Aos 53 anos, astro de O Auto da Compadecida assume direção de série no Globoplay
O astro de O Auto da Compadecida retorna ao streaming com episódios inéditos de Sessão de Terapia e consolida sua paixão pelos bastidores

Quem acompanha as grandes produções do cinema e da televisão no país certamente reconhece o peso e a genialidade de Selton Mello. Atualmente, aos 53 anos, o mineiro de Passos ostenta um currículo invejável, acumulando funções de ator, diretor e dublador. Recentemente, o artista voltou a ocupar o centro das atenções no mercado audiovisual. O motivo é o lançamento da aguardada nova temporada da série Sessão de Terapia, que chega ao catálogo do Globoplay no próximo dia 22, trazendo dilemas profundamente conectados com a saúde mental contemporânea.
O erro no crédito e o início prodígio na TV
De fato, a história de Selton com a arte começou de maneira precoce e curiosa. O seu nome de batismo continha apenas um “l”, mas transformou-se no artístico Selton Mello por puro acaso. Durante a exibição de sua primeira novela, Dona Santa (1981), na TV Bandeirantes, a equipe técnica grafou o nome do menino de oito anos de forma errada nos créditos. Ele gostou do resultado visual e adotou a grafia para sempre.
Logo após soltar a voz em programas de calouros de Raul Gil e Bolinha, o jovem prodígio chamou a atenção dos diretores da TV Globo. A sua estreia na emissora aconteceu em Corpo a Corpo (1984), vivendo o filho dramático dos protagonistas. Sério, estudioso e extremamente organizado, o garoto impressionava os veteranos do elenco, pois sabia de cor as falas de parceiros de cena como Antonio Fagundes e Glória Menezes.
O fantasma da depressão e o ano de ouro no cinema
No entanto, a trajetória do ator também enfrentou períodos nebulosos nos bastidores da fama. Durante a preparação para o denso longa Lavoura Arcaica e para viver o icônico Chicó no primeiro O Auto da Compadecida (2000), o artista recorreu a moderadores de apetite indicados por médicos da moda. Como resultado, o uso contínuo dessas substâncias gerou um ciclo severo de vício, em que ele emagrecia drasticamente para os filmes e engordava na vida real. Posteriormente, o próprio diretor desabafou no programa Altas Horas que passava os dias dopado.
Com certeza, esse desequilíbrio químico e emocional afetou profundamente a sua saúde mental, culminando em um forte estado de depressão. Felizmente, a maturidade trouxe uma nova perspectiva de autocuidado. Para rodar a sequência da comédia nordestina, o astro optou por um emagrecimento saudável, fechando a boca e encarando o processo de forma natural.
O sucesso estrondoso na sétima arte fez com que ele reduzisse drasticamente a sua presença em novelas longas. Dessa forma, Selton passou a priorizar séries premiadas, chegando a vencer o Emmy Internacional de melhor comédia por A Mulher Invisível (2012).
O retorno do Dr. Caio Barone e a vibração no Globo de Ouro
Atualmente, o foco total do diretor está voltado para o consultório do psicanalista Caio Barone em Sessão de Terapia. Na nova leva de episódios, o protagonista enfrenta o seu próprio processo de luto enquanto atende novos pacientes vividos por astros como Paulo Gorgulho. Além de interpretar o terapeuta, Selton assume o controle total da direção dos episódios nos estúdios da produtora Moonshot Pictures, um exercício que ele classifica como um tom perfeito entre o cinema e a televisão.
Por fim, a paixão do cineasta pela cultura nacional transborda para além de seus próprios projetos. Na última edição do Globo de Ouro 2026, ele fez questão de vibrar publicamente com a vitória histórica do longa O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura.
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