Ex-BBB, Aline Campos e a prevenção do câncer de colo do útero; entenda a relação com o HPV
Especialista detalha como o vírus HPV provoca alterações celulares e explica por que o acompanhamento ginecológico é vital para prevenir a doença

A revelação de que a influenciadora e ex-BBB Aline Campos enfrentou um câncer e precisou passar por cirurgia chamou a atenção para um problema de saúde que ainda atinge milhares de mulheres no Brasil todos os anos. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o diagnóstico esteve relacionado ao câncer de colo do útero, doença frequentemente associada à infecção pelo HPV.
Para explicar melhor a condição, o oncologista Ramon Andrade de Mello detalhou como esse tipo de câncer se desenvolve, quais são os fatores de risco e como a prevenção pode reduzir significativamente as chances da doença.
Câncer de colo do útero está ligado à infecção pelo HPV
O câncer de colo do útero é um dos tumores mais associados à infecção pelo HPV, vírus transmitido principalmente por contato sexual. De acordo com o oncologista, o processo costuma acontecer de forma gradual.
“Pelo que li na reportagem, é o câncer de colo de útero. Esse tipo de câncer é muito relacionado à existência da infecção do colo do útero pelo HPV, que vai causando alterações das células de forma crônica até chegar ao desenvolvimento de um câncer. É um câncer muito comum no Brasil, até por conta da grande incidência do HPV, e de certa forma mais comum também nos estados do norte e nordeste do Brasil. É um câncer que pode ser prevenido com a prevenção ginecológica constante e também utilização de preservativos e parceiros sexuais únicos.”
Segundo o especialista, a evolução costuma acontecer ao longo de anos, o que torna a prevenção e o diagnóstico precoce fatores decisivos para evitar o avanço da doença.
Fatores de risco e sinais que exigem atenção
Entre os principais fatores que aumentam o risco de desenvolvimento da doença estão comportamentos relacionados à exposição ao vírus.
“Os principais fatores de risco são multiparceiros sexuais, infecção do HPV, principalmente em pessoas que vivem nas zonas endêmicas, obviamente também a não utilização de preservativos de barreira e muitas vezes o tabagismo também pode ser considerado como um fator de risco para esse tipo de câncer. Então é muito importante a mulher procurar o atendimento preventivo frequentemente, a cada seis meses, para poder evitar que isso aconteça.”
De acordo com o médico, consultas regulares com ginecologista ajudam a identificar alterações nas células antes que evoluam para um tumor.
Como o HPV pode levar ao desenvolvimento do câncer
O vírus HPV tem papel central no surgimento desse tipo de tumor, já que provoca alterações nas células do colo do útero ao longo do tempo.
“O vírus do HPV é um dos principais pivôs do desenvolvimento desse tipo de câncer. É muito importante entender que ele é um causador de uma infecção crônica no colo do útero, o que vai ter uma implicação na replicação das células locais. Ele tem uma propriedade que é a alteração do DNA dessas células locais, fazendo com que elas repliquem desenfreadamente, gerando um câncer com o tempo; um processo de displasia, metaplasia, anaplasia e gerando um câncer. Essas células vão evoluir para um câncer se essa mulher que tem essa infecção do HPV não for tratada a tempo.”
Por isso, especialistas reforçam que o acompanhamento médico regular é fundamental para interromper o processo antes que a doença se desenvolva.
Vacina contra HPV é aliada importante na prevenção
A vacinação contra o HPV é considerada uma das principais estratégias de prevenção do câncer de colo do útero.
“A vacinação contra o HPV é um fator crucial para a diminuição do risco de desenvolver esse câncer porque, obviamente, previne a infecção causadora dele, que é um dos principais pivôs. Esse tipo de vacina deve ser aplicada a meninas jovens, idealmente aquelas que não entraram na fase sexual ativa e muitas vezes aquelas meninas também que que até seus 21, 25 anos de idade só tiveram no máximo um parceiro sexual em relacionamento estável; essas meninas podem ter indicação de receber essa vacina com eficiência para a prevenção do câncer de colo de útero.”
No Brasil, a imunização faz parte do calendário de vacinação do sistema público de saúde para adolescentes.
Exames de rotina ajudam no diagnóstico precoce
Além da vacinação, o acompanhamento ginecológico é considerado essencial para detectar lesões antes que elas evoluam para câncer.
“Normalmente, o exame principal é uma coisa bem simples, acessível em todos os lugares do Brasil, inclusive nos postos de saúde, que é o exame do Papa Nicolau. É um exame de esfregaço do colo do útero que a gente consegue identificar as células em desenvolvimento anômalo, como células displásicas ou metaplásicas. É preciso, no caso, haver uma política mais incisiva do governo no sentido de recrutar essas mulheres para o exame, porque muita gente, principalmente em áreas remotas com pouca instrução, não têm a consciência da necessidade de procurar a unidade básica de saúde para fazer prevenção.”
Segundo o especialista, políticas de conscientização e incentivo à prevenção são fundamentais para reduzir a incidência da doença no país.
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