TV / FANTASIA

Assistente de palco morreu tragicamente aos 18 anos dois dias antes do fim do programa de TV

Jovem foi atingida por quatro disparos e o namorado por seis; atração homenageou a funcionária antes de deixar a grade da emissora

Programa Fantasia contava com diversas assistentes e dançarinas chamadas 'Garotas Fantasia' - Foto: Arquivo/SBT
Programa Fantasia contava com diversas assistentes e dançarinas chamadas 'Garotas Fantasia' - Foto: Arquivo/SBT

Um dos programas mais populares da televisão brasileira nos anos 1990 terminou marcado por uma tragédia que chocou o público e transformou uma despedida festiva em luto. Em agosto de 1998, a jovem Monalisa Celeste de Jesus (1979-1998), assistente de palco do programa Fantasia, do SBT, foi assassinada a tiros aos 18 anos, apenas dois dias antes da exibição do último episódio da atração em sua primeira temporada.

Monalisa fazia parte do grupo das chamadas “garotas Fantasia”, jovens bailarinas e modelos que se tornaram símbolos do programa criado por Silvio Santos (1930-2024) e exibido diariamente nas tardes do SBT. Estreado em dezembro de 1997, Fantasia rapidamente virou fenômeno de audiência ao misturar música, brincadeiras por telefone, prêmios e coreografias, dobrando os índices da emissora no horário.

No dia 13 de agosto de 1998, porém, a trajetória promissora da jovem foi interrompida de forma brutal. Monalisa e o namorado, Marcel Vantim, de 24 anos, foram mortos a tiros na região sul de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada à época, ela foi atingida por quatro disparos e ele por seis. Próximo aos corpos, a polícia encontrou nove cápsulas deflagradas de revólver. A motivação do crime nunca foi esclarecida oficialmente.

Homenagem do SBT a Monalisa Celeste de Jesus em 1998 - Reprodução/SBT
Homenagem do SBT a Monalisa Celeste de Jesus em 1998 – Reprodução/SBT

Fim da temporada

A morte ocorreu às vésperas do encerramento da primeira fase do Fantasia, que estava no ar aos sábados desde julho daquele ano e seria cancelado pouco depois. O último programa, que deveria marcar o fim de um ciclo de sucesso, acabou se transformando em um dos momentos mais tristes da história da atração.

Em um registro preservado por fãs e frequentemente compartilhado nas redes sociais, a apresentadora Adriana Colin (59) abre um dos programas dedicando a edição à memória de Monalisa, citando que a jovem havia sido “tragicamente assassinada”. No palco, as garotas Fantasia aparecem visivelmente abaladas, muitas chorando, prestando homenagens à colega diante das câmeras. A alegria que caracterizava o programa deu lugar ao silêncio, à emoção e à consternação.

Sem esclarecimento

Apesar da repercussão do caso, o crime permaneceu cercado de lacunas. No ano seguinte, uma nova reportagem da Folha de S.Paulo levantou a suspeita de que um homem preso por outro assassinato — Roque Ferreira Santana — poderia estar envolvido também na morte de Monalisa e de seu namorado. A informação partiu do depoimento de uma adolescente, filha de outra vítima do acusado, mas, até aquele momento, a polícia não havia confirmado oficialmente a ligação entre os crimes.

Mais de duas décadas depois, o caso segue sem esclarecimento definitivo. Nas redes sociais, ex-integrantes do programa, fãs e familiares continuam lembrando Monalisa em datas como aniversários e efemérides, mantendo viva a memória da jovem que teve a vida interrompida precocemente. Se estivesse viva, ela teria hoje 47 anos.

Confira uma foto de Monalisa junto a outras dançarinas do programa:

Sucesso

O Fantasia ainda teria outras temporadas e diferentes formatos ao longo dos anos, revelando nomes que mais tarde se consolidariam na televisão brasileira. A atração do SBT passou por diversas reformulações que refletiram tanto as mudanças internas da emissora quanto as transformações do próprio público jovem ao longo dos anos.

Ao longo dos anos, o formato foi ganhando novos horários, quadros, apresentadores e dinâmicas, alternando fases de grande popularidade com períodos de desgaste. Em suas versões posteriores, o programa tentou se adaptar a novos hábitos de consumo de mídia, incorporando debates, participação do público e ajustes editoriais, mas enfrentou dificuldades para manter a relevância em um cenário televisivo cada vez mais competitivo.

Hoje, Fantasia segue como uma das atrações mais nostálgicas de quem consumiu a TV aberta nos anos 1990 e está disponível no catálogo do +SBT, plataforma de streaming do canal de Osasco.

Apresentadoras da 1ª temporada do Fantasia no SBT - Foto: Arquivo/SBT
Apresentadoras da 1ª temporada do Fantasia no SBT – Foto: Arquivo/SBT