Novelas / A NOBREZA DO AMOR

Aos 47 anos, Lázaro Ramos faz primeiro vilão em novelas: ‘Nunca foi um sonho’

No elenco de A Nobreza do Amor, Lázaro Ramos também revela as principais descobertas de seu primeiro vilão

Lázaro Ramos como Jendal, vilão de A Nobreza do Amor | Foto: Globo

Com mais de 30 anos dedicados à atuação, Lázaro Ramos (47) entrega uma nova faceta para o público em 2026. No elenco da novela A Nobreza do Amor (Globo), trama das 18h que chega às telinhas em 16 de março, ele interpretará pela primeira vez um vilão.

Apesar do papel de antagonista estar na lista de desejo de muitos artistas, Lázaro explica que, em sua trajetória, isso foi diferente. “No caso de fazer vilão, curiosamente nunca foi um sonho. Meu sonho era fazer um herói“, contou, em coletiva de imprensa da novela, a qual a CARAS Brasil esteve presente.

O artista conta que tudo mudou quando leu sobre a trama, e decidiu que gostaria de fazer. “Está sendo uma descoberta de um prazer em falar coisas absurdas e maldades. Está sendo lindo acompanhar esse universo que está sendo criado; cada cenário, figurino e atuação eu fico mais encantado.”

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É muito bom poder fazer parte desse momento em que está se criando esse imaginário desse reino, dessa princesa e dessa viagem de conexão que ela faz com o Rio Grande do Norte“, completa. “Tem uma complementaridade que a gente sempre sonhou. Muitas vezes a gente fazia novela que não tinha família, era você sozinho.”

Jendal (Lázaro Ramos) e Chinua (Hilton Cobra) | Foto: Globo

Na história, Jendal, então primeiro-ministro do reino fictício de Batanga, arma um golpe contra a realeza e se declara soberano absoluto. Em um ato de coragem, a princesa Alika (Duda Santos) oferece sua mão em casamento para garantir a liberdade de seus pais, mas acaba prescisando fugir para o Brasil.

Momento revolucionário da teledramaturgia brasileira

Para grande parte do elenco, A Nobreza do Amor é um folhetim revolucionário. “Para mim, desde o início, quando eu soube da existência dessa novela, eu fiz contato porque eu queria fazer parte disso. Por tanto tempo quisemos fazer parte de uma história como essa, e era uma coisa meio distante na nossa realidade“, disse Erika Januza (40), intérprete de Niara.

A atriz acrescenta ao dizer que é o momento de apresentar outro lado da história. “O passado molda muito o nosso futuro. O passado que contamos é um passado triste, de dor, que nos diminuí. Chegou a hora de mostrar que existe um outro passado, e é uma forma também de mostrar para a nossa sociedade que fomos muito mais do que foi apresentado para a gente. Já estamos fazendo história por estar contando nosso ponto de vista de um outro lugar.”

Hilton Cobra (69), intérprete de Chinua acrescenta: “Essa novela vem coroar a nobreza, o que o movimento negro brasileiro há mais de 50 anos pedia e exigia na televisão aberta brasileira: mostrar, de fato, a vida da gente negra brasileira. A Nobreza do Amor pode proporcionar isso, inclusive trazendo toda uma ancestralidade do continente Africano que nos rege ainda hoje.”

Já para Welket Bungué (38), ator luso-guineense, o momento é de celebração, já que ele poderá ser referência de nobreza para toda uma geração, como o Rei Cayman II. “O mais importante é termos reunido uma equipe com consciência histórica e política, mas, acima de tudo, é apaixonada pela contação de histórias. Estar num Brasil como hoje, sendo eu alguém que veio ao país pela primeira vez em 2008, quase 20 anos depois poder estar nesse elenco interpretando um personagem que neste momento está na função de rei é muito especial. Fui uma criança que cresceu não tendo referências de atores e atrizes negros e negras palpáveis.

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Mariana Arrudas é editora de pautas especiais da CARAS e Contigo! no Grupo Perfil. Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), já integrou a equipe de entretenimento da Folha de São Paulo. Apaixonada por música, filmes, viagens e cultura pop, escreve sobre o universo das celebridades.