Narrador Luís Roberto celebra avanço em tratamento e neurocirurgião alerta para sinais de neoplasia cervical
Após o jornalista afirmar que já venceu "metade da batalha", o Dr. Paulo Porto de Melo explica o que define esse tipo de tumor e quais sintomas não devem ser ignorados

O afastamento do narrador Luís Roberto, após o diagnóstico de uma neoplasia cervical, trouxe atenção para um tema que ainda gera muitas dúvidas. Em publicação recente, o jornalista celebrou a evolução do tratamento ao afirmar que já venceu “metade” da batalha. Consequentemente, cresceu o interesse sobre os diferentes tipos de tumores que podem acometer a região do pescoço.
Segundo o Dr. Paulo Porto de Melo, neurocirurgião, o termo “neoplasia cervical” é amplo. Portanto, ele não define, necessariamente, um único tipo de doença.
“A neoplasia cervical é um termo utilizado para descrever um crescimento celular anômalo nas estruturas da região do pescoço. Isso pode envolver tireoide, laringe, faringe, glândulas salivares, linfonodos cervicais e outros tecidos adjacentes”, explica o especialista.
Entenda a diferença entre tumores benignos e malignos
O médico destaca que a condição pode ser tanto benigna quanto maligna. Além disso, cada caso possui características e tratamentos completamente diferentes.
“Dependendo da localização da lesão, o prognóstico e o tratamento mudam de forma significativa. Um tumor de tireoide, por exemplo, possui manejo completamente diferente de um tumor na língua ou de um linfoma cervical”, afirma.
Apesar de o termo assustar muitas pessoas, o Dr. Paulo reforça que neoplasia não significa obrigatoriamente câncer.
“A neoplasia pode ser benigna ou maligna. Por isso, é fundamental realizar investigação adequada, exames de imagem e, em muitos casos, biópsias ou punções para definir o diagnóstico correto”, esclarece.
Nesse sentido, os especialistas avaliam fatores como a localização da lesão, o tamanho e a possível invasão de estruturas próximas.
Quando a cirurgia de neoplasia cervical é necessária?
O neurocirurgião explica que algumas neoplasias exigem abordagem cirúrgica obrigatória. Entretanto, isso depende do diagnóstico histológico.
“Carcinomas da cavidade oral geralmente requerem cirurgia. Neoplasias malignas de tireoide confirmadas por punção ou classificadas como de alto risco em exames de imagem também costumam ter indicação cirúrgica”, comenta.
Já em tumores de regiões como laringe e faringe, a definição do tratamento depende do estágio da doença.
“Tudo vai depender do tamanho da lesão, grau de infiltração local e comprometimento de estruturas vizinhas. O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia e até terapias-alvo imunológicas”, detalha o médico.
Sintomas e sinais de alerta no pescoço
Infelizmente, não existe um rastreamento populacional formal para tumores de cabeça e pescoço. Por esse motivo, observar sintomas persistentes é essencial para o sucesso do tratamento.
Entre os principais sinais de alerta, o Dr. Paulo Porto de Melo destaca:
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Massa endurecida e indolor no pescoço;
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Crescimento persistente por mais de quatro semanas;
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Rouquidão por mais de 15 dias;
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Dificuldade ou dor para engolir;
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Dor reflexa no ouvido;
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Perda de peso inexplicada.
“Massa endurecida, fixa e indolor, especialmente em pacientes mais velhos, acende um alerta importante para investigação. Quando essas características aparecem juntas, aumentam as chances de estarmos diante de uma lesão maligna”, alerta.
Fatores de risco e importância do diagnóstico precoce
O médico também chama atenção para hábitos que aumentam as chances de desenvolver tumores cervicais.
“Tabagismo, etilismo e infecção pelo HPV estão entre os principais fatores associados aos cânceres de cabeça e pescoço. Por isso, consultas médicas e odontológicas regulares são fundamentais, especialmente para pacientes com esses fatores de risco”, orienta.
Para o especialista, casos de grande visibilidade ajudam a ampliar a conscientização.
“Quanto mais cedo a lesão é identificada, maiores as chances de tratamentos menos agressivos e melhores resultados clínicos. O principal é não ignorar sintomas persistentes”, conclui o Dr. Paulo Porto de Melo.
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