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O que causa o atraso na fala? Especialista analisa caso do filho de Virginia Fonseca

Após desabafo de Virgínia Fonseca sobre o filho caçula, conversamos com uma fonoaudióloga para explicar os sinais de alerta no atraso da fala infantil; entenda quando se preocupar

Foto: Instagram

​Recentemente, as redes sociais foram tomadas por um debate sobre maternidade. A influenciadora Virginia Fonseca (27) compartilhou uma preocupação comum de muitas mães: seu filho caçula, José Leonardo, de 1 ano, ainda não fala. A revelação de que a pediatra da criança estabeleceu um prazo para o início da fala levantou dúvidas em muitos pais sobre o que, de fato, configura um atraso na comunicação.

​Para esclarecer a situação e orientar famílias que enfrentam o mesmo cenário, a CARAS Brasil conversou com a fonoaudióloga infantil Adriana Fiore. A especialista detalhou os marcos do desenvolvimento infantil e explicou quando é necessário ligar o sinal de alerta.

​A protagonista dessa discussão é um dos maiores fenômenos da internet brasileira, empresária e figura que movimenta milhões de pessoas diariamente.

​A idade para as primeiras palavras

​Uma das maiores dúvidas dos pais é saber qual é a janela de tempo considerada normal para a criança começar a se comunicar verbalmente.

​”De forma geral, esperamos que as primeiras palavras com significado apareçam por volta de 1 ano de idade. Entre 12 e 15 meses, muitas crianças já começam a usar palavrinhas de maneira intencional e, ao redor dos 2 anos, o esperado é que iniciem combinações simples de duas palavras. Existe, sim, uma faixa de variação porque o desenvolvimento infantil não acontece de forma idêntica para todas as crianças. Mas essa variação não deve ser usada como justificativa para esperar demais quando os marcos de linguagem não estão acontecendo como deveriam.”

​O mito dos meninos

​Existe uma crença popular forte de que crianças do sexo masculino demoram mais para falar. A especialista pede cuidado com essa afirmação.

​”Essa é uma ideia muito popular e que precisa ser vista com cautela. Mais importante do que a comparação é a observação do desenvolvimento individualmente. Ou seja, estão evoluindo em comunicação, compreensão e interação. Dizer simplesmente que “menino fala mais tarde” pode atrasar a procura por ajuda em casos que realmente precisam de avaliação e intervenção. O olhar clínico deve estar voltado para os sinais do desenvolvimento, e não para uma crença generalizada.”

Virginia é mãe de Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo - Foto: Reprodução/Instagram @virginia
Virginia é mãe de Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo – Foto: Reprodução/Instagram @virginia

​Sinais de alerta no dia a dia

​A comunicação vai além da fala estruturada. Antes de formar palavras, o bebê dá indícios claros sobre o seu desenvolvimento.

​”Os pais devem observar se a criança se comunica no dia a dia, mesmo antes de falar. Pouco contato visual, poucos gestos, ausência de apontar, pouca imitação, dificuldade para compreender ordens simples, ausência de combinação de palavras por volta dos 2 anos e frustração frequente para se expressar, pois não ser compreendido são sinais importantes. Outro ponto de atenção é quando a criança parece ouvir, mas nem sempre entende bem o que foi dito, ou quando perde habilidades que já havia adquirido. Nesses casos, o ideal não é esperar: é investigar.”

​Telas e a rotina da casa

​O ambiente em que a criança cresce dita o ritmo do seu aprendizado. O uso de celulares e tablets é um ponto crítico.

“Influenciam muito. A linguagem se desenvolve na troca: olho no olho, conversas, narrativas, brincadeiras, leitura de histórias, imaginação, nomeação do que acontece na rotina e na presença real do adulto. Quando a criança passa tempo demais em experiências pouco interativas, especialmente diante de telas, ela pode ter menos oportunidades de viver essas trocas que sustentam o desenvolvimento da comunicação. Quanto mais presença, conversa e vínculo, melhor tende a ser o ambiente para o desenvolvimento da fala e da linguagem.”

​A hora de buscar ajuda

​Muitas famílias adiam a ida ao consultório esperando o tempo da criança. A fonoaudióloga orienta sobre o momento exato de intervir.

​”O momento certo é sempre quando a família percebe que algo não vai bem. Não é preciso esperar que o atraso fique “muito evidente”. Quanto mais precoce a observação, maiores são as chances de realizar a intervenção de forma eficaz. O fonoaudiólogo é um profissional central nessa investigação, mas a avaliação pode envolver também o pediatra que acompanha o desenvolvimento da criança, o otorrinolaringologista, porque a audição precisa ser cuidadosamente considerada em qualquer quadro de atraso de fala ou linguagem. Em alguns casos, outros profissionais do desenvolvimento infantil também podem compor esse olhar.”

​”Cada criança tem seu ritmo, mas desenvolvimento não deve ser acompanhado com passividade. Quando há dúvida, avaliar cedo faz diferença”, conclui a especialista.

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Dra. Adriana Fiore Fonoaudióloga Infantil Mãe da Gabriela. Com sólida experiência clínica e acadêmica, Adriana construiu sua trajetória integrando duas grandes paixões: o universo da comunicação e o desenvolvimento infantil. Atuou por 15 anos no Grupo Bandeirantes de Comunicação e por 2 anos na TV Gazeta orientando profissionais da mídia no aprimoramento da expressividade vocal. Fundadora da AplusKids, criou uma clínica acolhedora, inovadora e multidisciplinar, onde atua com comunicação infantil, desenvolvimento de linguagem, amamentação, integrando avaliação e intervenção com abordagem humanizada, individualizada e com prática baseada em evidências. Instagram: fono.adrianafiore – apluskids.clinica