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CARAS Talks Mulher reforça o poder da escolha feminina

Evento convidou mulheres à reflexão sobre autonomia, tempo e decisões, com destaque para o debate sobre fertilidade e planejamento ao longo da vida.

Ginecologista especialista em Reprodução Humana, Dra Thais Domingues, participou do CARAS Talks Mulher (FOTO: Divulgação)

No mês das mulheres, o CARAS Talks Mulher reuniu vozes femininas em torno de um convite potente: menos respostas prontas e mais perguntas essenciais. Em um tempo marcado por transformações profundas, o evento propôs um olhar mais honesto sobre escolhas, ritmos e, sobretudo, autonomia.

A proposta não era oferecer fórmulas, mas abrir espaço para que cada mulher pudesse revisitar sua própria trajetória. Entre depoimentos e experiências compartilhadas, emergiu um ponto em comum: o direito de habitar o próprio tempo. Um tempo que não precisa seguir roteiros pré-estabelecidos, mas que pode – e deve – ser desenhado a partir do que faz sentido para cada uma.

Esse movimento de revisão passa inevitavelmente por decisões importantes, entre elas a maternidade. No painel “Mulher de Fases”, a Ginecologista especialista em Reprodução Humana, dra. Thais Domingues, da Clínica Huntington, trouxe uma perspectiva atual e necessária sobre fertilidade e planejamento. Em sua fala, destacou como o acesso à informação se tornou peça-chave para que mulheres possam decidir com mais consciência sobre seus caminhos.

“Há dez anos, os médicos inclusive contavam com a FIV para “resolver “ a maternidade de quem decidiu postergar, inclusive aos 40 anos’, mas infelizmente não é assim que funciona. As mulheres precisam tomar uma atitude muito antes, fazendo um planejamento em relação à maternidade ou até a decisão por ela. Se a pretensão for postergar, é necessário buscar um especialista, entender sua reserva ovariana e, sempre que possível, planejar o congelamento de seus óvulos” afirmou.

A médica também ressaltou que não existe um único caminho e que todas as escolhas são legítimas quando feitas com consciência. “Entretanto, quem não tomou essa atitude antes, ainda pode tentar e conseguir engravidar naturalmente, sempre ciente dos riscos e das chances. Mas é essencial destacar que, em qualquer fase da vida da mulher, é preciso buscar informação de qualidade para tomar uma decisão mais apropriada”, afirmou ao destacar também os riscos envolvidos e as possibilidades oferecidas pela medicina reprodutiva. “O fato é que não é infrequente eu escutar de minhas pacientes inférteis: ‘com 30 anos eu nunca pensei em ter filhos, mas com 42 me veio a vontade e agora é tarde’. Tento sempre confortá-las pois, ao se depararem com a relação entre as taxas de sucesso e idade da mulher, vem uma culpa da falta do planejamento e é isso que precisamos reforçar sempre”, explicou

Em um contexto em que as mulheres se olham com autonomia e habitam o próprio tempo, Thaís reforçou que a maternidade deixou de estar atrelada a um único formato. “A mulher não precisa necessariamente encontrar um parceiro. Ela pode ser homoafetiva, querer ser mãe solo… são tantas opções que nós precisamos buscar informação e não apenas falar ‘vou no meu tempo’. Nós somos da geração que faz acontecer e não fica apenas aguardando”, pontuou.

A discussão também trouxe à tona um aspecto muitas vezes negligenciado: o tempo biológico. “Nós queremos ser diferentes. Ou seja, galgar o próprio espaço, seguir a carreira, não casar, não ter filhos, encontrar o melhor momento para decidir o próprio futuro. Só que não podemos esquecer de uma das decisões mais importantes: a saúde fértil”, disse. Segundo ela, compreender a própria fertilidade é essencial para um planejamento alinhado com os desejos futuros.

Como alternativa para quem deseja adiar a maternidade, o congelamento de óvulos surge como uma ferramenta importante. “Não existe nenhuma tática para postergar a menopausa ou economiza óvulos. Assim, nossa melhor opção como mulher é procurar um especialista, discutir fertilidade, entender planejamento e refletir. Se vai postergar a decisão pela maternidade, então o congelamento de óvulos é a melhor opção. Não é uma certeza, mas é um seguro para dar uma chance melhor no futuro de gestação evolutiva e saudável”, concluiu.

Mais do que respostas definitivas, o CARAS Talks Mulher deixou uma mensagem clara: o protagonismo feminino passa pelo direito de escolher, mas, sobretudo, pelo acesso à informação que sustenta essas escolhas. Entre ciclos, dúvidas e possibilidades, o que se desenha é uma nova forma de viver: mais consciente, plural e, acima de tudo, livre. Mas sempre pautada em informação de qualidade

 

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