Aos 64 anos, ex-vocalista de banda icônica conta como a idade transformou sua intimidade
Saiba quem é o astro da música que dispensa o romantismo clichê e esbanja vitalidade no auge dos seus 64 anos

Aos 64 anos, os traços fortes, a voz marcante e os cabelos grisalhos entregam que o tempo passou, mas a energia nos palcos conta uma história bem diferente. O fôlego impressiona o público que acompanha a rotina de shows desse artista pelo país afora. O segredo para tanta disposição não envolve fórmulas mágicas, mas sim uma escolha de vida bastante focada. Em entrevista ao jornal O Globo, ele revelou que não come carne vermelha desde os 18 anos. Para manter o ritmo pesado de gravar canções inéditas, compor e viajar, ele divide o tempo livre entre a prática de exercícios, sessões de musculação e massagens. É um estilo prático e voltado para a saúde que reflete direto na sua presença diante do público e na forma leve como lida com o passar dos anos.
Longe dos holofotes e do perfil de “mau moço” que o universo do rock muitas vezes pede, ele leva uma rotina firme e de muita família. Casado no papel desde 1995 com a empresária Alice, mãe de seus dois filhos, o músico foge dos clichês tradicionais. Para ele, o amor se constrói na atenção do dia a dia e não em grandes gestos prontos. Como ele explicou ao caderno Ela, do jornal O Globo, o espaço pessoal do casal é sagrado: “Não me considero uma pessoa muito romântica naquela coisa ‘Ah, vou mandar flores’. Mas sou um cara delicado e atencioso. Abraçar para carinho tudo bem, mas dormir colado não rola. Ainda mais porque sou calorento”. Em casa, ele passa bem longe do artista intocável. É ele mesmo quem resolve a manutenção do lar, conserta as portas de armário e troca as lâmpadas queimadas.
Se você pensou nas famosas parcerias com Cazuza e nos sucessos que embalam gerações, acertou. É o músico Roberto Frejat quem assina essa longa história de sucesso. Nascido em maio, o cantor sabe do efeito que causa no público feminino, mas trata a situação com muita naturalidade. Na mesma conversa com O Globo, ele destacou: “Tem, sim, sex appeal na história, mas não é nada planejado. É o meu jeito de ser”.
Maturidade nas relações
O tempo trouxe um olhar mais leve e experiente sobre as relações pessoais. Frejat cresceu no meio artístico ao lado de grandes amigos homossexuais e construiu uma visão bem livre de preconceitos. Sobre o peso da idade e a intimidade, o músico garantiu à publicação carioca que a experiência traz vantagens muito claras. “Você fica mais calmo, tem menos ansiedade, menos pressa. Tudo fica melhor: tanto pro homem quanto pra mulher“, afirma. Essa calma também guia o desafio constante de criar os filhos jovens, tentando sempre equilibrar o limite entre a preocupação de pai e o respeito total às escolhas que eles fazem.

Decisões difíceis e a volta aos palcos
Na vida profissional, Frejat nunca teve medo de tomar novos rumos quando sentiu necessidade. Em 2017, o portal Metrópoles noticiou a saída do cantor do Barão Vermelho após 35 anos de dedicação. Na época, ele explicou que a decisão nasceu de divergências artísticas sobre o futuro do grupo, mas tudo ocorreu de forma transparente e sem brigas, passando o bastão para novos vocais.
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Anos depois, o cenário também rendeu boas reflexões. Em conversa com a coluna de Fabiane Pereira na revista Veja Rio, ele destacou que a ideia de rebeldia no rock foi muito comercializada pelas propagandas, perdendo o impacto original. Na mesma entrevista, ele alertou para a falta de diálogo na sociedade atual: “A gente não tá conseguindo construir um futuro comum. Se um ficar berrando na cara do outro, não vai adiantar nada”.
Contudo, provando que a música sempre promove reencontros de peso, O Globo cobriu sua recente volta aos palcos com os fundadores do Barão Vermelho para a turnê comemorativa de 40 anos da banda. Para Frejat, observar o público e a vida hoje traz uma certeza que guia sua arte: “O Brasil e o mundo mudaram muito, mas o ser humano mudou muito pouco”.