BBB 26: Elisa Klein desistiu do prêmio milionário devido à enxaqueca após 68 horas no Quarto Branco

Modelo deixou a disputa do BBB 26 após gatilhos de estresse desencadearem uma forte crise de enxaqueca; especialista explica causas, sintomas e tratamentos

BBB 26: Elisa Klein desistiu do prêmio milionário devido à enxaqueca após 68 horas no Quarto Branco - Foto: TV Globo

Na quinta-feira (15), a modelo Elisa Klein, que concorria a uma vaga no BBB 26, deixou a disputa após passar 68 horas no quarto branco. Segundo comunicado publicado em seu Instagram, Elisa convive com enxaqueca de forma controlada, mas suas crises podem ser ativadas em situações de alto estresse. “No caso, os fatores agravantes foram claros: fome, desidratação, privação de sono, estímulos constantes de luz e som e um elevado nível de estresse psicológico”, informou a equipe.

Esse cenário é típico para quem tem a doença, explica o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP). Segundo ele, a enxaqueca surge da soma de vários fatores. “Não é o ‘excesso isolado’ que causa a doença, mas a soma desses fatores que pode facilitar o surgimento das crises, especialmente em pessoas que não estão com a doença controlada”, diz.

Como a enxaqueca afeta o corpo

O médico explica que, além da dor latejante, a pessoa com enxaqueca apresenta sensibilidade à luz e ao som, náuseas, tontura e piora no sono, na atenção e na memória. A doença também tem influência genética e hormonal. “A doença é genética e existe também uma questão hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres”, afirma.

O ambiente também interfere no aparecimento das crises. “Ambientes com luzes fortes, música alta, cheiros intensos e barulho excessivo podem funcionar como gatilhos. Dormir mais tarde, ter noites mal dormidas e reduzir a ingestão de água também aumentam consideravelmente o risco de crises”, explica o neurologista.

Gatilhos além do BBB 26

Os gatilhos da enxaqueca não se restringem ao confinamento do BBB 26. Eles também podem aparecer na alimentação. “O consumo de bebidas alcoólicas, por exemplo, é um dos principais fatores associados ao aumento das crises. Além disso, alimentos que contêm estimulantes alimentares, como cafeína e chocolate, presentes em doces tradicionais como chocotone, panetone e sobremesas, também podem contribuir para a piora das crises”, afirma o Dr. Tiago.

Ele ainda faz um alerta importante: “Aliás, é importante deixar claro que a cafeína, presente no café, no chocolate e em alguns chás, é um cronificador da doença e não um gatilho. Fatores cronificadores ampliam essa reatividade, modificando circuitos cerebrais relacionados à dor e dificultando o retorno ao padrão normal”.

No verão brasileiro, calor intenso, exposição solar e desidratação reforçam o risco de crise.

Tratamento e controle: o que funciona?

Entender que os gatilhos não causam a enxaqueca, mas aumentam a probabilidade de crise, é essencial. Segundo o neurologista, o controle adequado da doença reduz a influência desses fatores. “Por isso, quanto melhor está o tratamento e o controle da enxaqueca, menos relevantes esses gatilhos se tornam. O objetivo do tratamento é permitir que a pessoa viva normalmente, sem precisar ter medo. Quando a enxaqueca está bem tratada, o paciente ganha liberdade e qualidade de vida”, afirma.

O médico reforça que apenas evitar gatilhos não é suficiente. “Muitos pacientes ainda convivem com a doença sem tratamento adequado e acabam apenas evitando gatilhos, o que não é o ideal. Essa estratégia pode até reduzir crises pontuais, mas mantém a pessoa refém de restrições e limitações no dia a dia. O ideal não é viver fugindo dos gatilhos, e sim tratar a enxaqueca de forma correta, para poder aproveitar momentos sociais sem dor”, diz.

Atualmente, o tratamento combina toxina botulínica e medicamentos específicos. Entre eles estão anticonvulsivantes, betabloqueadores e os monoclonais Anti-CGRP, desenvolvidos exclusivamente para enxaqueca. Eles bloqueiam o CGRP, substância ligada à inflamação e à dor.

Em casos crônicos, a combinação de toxina botulínica com anti-CGRPs tem mostrado melhores resultados. A toxina botulínica é aplicada em pontos nervosos específicos para reduzir a hiperexcitabilidade modulando receptores cerebrais da periferia do sistema nervoso central para região do encéfalo, ajudando, assim, no controle da enxaqueca, explica o especialista. “Mas o mais importante é buscar um médico especialista para que o tratamento seja conduzido da melhor maneira”, finaliza.

Fonte

DR. TIAGO DE PAULA: Médico neurologista especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC). Pesquisador, palestrante e autor de publicações científicas. CRMSP 168999 | RQE 18111 | Instagram: @drtiagodepaula

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Yasmin Lima é jornalista formada pela Universidade Paulista e graduanda em Marketing pelo MBA da USP. Tem experiência em redação, redes sociais e análise de dados, tendo atuado em empresas do grupo UOL e em contas do Governo e da Prefeitura de São Paulo. Apaixonada por comunicação digital, tem interesse especial em temas de entretenimento, política e esporte