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Ator apaixonado pelo sobrenatural teve castelo de R$ 32 milhões e enfrentou crise

Ator teve mais de 15 imóveis ao mesmo tempo, polvo de estimação, crânio de dinossauro e paixão pelo ocultismo, mas a realidade bateu na porta dele

Castelo que o ator Nicolas Cage comprou na primeira década dos anos 2000 - Foto: Getty Images
Castelo que o ator Nicolas Cage comprou na primeira década dos anos 2000 - Foto: Getty Images

O ator Nicolas Cage, de 62 anos, é um dos rostos mais conhecidos do cinema mundial. Ao longo de sua carreira, ele acumulou uma fortuna US$ 40 milhões – cerca de R$ 200 milhões -, mas nem sempre ele teve sua riqueza para gastar. Em uma época de sua vida, ele enfrentou uma dificuldade financeira e precisou vender seus bens. Inclusive, ele abriu mão de um item de luxo que comprou: o Castelo de Midford.

Nos anos 2000, o ator Nicolas Cage comprou um castelo para chamar de seu. Ele adorou o estilo gótico do castelo de Midford, em Somerset, e pagou o valor de 4,75 milhões de libras – cerca de R$ 32 milhões. O local foi construído em 1775 e a lenda local diz que o antigo dono pagou pelo castelo com o dinheiro que ganhou em um jogo de cartas. Por isso, o local teria o formato de um clube de jogos.

No fim da primeira década dos anos 2000, Cage enfrentou dificuldades financeiras quando foi cobrado pela justiça por dívidas de impostos. Por isso, ele precisou vender alguns de seus 15 imóveis que tinha na época, incluindo o castelo. Em 2009, ele vendeu o castelo por pouco mais de 3 milhões de libras para o atual dono, que o transformou em um resort de bem-estar de luxo após uma restauração cuidadosa.

Fatos excêntricos da vida de Nicolas Cage

Ter um castelo gótico não foi o único fato excêntrico da vida de Nicolas Cage. O ator tem uma lista de atitudes fora do comum em sua trajetória. Ele já teve um polvo de estimação porque acreditava que observar o animal iria ajudá-lo a melhorar sua atuação. Além disso, ele pagou US$ 276 mil para ter um crânio de um tiranossauro, mas precisou devolvê-lo para as autoridades. Apaixonado por animais exóticos, ele já teve cobras, tubarão e até um crocodilo em sua casa.

O astro adora o mundo do ocultismo, sobrenatural e gótico. Tanto que ele já teve uma mansão mal-assombrada em Nova Orleans e tem uma tumba em um cemitério da mesma cidade.

A vida financeira de Nicolas Cage

Poucas histórias em Hollywood são tão fascinantes, dramáticas e resilientes quanto a de Nicolas Cage. Nascido na realeza do cinema (ele é sobrinho do diretor Francis Ford Coppola, mas mudou o sobrenome para não sofrer acusações de nepotismo), o ator construiu um legado inabalável nas telas. No entanto, fora delas, sua vida financeira virou sinônimo de extravagância extrema. Após ver seu império de US$ 150 milhões evaporar e se transformar em uma dívida milionária com o fisco, Cage operou uma das maiores viradas da história do entretenimento.

Nicolas Cage consolidou seu nome na história do cinema em 1995 ao vencer o Oscar de Melhor Ator pelo visceral Despedida em Las Vegas. A estatueta de ouro abriu as portas para uma era de ouro comercial nos anos 90 e 2000. Cage tornou-se um dos astros mais bem pagos do planeta, emendando blockbusters de ação como A Rocha, Con Air, Outra Face e a franquia bilionária A Lenda do Tesouro Perdido. Nessa época, seu cachê padrão era de US$ 20 milhões por filme.

O auge do patrimônio e a era das compras bizarras

Com o dinheiro caindo em sua conta de forma torrencial, o ator acumulou uma fortuna estimada em US$ 150 milhões. Foi então que seu gosto por excentricidades ganhou as manchetes. Em vez de investir em ativos tradicionais, Cage passou a colecionar aquisições bizarras: comprou dois castelos na Europa, uma ilha privada nas Bahamas, uma mansão considerada assombrada em Nova Orleans, uma coleção de quadrinhos raríssimos (incluindo a primeira aparição do Superman), cobras exóticas e até um crânio de dinossauro Tarbossauro de 67 milhões de anos — pelo qual disputou um leilão acirrado com Leonardo DiCaprio.

A conta da extravagância chegou de forma avassaladora no final dos anos 2000. Combinando uma péssima gestão de seus corretores, investimentos errados no mercado imobiliário que colapsou em 2008 e um estilo de vida insustentável, Cage quebrou. O golpe final veio do IRS (o órgão de arrecadação de impostos dos EUA), que aplicou uma cobrança de mais de US$ 6 milhões em impostos não pagos. Para não ser preso e evitar a falência decretada judicialmente, o ator precisou vender a preço de banana quase todas as suas propriedades e coleções.

A “Era do Gargalo”: Gravando tudo o que aparecia pela frente

Determinado a pagar cada centavo que devia sem declarar concordata, Nicolas Cage tomou uma decisão drástica: aceitar absolutamente qualquer papel que lhe fosse oferecido. Entre 2011 e 2021, o ator trabalhou sem descanso em uma maratona de dezenas de filmes de baixo orçamento lançados diretamente em home vídeo e streaming. Embora o período tenha sido criticado por fãs e gerado piadas na internet, Cage defende essa fase com orgulho, afirmando que o trabalho pesado foi a sua salvação espiritual e financeira.

O esforço homérico deu resultado. O ator confirmou publicamente que conseguiu quitar 100% de suas dívidas pendentes com o governo americano e credores, ficando totalmente limpo. Quase que simultaneamente, sua carreira experimentou um renascimento cult e aclamado pela crítica, impulsionado por atuações geniais em produções independentes como o drama gastronômico Pig (considerado pelo próprio ator o melhor papel de sua vida) e a comédia de ficção O Homem dos Sonhos (Dream Scenario).

Provando que sua capacidade de reinvenção é inesgotável, Nicolas Cage se posiciona como um dos grandes nomes da indústria cinematográfica ao surgir completamente irreconhecível em seu novo projeto de peso. O ator passou por horas diárias de caracterização e maquiagem pesada para interpretar o lendário e icônico técnico da NFL e comentarista de futebol americano John Madden, na cinebiografia intitulada Madden. O papel já desponta nos bastidores como um forte concorrente às grandes premiações do cinema.

Estabilidade financeira e a estreia no mundo dos heróis de TV

Recuperado e com as contas no azul, o patrimônio líquido de Nicolas Cage estabilizou-se na casa dos US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões). O ator voltou a figurar no mercado imobiliário de luxo de forma saudável, adquirindo uma cobertura de US$ 6,5 milhões em Manhattan com vista para o Central Park. Agora muito mais seletivo com seus roteiros, o astro de 62 anos faz seu aguardado retorno ao universo dos super-heróis ao protagonizar a inédita série em live-action Spider-Noir, do Prime Video, onde dará vida ao amargurado detetive Ben Reilly.

Priscilla Comoti é editora de conteúdo do site CARAS. Ela é formada em jornalismo e em audiovisual, já passou pelos sites Contigo!, Minha Novela, TiTiTi, Mais Novela e Portal Márcia Piovesan. Escreve sobre celebridades, notícias sobre a família real britânica, TV, reality show e novelas.