Bem-estar e Saúde / MATERNIDADE

O abismo invisível entre Rafa Kalimann e Nattan no final da gravidez; entenda

Grávida após poucas semanas de namoro, Rafa Kalimann expõs solidão e bastidores reais; psicóloga perinatal faz alerta

O abismo invisível entre Rafa Kalimann e Nattan no final da gravidez - Foto Reprodução Globoplay

A estreia da série documental Tempo para Amar, no GNT e no Globoplay, trouxe a público os bastidores reais da gestação de Zuza. A bebê é filha da influenciadora Rafa Kalimann e do cantor Nattan. De fato, a produção gerou grande debate nas redes sociais ao expor as visões distintas do casal sobre a preparação para a maternidade. Os dois decidiram ter um filho com poucas semanas de relacionamento. Embora a influenciadora tenha enfrentado uma gravidez fisicamente tranquila, o lado emocional exigiu muita luta.

O peso da solidão e a cobrança por presença

Rafa revelou que enfrentou um forte sentimento de solidão durante o nono mês da gestação. Com histórico de depressão e uma perda gestacional em 2024, a famosa desabafou sobre a dificuldade de verbalizar suas necessidades. Por exemplo, a gota d’água ocorreu quando Nattan estendeu uma viagem de shows para curtir uma confraternização com amigos em Gramado. No entanto, o cantor reconheceu o conflito e explicou que também enfrentou dificuldades para entender a nova realidade.

De acordo com a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, a sensação de isolamento é um reflexo comum. A especialista explica que a grávida frequentemente se sente deixada de lado pelo ambiente social.

“É muito comum que a mulher se sinta invisível durante a gestação, sim. Isso ocorre porque as pessoas passam a não perguntar mais como ela está. Há muito julgamento, porque existe a ideia de que uma mulher grávida precisa, necessariamente, estar bem e estar feliz. As pessoas julgam se ela fala que não está bem ou que não está feliz. Sim, as pessoas olham mais para o bebê do que para a mulher”, afirma Rafaela.

A máscara das redes sociais e as emoções dobradas

Com certeza, a exposição pública agrava o cenário para casais famosos. Rafaela Schiavo alerta que a necessidade de manter um padrão de felicidade na mídia constrói uma armadilha perigosa para a saúde mental.

“Uma pessoa que tem de usar uma máscara durante muito tempo precisa, às vezes, mesmo depois de uma discussão, aparecer nas redes sociais sorrindo, feliz, como se estivesse tudo bem. Isso pode ir aumentando, até porque pode passar uma mensagem para o próprio parceiro ou parceira de que está tudo bem, já que está postando, já que está alegre, como se as coisas já tivessem sido resolvidas entre eles”, analisa a psicóloga.

Além disso, a especialista esclarece que a gravidez potencializa os sentimentos da mulher de forma avassaladora. Atitudes do parceiro que antes geravam pequenos incômodos passam a causar feridas profundas, principalmente em contextos de surpresa.

“Durante a gravidez, a mulher sente as emoções de forma dobrada. Aquilo que ela sentia antes da gestação já poderia causar um certo incômodo para ela; às vezes, ela poderia deixar passar. Mas, durante o período gestacional, como as emoções ficam mais afloradas, aquilo traria um incômodo muito maior. A sensação acaba sendo ainda maior, ainda mais se for uma gestação não planejada”, pontua Rafaela.

O distanciamento do pai nem sempre é falta de amor

No caso dos homens, a transição para a parentalidade também ativa gatilhos profundos e reações complexas de afastamento. Muitas vezes, a fuga ou a busca por distrações fora de casa sinalizam um sofrimento psíquico do próprio companheiro.

“O homem pode se distanciar emocionalmente durante a gestação de sua parceira por não ter planejado a gestação ou por causas do seu histórico de vida. Nem sempre um distanciamento do parceiro, quando a sua mulher está grávida, significa falta de amor. Durante a gestação, mesmo pessoas que estavam bem podem perceber esse afastamento do parceiro, o qual pode ter relação com algo emocional que ele está passando”, esclarece a especialista.

Parceria e amadurecimento real

Apesar das divergências exibidas nos episódios, Rafa Kalimann negou categoricamente qualquer cenário de abandono afetivo. Afinal, ela defende que o documentário serve justamente para mostrar que o tempo do homem para entender a paternidade costuma ser mais longo. Atualmente, os dois seguem juntos e garantem que os conflitos fortaleceram a relação.

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Rafaela Schiavo (CRP 93353) é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.