Novelas / CARREIRA

Reclusa e dedicada à pintura: Por onde anda Elizabeth Jhin, a autora de Além do Tempo?

Longe da TV desde 2021, a escritora que emocionou o Brasil com tramas espíritas vive fase artística e não pretende retornar à rotina das novelas

Elizabeth Jhin - Memória GloboCícero Rodrigues

A TV Globo confirmou nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, o retorno de um dos maiores fenômenos da última década para a sua grade vespertina. Além do Tempo (2015), escrita pela mineira Elizabeth Jhin, ocupará a faixa Edição Especial. A notícia gerou uma onda de entusiasmo nas redes sociais, com internautas celebrando a oportunidade de rever a história que desafiou os formatos tradicionais da teledramaturgia ao apresentar duas vidas para os mesmos personagens.

Atualmente, Elizabeth Jhin desfruta de uma rotina longe da pressão dos cronogramas de gravação e das cobranças por audiência. A autora, que se tornou um ícone das novelas das seis, agora dedica seu tempo a atividades que alimentam sua criatividade de forma mais íntima e tranquila. Elizabeth  encerrou seu contrato com a Globo em junho de 2021, após 30 anos de casa. Conforme relatado pelo portal Notícias da TV, ela preenche seus dias com cursos, viagens, sessões de cinema e muitas leituras.

Além desses hobbies, Jhin resgatou um talento que estava guardado: a pintura. Nos últimos anos, ela passou a se dedicar intensamente às artes plásticas em seu refúgio particular. Em declarações recentes, a escritora confirmou que não sente falta do ritmo frenético da televisão e, por isso, não planeja retornar ao gênero que a consagrou.

A trajetória inspiradora da mineira que começou um sonho aos 40 anos

A história da autora Elizabeth Jhin, que completa 80 anos em 12 de maio de 2026, é um verdadeiro exemplo de que nunca é tarde para recomeçar. Embora tenha consolidado seu nome como a “mestre do gênero espírita” na TV Globo, sua trajetória na teledramaturgia só começou quando ela já havia atravessado a barreira dos 40 anos.

Nascida em Belo Horizonte, Elizabeth mudou-se para o Rio de Janeiro em 1972. Durante anos, priorizou a criação dos filhos e a rotina doméstica. No entanto, sua veia criativa encontrou vazão na literatura. Sob o pseudônimo Renata Dias, ela escreveu obras para adultos e aceitou o desafio de produzir livros de bolso para a Ediouro.

Essa fase foi fundamental para sua agilidade na escrita. “Eu precisava trabalhar, os meus filhos eram pequenos… Escrevia tudo à mão em um caderno, enquanto levava meus filhos para a psicóloga, para o dentista. Depois passava tudo para a máquina de escrever”, relembrou em depoimento ao Memória Globo.

Do Tablado à oficina da Globo

Quando seus filhos se tornaram mais independentes, Elizabeth decidiu perseguir o antigo sonho do teatro. “Fui fazer teatro já com 40 anos… Falei: ‘Agora eu vou perseguir meu sonho’, e fui estudar”, conta. Após passar pelo tradicional Tablado, ingressou na UniRio e, por indicação de um professor, entrou na oficina de roteiro da Globo em 1990.

Sua capacidade de adaptação logo chamou a atenção de veteranos. Em 1991, ela iniciou uma produtiva fase como colaboradora, aprendendo a criar “personagens com alma” ao lado de gigantes como:

  • Manoel Carlos: Em sucessos como Felicidade (1991) e História de Amor (1995).

  • Walther Negrão: Em tramas como Tropicaliente (1994), Era Uma Vez (1998) e Vila Madalena (1999).

  • Antonio Calmon: Com quem dividiu a autoria de sua primeira novela, Começar de Novo (2004).

A consolidação como autora solo e o “chamado” espiritual

Foi apenas em 2007, com Eterna Magia, que Elizabeth Jhin assumiu seu primeiro voo solo. A partir daí, ela iniciou uma jornada de sucessos na faixa das 18h que se tornaria sua marca registrada. Curiosamente, seu interesse pelo espiritismo — tema central de suas obras — nasceu de forma gradual.

Se em 1996, ao colaborar em Anjo de Mim, ela não se conectava com o tema, anos depois ela se tornou uma estudiosa da doutrina de Allan Kardec. “Comecei a me interessar pelo assunto e frequentar um centro espírita… Hoje me considero espírita, aceito a doutrina, ela explica muita coisa para mim”, revelou a autora.

Essa paixão transbordou para a tela em obras icônicas:

  • Escrito nas Estrelas (2010): Discutiu a ética da reprodução humana sob a ótica espiritual.

  • Amor Eterno Amor (2012): Mostrou o reencontro de uma mãe e um filho separados pelo tempo.

  • Além do Tempo (2015): Considerada sua obra-prima, ousou ao mudar de século no meio da novela para mostrar a reencarnação dos personagens.

  • Espelho da Vida (2018): Seu último trabalho, que explorou o passado, o presente e o plano espiritual de forma simultânea.

Do século XIX aos dias atuais

O grande diferencial de “Além do Tempo” foi sua estrutura inovadora. Na primeira fase, ambientada no século XIX, o público acompanhou o amor proibido entre Lívia (Alinne Moraes) e o Conde Felipe (Rafael Cardoso). Após um desfecho trágico em 1850, a autora realizou uma manobra audaciosa. Ela transportou todos os personagens para os dias atuais, mantendo os mesmos atores, mas em contextos sociais e financeiros invertidos.

Esta transição impecável permitiu que o telespectador refletisse sobre a lei do retorno. Afinal, nos tempos modernos, os protagonistas ganharam uma nova chance de corrigir erros do passado. A web reagiu imediatamente ao anúncio da reprise. “Não acredito! Ótima notícia, excelente obra espírita”, comentou uma seguidora no Instagram. Outro perfil exaltou: “Impecável, irretocável, que novela linda! As tardes precisavam disso”.

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Yasmin Lima é jornalista formada pela Universidade Paulista e graduanda em Marketing pelo MBA da USP. Tem experiência em redação, redes sociais e análise de dados, tendo atuado em empresas do grupo UOL e em contas do Governo e da Prefeitura de São Paulo. Apaixonada por comunicação digital, tem interesse especial em temas de entretenimento, política e esporte