Alok chama atenção para sintoma e médico explica: ‘Investigação individualizada’
DJ, irmão e mãe apresentaram o mesmo sintoma, mas com causas distintas; neurologista explica por que investigação individualizada faz diferença no tratamento

A tontura é um dos sintomas mais comuns da medicina e também um dos mais confundidos. Apesar de atingir milhões de pessoas no mundo, o quadro ainda costuma ser tratado de forma genérica, como se todas as causas fossem iguais.
Um caso recente envolvendo a família de Alok chamou atenção justamente por mostrar o contrário. O artista, o irmão e a mãe apresentaram episódios de tontura e vertigem em momentos diferentes, mas receberam diagnósticos distintos.
A CARAS Brasil conversou com o neurologista Saulo Nader, especialista em tontura e vertigem, responsável pelo acompanhamento da família.
Caso de Alok começou em 2022
Conhecido pela rotina intensa de shows e viagens, Alok enfrentou em 2022 um quadro de tontura persistente que impactou diretamente sua qualidade de vida. Segundo Dr. Saulo Nader, o cantor passou por avaliação neurológica e conseguiu se recuperar após o tratamento adequado. O caso, no entanto, ganhou novos desdobramentos nos anos seguintes.
Em 2025, Bhaskar também procurou atendimento médico após apresentar sintomas de vertigem. Já em 2026, a mãe dos artistas passou pelo mesmo processo de investigação após relatar tontura.
A coincidência levantou uma dúvida comum entre pacientes: seria um problema hereditário?
“Tontura é sintoma, não diagnóstico”, explica médico
Segundo o neurologista, um dos principais erros é acreditar que toda tontura tem a mesma origem. “Tontura é um sintoma, não um diagnóstico. Ela pode ter causas completamente diferentes, desde alterações no ouvido interno até questões neurológicas, metabólicas ou emocionais”, afirma Dr. Saulo Nader.
De acordo com o especialista, apesar do sintoma em comum, os integrantes da família de Alok não compartilhavam a mesma doença.
“Cada caso teve uma causa específica. Isso reforça a importância de uma investigação individualizada”, explica.
Diagnósticos diferentes mudam completamente o tratamento
A ideia de que toda tontura seria “labirintite” ainda é frequente, mas pode comprometer o tratamento correto. Na prática médica, existem dezenas de condições capazes de provocar tontura e vertigem, cada uma exigindo uma abordagem diferente.
“O tratamento depende diretamente da causa. Existem casos resolvidos com manobras específicas, outros que exigem medicação, reabilitação vestibular ou investigação mais aprofundada”, destaca o neurologista.
Segundo ele, a automedicação também preocupa, especialmente quando pessoas da mesma família apresentam sintomas parecidos. “Muita gente usa o mesmo remédio de um familiar acreditando que se trata do mesmo problema. Se a causa for diferente, o tratamento não funciona e pode até atrapalhar”.
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Casos hereditários existem, mas são exceção
Apesar da associação automática com genética, Dr. Saulo afirma que a maioria dos quadros de tontura não possui origem hereditária.
“A tontura é extremamente comum. Cerca de 30% da população vai apresentar esse sintoma em algum momento da vida. Em famílias maiores, a probabilidade de mais de uma pessoa ter tontura é alta, mas isso não significa necessariamente a mesma doença”, explica.
O especialista afirma que existem algumas condições neurológicas raras associadas à tontura com influência genética, mas ressalta que esses casos são minoria.
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