Marcella Rica toma decisão sobre maternidade; especialista explica impactos emocionais
Atriz revelou nas redes sociais detalhes do procedimento; médica comenta ansiedade, expectativas e pressão social

Aos 34 anos, a atriz e diretora Marcella Rica compartilhou publicamente que decidiu congelar seus óvulos, mostrando o processo nas redes sociais e explicando parte da rotina, desde as consultas à medicação necessária para a preservação da fertilidade.
No primeiro dia do procedimento, Marcella Rica mostrou a ultrassonografia e falou sobre suas expectativas em relação à reserva ovariana, deixando claro que se trata de uma escolha pessoal de planejamento reprodutivo.
O tema reacende uma discussão cada vez mais comum entre mulheres que optam por adiar a maternidade. Segundo a psicóloga perinatal Rafela Schiavo, ouvida pela reportagem, esse movimento está ligado a mudanças sociais importantes.
“Muitas mulheres hoje estão deixando o projeto da maternidade para uma idade após terem concluído a sua graduação, encontrado um bom emprego, se estabilizado financeiramente, casado e, aí sim, terem os seus filhos. Geralmente, isso acaba acontecendo após os 30 anos”, disse.
Ela explica que o fator biológico ainda precisa ser considerado quando o assunto é fertilidade. “Então, quando as mulheres vão engravidar de fato, muitas acabam tendo dificuldade, porque começam a tentar essa primeira gestação após passar esse período todo, e já estarão ali com seus 35, 40 anos, às vezes até um pouco mais. Aí começam a vir as dificuldades para engravidar”, apontou.
Diante disso, o congelamento pode funcionar como uma alternativa estratégica para quem pretende ter filhos mais tarde. “Portanto, sim, seria prudente que ela congelasse seus óvulos para que possa ter essa alternativa caso, lá na frente, não consiga engravidar por vias normais”, ressaltou.
Incerteza sobre ser mãe e pressão social
A psicóloga também destaca que muitas mulheres ainda vivem dúvidas profundas sobre o desejo da maternidade, o que pode influenciar diretamente no planejamento reprodutivo.
“Algumas mulheres ficam incertas na juventude se querem ou não ter filhos. Esse é um dos motivos pelos quais não há uma gestação nesse momento, elas vão deixando mais para frente”, afirmou.
Ela lembra que a liberdade de escolha é um fenômeno relativamente recente na história das mulheres. “Só que essa possibilidade é um fenômeno mais recente. As mulheres jovens de hoje, que estão tendo mais essa possibilidade e abertura de escolha, ainda sofrem muito preconceito por parte da sociedade quando escolhem não ter filhos”, disse.
Quando a decisão é atravessada por expectativas externas, o impacto emocional pode ser ainda maior. “Provavelmente, essa mulher precisa de um psicólogo perinatal para auxiliá-la a pensar a respeito, de fato, do que ela quer. O que é desejo dela e o que é o desejo de atender ao outro”, orientou.
Autoestima, controle e maturidade emocional
Para a especialista, congelar óvulos também pode impactar a autoestima e a sensação de controle sobre o futuro.
“A mulher que, ainda na juventude, toma essa decisão de congelar os óvulos para, no futuro, poder utilizá-los no momento em que julgar que é a hora de ter filhos… São decisões bem tomadas, conscientes de que a vida acontece”, explicou.
Ela reforça que a decisão exige clareza e maturidade emocional. “É uma situação que exige maturidade da pessoa e consciência de que ela pode usar ou não. No sentido de: ‘eu posso tirar aqui, congelar esses óvulos, e de repente não utilizar’, porque deu certo de engravidar via normal ou decidiu que não quer ser mãe”, concluiu.
Ao compartilhar sua experiência, Marcella Rica contribui para ampliar o debate sobre autonomia reprodutiva e saúde mental, mostrando que o congelamento de óvulos vai além de um procedimento médico — trata-se também de planejamento, reflexão e escolha pessoal.
Como foi a experiência de Marcella
Nas redes, Marcella compartilhou momentos do procedimento, incluindo a etapa de ultrassonografia e o início da medicação estimulante para a produção de óvulos — explicando que, no quarto dia, estava tranquila, mas logo notou efeitos colaterais leves como dor de cabeça.
A atriz, que já foi noiva da também atriz Vitória Strada e hoje namora a atriz Natália Rosa, mostrou que, para ela, a decisão de congelar óvulos é parte do seu processo pessoal e não necessariamente indica urgência para ser mãe no curto prazo.
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