Bem-estar e Saúde / Tratamento oncológico

Roseana Sarney trata câncer de mama e enfrenta reação que muitas pacientes ignoram; médico explica

Em quimioterapia, deputada Roseana Sarney relata sintoma pouco discutido durante o tratamento; especialista explica por que a reação não deve ser ignorada

Roseana Sarney - Foto: Reprodução / Instagram @roseanasarney
Roseana Sarney - Foto: Reprodução / Instagram @roseanasarney

A deputada federal Roseana Sarney, de 72 anos, enfrenta um câncer de mama, doença que segue entre as que mais atingem mulheres no Brasil e no mundo, exigindo tratamentos longos, invasivos e cheios de desafios físicos. Diagnosticada em agosto deste ano, a parlamentar está em quimioterapia e, como muitas pacientes oncológicas, passou a lidar com efeitos colaterais que vão além do impacto emocional do diagnóstico, interferindo diretamente na qualidade de vida durante o processo de cura.

Ao longo do tratamento, Roseana compartilhou com o público uma experiência pouco comentada fora dos consultórios médicos: uma coceira intensa e persistente, que já dura semanas e afeta diferentes partes do corpo. O relato chamou atenção por trazer à tona um sintoma comum entre mulheres em tratamento contra o câncer de mama, mas que costuma ser subestimado ou encarado como algo secundário diante da gravidade da doença.

Em sua fala, a deputada destacou o apoio que tem recebido, mas também descreveu com franqueza o desconforto provocado pelo efeito colateral, revelando como ele se manifesta no dia a dia.

“Em primeiro lugar, eu quero agradecer todas as mensagens que tenho recebido. São muitas mensagens, mas isso me dá um conforto que vocês não imaginam. Mas, nesta semana, estou na terceira semana de alergia, muita alergia. Nunca imaginei, na vida, que uma coceira incomodasse tanto. Perna, braço, mão… realmente incomoda“, relatou.

A experiência de Roseana ajuda a ampliar o debate sobre os impactos reais do tratamento oncológico, especialmente em uma doença que afeta tantas mulheres. Para entender por que esse tipo de sintoma acontece e como ele deve ser tratado, a CARAS Brasil ouviu o oncologista, mastologista e cirurgião oncológico Dr. Wesley Pereira Andrade.

Por que a coceira é comum no tratamento do câncer de mama

Segundo o especialista, o sintoma descrito pela deputada está entre os efeitos colaterais mais observados durante a quimioterapia e também em terapias mais modernas, como a imunoterapia. Embora nem sempre seja grave, pode se tornar extremamente incômodo quando persiste por semanas.

“A coceira (prurido) é um sintoma relativamente comum entre mulheres em tratamento para o câncer de mama, podendo aparecer tanto durante a quimioterapia quanto com o uso de imunoterapia. Embora, muitas vezes, seja leve, pode causar desconforto importante e afetar a qualidade de vida, sendo essencial compreender suas causas e formas de alívio”, diz.

O médico explica que a quimioterapia age destruindo as células tumorais, mas não consegue poupar totalmente as células saudáveis. A pele e as mucosas acabam sendo diretamente afetadas, o que favorece alterações cutâneas perceptíveis.

Esse processo pode provocar ressecamento, descamação, sensibilidade aumentada e irritação, criando um cenário propício para o surgimento da coceira persistente, especialmente em pacientes que já apresentam pele mais sensível.

“Alguns medicamentos, como os taxanos (paclitaxel e docetaxel), podem causar reações alérgicas leves, com vermelhidão, ardor e prurido logo após a infusão. Além disso, o uso simultâneo de outros remédios, como antibióticos e analgésicos, pode contribuir para o surgimento da coceira”, alerta.

De acordo com o oncologista, ignorar o sintoma ou tentar suportá-lo sem orientação não é o caminho ideal, já que o desconforto pode se intensificar e comprometer o bem-estar físico e emocional da paciente ao longo do tratamento.

O papel da imunoterapia e os cuidados diários com a pele

O Dr. Wesley Pereira Andrade também chama atenção para a imunoterapia, considerada um avanço importante no tratamento do câncer de mama, especialmente em casos específicos, como o tipo triplo-negativo. Medicamentos como o pembrolizumabe atuam estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas, mas essa ativação pode ter efeitos colaterais.

“Essa ativação pode levar a reações chamadas de eventos adversos imunomediados, quando o sistema de defesa também ataca tecidos saudáveis. A pele é um dos órgãos mais afetados, podendo surgir coceira, vermelhidão, manchas descamativas ou urticária”, afirma.

Na maioria dos casos, segundo o especialista, essas reações são leves e controláveis, mas exigem acompanhamento médico para evitar que evoluam. Além disso, alguns cuidados simples no dia a dia fazem diferença para aliviar o desconforto.

Entre as orientações estão hidratar a pele diariamente com cremes neutros e sem fragrância, evitar banhos muito quentes, substituir sabonetes agressivos por versões suaves, usar roupas leves e de algodão e manter uma boa ingestão de líquidos ao longo do dia.

Quando essas medidas não são suficientes e a coceira se intensifica, o tratamento pode incluir medicamentos específicos, sempre com orientação profissional.

“Em caso de piora, em geral, indicam-se medicamentos anti-histamínicos ou cremes com corticoide leve”, complementa.

Ao compartilhar sua experiência, Roseana Sarney acaba dando visibilidade a um aspecto do tratamento oncológico que atinge muitas mulheres, reforçando a importância de informação, acompanhamento médico e atenção aos sinais do corpo durante a luta contra a doença.

Dr. Wesley Pereira Andrade O oncologista é MD, Ph.D., mestre e doutor em Oncologia, além de mastologista e cirurgião oncologista. Dr. Wesley Pereira Andrade é médico titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. Médico - CRM-SP - 122593 RQE 27534 RQE 27535