Aos 77 anos, eterno Lineu de A Grande Família brilha em novo projeto fora da TV
Longe das câmeras e recuperado de uma cirurgia, ator encara o desafio de Samuel Beckett no teatro e celebra reencontros com parceiros históricos em turnê nacional

Distante dos estúdios da Globo e do conforto do pacato Lineu Silva, personagem que moldou sua imagem para o público entre 2001 e 2014, o ator Marco Nanini mergulha agora nas águas profundas do teatro do absurdo. Aos 77 anos, o veterano estreou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o espetáculo Fim de Partida, clássico de Samuel Beckett, no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros.
O desafio de Beckett e o peso do tempo
Para Nanini, interpretar Hamm representa o papel maduro que a maioria dos grandes atores sonha interpretar. O personagem é cego e cadeirante. Além disso, ele vive uma relação de dependência física e emocional com seu serviçal. Entretanto, o ator assume o desafio com humildade.
“Como um senhor, estou na idade certa e posso fazer o Hamm, mesmo que o medo de enfrentá-lo não tenha diminuído”, disse ao Estadão.
A montagem dialoga com a realidade física recente do artista. Em 2024, Nanini passou por uma cirurgia no menisco. Por isso, ele chegou a entrar em cena em uma cadeira de rodas no espetáculo Traidor. Atualmente, ele admite adotar o suporte do ponto eletrônico no palco por não ter mais o texto “na ponta da língua”. “Eu não tenho memória para mais nada”, disse ao Estadão.
De ‘A Grande Família’ ao estrelato nacional
Embora o público o identifique imediatamente como o patriarca Lineu, a carreira de Nanini começou de forma muito mais “aventureira”. Ele construiu o papel discretamente no início. Porém, logo conquistou o Brasil ao longo de 13 anos.
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Início com a espada: Estreou na Globo em 1969 como figurante de lutas de esgrima na novela A Ponte dos Suspiros.
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Lutas em cena: “Nossa função era botar uma peruca e lutar um pouco de espada, matar, morrer; depois, mudava a peruca, matava, morria de novo”, recordou em depoimento ao Memória Globo.
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Parceria com Marília Pêra: Atuou em sucessos como Brega & Chique (1987) e na peça O Mistério de Irma Vap.
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Tipos inesquecíveis: Deu vida ao professor Josué em Gabriela (1975) e ao corrupto prefeito Odorico Paraguassu em O Bem-Amado.
Reencontro com parceiros históricos
Em Fim de Partida, Nanini faz questão de estar cercado por amigos e parceiros de longa data. Um exemplo é Helena Ignez (83 anos), que ele conheceu em 1968 quando ainda era apenas um figurante. O elenco conta ainda com Guilherme Weber e Ary França.
Para Nanini, a televisão e o teatro propiciam uma experiência de coletividade essencial. “O melhor trabalho que tem é o trabalho em equipe, principalmente na dramaturgia”, declarou ao Memória Globo. Além disso, ele completou: “O mais bonito é podermos encontrar com outros artistas, trocar opinião e emoção com outras pessoas”.
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