Após cirurgia na coluna de Galvão Bueno, ortopedista detalha riscos e volta ao trabalho

O icônico narrador de 75 anos realizou o procedimento cirúrgico na lombar e planeja embarcar para o torneio mundial nos Estados Unidos

Após cirurgia na coluna de Galvão Bueno, ortopedista detalha riscos e volta ao trabalho - Foto Reprodução

O estado de saúde do narrador Galvão Bueno vem sendo um dos assuntos mais comentados entre os fãs de esporte e televisão. No último sábado, 23 de maio de 2026, o locutor esportivo de 75 anos passou por uma cirurgia na coluna no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. De acordo com os comunicados oficiais divulgados por sua família, o procedimento ocorreu com total sucesso. O veterano já iniciou as sessões de fisioterapia na própria unidade hospitalar e aguarda a divulgação de sua alta médica.

A proximidade com a Copa do Mundo gera grande expectativa sobre o seu restabelecimento físico. O torneio começará em meados de junho, nos Estados Unidos, onde Galvão atuará na equipe do SBT. Para entender melhor os detalhes desse quadro, conversamos com o Dr. Carlos Cedano (CRM 84.635 SP / RQE 63980). Ele é ortopedista especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia formado pela USP.

O que é a hérnia de disco e quais são os sintomas?

A estrutura que sofreu a intervenção cirúrgica no apresentador possui uma função de amortecimento crucial no corpo. “A hernia de disco consiste em uma falha na estrutura do disco intervertebral, uma estrutura fibrocartilaginosa que separa duas vértebras e permite mobilidade na coluna”, explica o Dr. Carlos Cedano.

O especialista ressalta que o deslocamento dessa peça pode afetar diretamente o sistema nervoso do paciente. “Ocorre uma protusão desse disco que pode comprimir estruturas adjacentes como a medula ou nervos que saem dessa. A compressão de estruturas nervosas causa sintomas neurológicos, como dor, podendo ser intensa, formigamento, perda de sensibilidade e perda de força muscular”, detalha o ortopedista. Inclusive, Galvão relatou nas redes sociais que o pinçamento de um nervo lombar prejudicou os movimentos de sua perna esquerda.

Tratamentos modernos e prazos de reabilitação

Apesar de o caso do narrador ter exigido uma operação agendada, o cenário cirúrgico não é a regra geral para a maioria da população. “A grande maioria dos casos (90 a 95% das vezes) não necessita tratamento cirúrgico, respondendo bem ao tratamento conservador”, pondera o médico.

O Dr. Carlos Cedano esclarece que a cirurgia possui critérios específicos de indicação médica. “O tratamento cirúrgico é indicado geralmente em casos de comprometimento neurológico acentuado e progressivo, dor que não responde ao tratamento conservador (pelo menos 6 a 12 semanas) ou perda esfincteriana com anestesia perineal (quadro chamado de Síndrome da cauda equina, que necessita tratamento de emergência)”, diz. Além disso, o médico destaca que as metodologias atuais evoluíram bastante. “A antiga cirurgia aberta não é comum hoje em dia. Atualmente se utilizam técnicas minimamente invasivas, podendo ser feita por visão direta com mini incisão ou por videoendoscopia (técnica que vem ganhando cada vez mais espaço)”, acrescenta.

A evolução tecnológica dessas intervenções modernas garante que os pacientes retornem rapidamente para as suas rotinas diárias. “Em ambas as técnicas a recuperação é bastante rápida, com o paciente recebendo alta em geral no dia seguinte (ou até no mesmo dia no caso da endoscópica). O paciente é estimulado a andar rapidamente, fazendo o chamado repouso relativo, onde caminhar e mobilidade são estimulados mas sem realizar esforços (que vão sendo liberados progressivamente)”, aponta o especialista.

Desse modo, os prazos para o retorno profissional variam de acordo com o nível de esforço exigido pela função. “O retorno ao trabalho de caráter administrativo (sem esforço físico) geralmente ocorre em até 14 dias (na tecnica endoscopica em até 7 dias). Atividades com esforço físico moderado em geral após 30 a 45 dias e atividades físicas intensas e esportes emtre 60 e 90 dias”, estipula o Dr. Carlos Cedano.

Presença na Copa do Mundo de 2026 e impactos na voz

Com a viagem de Galvão Bueno marcada para o dia 7 de junho, o cronograma de reabilitação precisará ser seguido à risca nos Estados Unidos. “No caso do apresentador, é possível sim sua participação na copa mas tomando os devidos cuidados para não fazer esforços excessivos, respeitando os passos necessários na recuperação e realizando, além do seu trabalho jornalístico, o trabalho de reabilitação durante esse período”, valida o ortopedista.

Porém, o plano de cuidados deve se estender também para os períodos de deslocamento aéreo e estadias longas na cobertura jornalística. “Durante esse período é muito importante também evitar longos períodos sentado, procurando alternar com caminhadas leves, mesmo que seja andando um pouco no corredor de um avião por exemplo. Isso é importante não só no pós-operatório mas também antes, para a prevenção do aparecimento ou do agravamento de uma hérnia de disco e inclusive de outros problemas de saúde”, alerta o médico.

Por fim, o Dr. Carlos Cedano revela um dado curioso sobre a relação entre a coluna e o desempenho vocal do narrador. “No caso do apresentador, que tem um intenso uso da voz, o tratamento da hérnia traz benefícios adicionais, uma vez que a hérnia pode prejudicar o desempenho. Especialmente casos de hérnia cervical que podem interferir na musculatura local e também causar sintomas neurológicos que irão prejudicar a voz. Mas também a hérnia lombar pode atrapalhar, reduzindo a potência da voz por afetar a prensa abdominal e o diafragma”, conclui o médico. Portanto, o procedimento cirúrgico feito neste ano de 2026 deve ajudar o locutor a manter o seu padrão potente de voz durante as transmissões oficiais da Copa.

Sobre o Especialista:

O Dr. Carlos Cedano (CRM 84.635 SP / RQE 63980) é médico formado pela Faculdade de Medicina da USP. Ele possui especialização em Ortopedia, Traumatologia, Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo HC/USP, além de MBA em Gestão em Saúde pelo Einstein/Insper. Atualmente, coordena a equipe de Ortopedia e a Residência Médica do Hospital Regional de Cotia. Ele atende em seu consultório particular em Alphaville, SP. Siga no Instagram: @drcarloscedano.

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Dr. Carlos Cedano é médico (CRM 84.635 SP) formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Ortopedia, Traumatologia (RQE 63980), Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo HC / USP. Com MBA em Gestão em Saúde pelo Einstein/Insper é Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão e Examinador na prova para obtenção do Título de Ortopedia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Atualmente é Coordenador da equipe de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Regional de Cotia e Coordenador da Residência Médica de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Regional de Cotia. Preceptor do Curso de Ortopedia da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e atende em consultório particular em Alphaville, em SP. @drcarloscedano