Lembra dele? Aos 56 anos, ex-galã da Globo abre o jogo sobre afastamento da TV e fala de novos projetos
Trinta anos após auge na Globo, ator relembra carreira, comenta afastamento da TV e fala sobre novos projetos

Trinta anos após o fim de Explode Coração, Ricardo Macchi, de 56 anos, ainda é lembrado como cigano Igor, um dos personagens mais marcantes da novela exibida pela Globo em 1995. A trama, que teve seu último capítulo exibido em 4 de maio de 1996, também entrou para a história por ter sido a primeira totalmente gravada no antigo Projac, atual Estúdios Globo.
Apesar da popularidade conquistada na televisão, o ator está afastado das novelas há mais de duas décadas. Seu último trabalho em uma produção longa para a TV foi em 2004. Ao comentar as mudanças no universo artístico, Ricardo fez uma análise sobre a indústria do entretenimento atual.
“O mercado mudou demais. Hoje a gente não conhece mais ninguém, nos eventos, as celebridades a gente não conhece. Vamos gravar na TV e não conhecemos mais ninguém. Acho que o público não assimilou e não gostou disso”, disse o ator ao portal Heloisa Tolipan.
O artista também criticou a forma como a fama é construída atualmente nas redes sociais e destacou a valorização dos nomes veteranos da dramaturgia. “A tradição é tradição. Quem não construiu história, não vai ser comprando seguidor que vai conseguir algo relevante, verdadeiro. Se construiu muita coisa de mentira.”
“Acho que o público quer verdade, quer quem teve estrela. E somente os veteranos tiveram esse privilégio, porque as novas gerações agora, constroem uma ideia, um investimento, todo esse gerenciamento de celebridade, que acaba banalizando tudo. Parece que todo o mundo quer ser artista, apresentador, comentarista especializado em algo. Eu sou um privilegiado por ter tido tantas resultados, e isso sem fazer parte das patotinhas, sem me sujeitar a ideias e a ideais aos quais eu não considero construtivos”, declarou.

Novos projetos
Atualmente, Ricardo Macchi está envolvido nas gravações do longa-metragem ’45 Dias’, dirigido por Walther Neto e com co-direção de Marisa Mestiço. O filme, inspirado em fatos reais, acompanha a trajetória do multiatleta Roger Chedid, interpretado por Paulo Vilhena.
No projeto, Ricardo vive o personagem Sensei Bill e revelou detalhes sobre o desafio do papel. “A gente está filmando a história de um multiatleta, Roger Chedid, campeão de karatê e saltos ornamentais. Um cara que trouxe, através da habilidade e da formação dele em várias lutas, o Kenpo Havaiano para o Brasil — que é uma arte marcial muito interessante, levada para o Havaí através de um oriental, de um sensei, que é o meu personagem, o Sensei Bill, um japonês que se radicou no Havaí. Ele também é especialista na plasticidade e na direção das lutas em Hollywood. Um personagem difícil de fazer por conta do sotaque. Estou muito feliz com o cinema brasileiro e com a minha maturidade na dramaturgia”, contou.
Além do trabalho como ator, Ricardo também atua na produção audiovisual. Entre os novos projetos, ele revelou que está desenvolvendo um filme sobre o ambientalista José Lutzenberger e outro sobre os 20 anos da conquista do Mundial do Internacional.
“No momento estou produzindo o filme do ambientalista José Lutzenberger (1926-2002), bem como outro sobre os 20 anos da conquista do Mundial do Internacional. Estou trabalhando bastante. Tenho uma vida de executivo de televisão, de diretor de televisão, de cinema e publicidade, além de trabalhar como ator. Da pandemia para cá fiz pelo menos quatro longos”, disse.
Ao falar sobre o atual cenário cinematográfico nacional, o ator ainda destacou o tipo de produção que prefere acompanhar. “Eu gosto do cinema brasileiro construtivo que é feito para família, que é feito para que o mundo possa comprar produtos que não sejam clichês, idealistas, nem militantes”, concluiu.

Leia também: Aos 29 anos, casal de atores mais influente do cinema ostenta fortuna milionária e mansões de R$ 110 milhões