, que na juventude era o rosto do Globo Ecologia. Ele, que está no ar em A Nobreza do Amor, explicou ao jornal como aquele passeio na Argentina foi um divisor de águas: “O piloto me perguntou se eu estava ok e decolou. Não sei se durou cinco minutos ou meia hora, mas no trajeto eu botei tudo para fora. Chorei, chorei, chorei. Quando pousei, estava leve. Foi terapêutico”.
A espera agonizante na floresta
Para entender o tamanho do obstáculo que Danton precisou superar, é preciso voltar ao cenário da queda. O voo levava a equipe do programa rumo ao Monte Roraima. Além do apresentador, estavam a bordo o repórter Fernando Parracho, o piloto e o operador de áudio Ricardo Cardoso, que infelizmente perdeu a vida no impacto com o solo.
A luta pela vida na floresta durou mais de 30 horas. O socorro demorou muito porque a área era de acesso restrito e sem comunicação. A descoberta dos destroços só foi possível graças a um indígena que passava pela região e correu para avisar um posto da Funai (Fundação Nacional do Índio). Resgatado com diversas lesões, Danton passou por uma cirurgia de emergência no Hospital Geral de Roraima para conter uma hemorragia interna.

Um segundo aniversário
O tempo passou e consolidou a gratidão do ator pela vida. Para ele, a data do acidente se transformou em um verdadeiro renascimento. “O 14 de setembro é um segundo aniversário que eu comemoro. Não foi uma batidinha de carro. Foi uma queda de helicóptero! Fui salvo num procedimento delicado“, relatou ao Extra. Ele avalia que sua força de vontade fez a diferença: “Fui forte e, felizmente, resisti. Espero ficar vivo muitos anos ainda, ver minhas filhas conquistando coisas, contar histórias”.
Apesar de ter resolvido seu bloqueio com os voos, o ator tem planos de retornar ao local exato da queda de uma maneira bem diferente e com os pés no chão. “Quando completou 20 anos do acidente, eu conversei com o Parracho, que também se feriu naquela ocasião, sobre a gente montar uma expedição e voltar a Roraima. Mas caminhando, por uma trilha pela Venezuela, durante três dias. De helicóptero não mais!“, planeja Danton. Devido à agenda sempre cheia de trabalhos, a viagem ainda não saiu do papel, mas segue como um desejo vivo de fechar de vez esse ciclo.