Médico alerta para câncer após caso de Maíra Cardi: ‘Incidência vem aumentando nas últimas décadas’

A influenciadora digital Maíra Cardi deu detalhes ao público sobre sua batalha contra a doença

Há alguns anos, Maíra Cardi teve um câncer de tireóide e atualmente está completamente recuperada - Foto: Reprodução/Instagram
Há alguns anos, Maíra Cardi teve um câncer de tireóide e atualmente está completamente recuperada - Foto: Reprodução/Instagram

Há alguns anos, a influenciadora Maíra Cardi revelou ao público que teve um câncer na tireoide aos 27 anos. Atualmente, a famosa está completamente recuperada e curada. Ela relatou sobre o impacto do diagnóstico na sua vida. Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil entrevista o Dr. Jorge Abissamra, médico oncologista e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho.

“Fiz iodoterapia, porque tive um câncer de tireoide, e eu me neguei a tomar remédio para o resto da vida. Resolvi estudar sobre alimentação para ver como eu conseguiria mudar isso”, disse Maíra Cardi nas redes sociais em 2021. Em outra oportunidade, a influenciadora relembrou o diagnóstico já superado e curado.

Opinião do médico especialista

O Dr. Jorge Abissamra Filho, médico oncologista, aponta que o câncer de tireoide é um tumor que se desenvolve na glândula tireoide, localizada na parte anterior do pescoço e responsável pela produção de hormônios que controlam o metabolismo do organismo.

Existem diferentes tipos de câncer de tireoide. Os mais comuns são:

  • Carcinoma papilífero;
  • Carcinoma folicular;
  • Carcinoma medular;
  • Carcinoma anaplásico.

Quais os sintomas?

O oncologista alerta que muitos pacientes inicialmente não apresentam sintomas, e o diagnóstico acaba ocorrendo após exames de rotina ou ultrassonografia cervical. Porém, os sinais que mais merecem atenção são:

  • Nódulo no pescoço;
  • Aumento da tireoide;
  • Rouquidão persistente;
  • Dificuldade para engolir;
  • Sensação de pressão cervical;
  • Aumento de linfonodos no pescoço.

Porém, ele menciona que a grande maioria dos casos corresponde aos tumores papilíferos, que costumam apresentar crescimento mais lento e altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente.

Cuidados importantes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta um aumento de 77% nos diagnósticos globais de câncer até 2050, passando de 20 milhões (em 2022) para 35,3 milhões de novos casos. O Dr. Jorge Abissamra responde sobre a incidência de casos de câncer na tireoide.

“O câncer de tireoide é um dos tumores endócrinos mais frequentes no mundo e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas. Apesar disso, na maioria dos casos ele apresenta excelente prognóstico, especialmente os tumores diferenciados, como o papilífero e o folicular. Hoje vemos muitos pacientes completamente curados após cirurgia e acompanhamento adequado”, tranquiliza.

Existe relação?

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o câncer de tireoide é o quinto mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste (sem considerar o câncer de pele não melanoma). O oncoligista esclarece.

“Acredita-se que fatores hormonais e maior frequência de investigação médica feminina contribuam para isso. As mulheres realizam mais exames preventivos, consultas ginecológicas e avaliações clínicas regulares, o que aumenta a chance de identificar pequenos nódulos tireoidianos. Além disso, há hipóteses envolvendo influência hormonal, especialmente do estrogênio, sobre o tecido tireoidiano, embora isso ainda esteja sendo estudado. Curiosamente, apesar de menos frequente nos homens, quando o câncer de tireoide ocorre neles, ele pode apresentar comportamento mais agressivo em alguns casos”, revela.

Tratamento

É importante reforçar que o tratamento é individual e cada caso precisa ser acompanhado por um médico especialista. Os fatores dependem do tipo do tumor, tamanho, presença de disseminação e perfil de risco do paciente. As principais abordagens incluem:

  1. “Cirurgia para retirada parcial ou total da tireoide”;
  2. “Iodoterapia em casos selecionados”;
  3. “Reposição hormonal com levotiroxina;”
  4. “Acompanhamento com exames laboratoriais e ultrassom”.

Leia também: Médico alerta para diagnóstico após caso de Maíra Cardi: ‘Um dos cânceres com melhor prognóstico’

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Dr. Jorge Abissamra é médico (145307 CRM SP) pela Universidade de Santo Amaro e especialista em Clínica Médica pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho. Atualmente é coordenador da Oncologia da Hospital Santa Clara e coordenador da Oncologia da HapVida Intermedica NotreDame. Também atua como diretor da Oncologia da Amo Saúde e possui experiência na área de Clínica Médica, com ênfase em Oncologia.