TV / MULTISHOW

Luis Lobianco revisita Vai Que Cola ao falar de Paulo Gustavo em fase decisiva: ‘Chorar por esse amigo’

Luis Lobianco comenta bastidores de Vai Que Cola em entrevista à CARAS Brasil e reflete sobre o legado de Paulo Gustavo.

Luis Lobianco
Reginel (Luis Lobianco) em Vai Que Cola - FOTO Juan Ribeiro/Divulgação Multishow

A 13ª e penúltima temporada de Vai Que Cola, intitulada O Méier Resiste, estreou no ano passado, em outubro, e marcou um momento simbólico para o humorístico do Multishow e do Globoplay. Em meio ao clima de despedida, personagens ganharam mais protagonismo, entre eles Reginel, vivido por Luis Lobianco (43), que passou a assumir funções além das entregas de cartas na pensão mais famosa do Méier.

Ao longo dos episódios, o crescimento do personagem acompanha a própria trajetória do ator dentro da série, que se tornou um dos pilares do elenco ao longo dos anos. Em entrevista à CARAS Brasil, Lobianco relembra como a evolução de Reginel aconteceu de forma orgânica, acompanhando a convivência afetiva entre os personagens e os bastidores do programa.

“Foi natural porque sempre gravei o Vai que Cola entre amigos e com muito prazer. Eu estreei no programa em 2014 para uma participação pontual. Quando vi o personagem já tinha criado laços na pensão. Mesmo com outros compromissos, todo ano deixo espaço garantido na agenda pro Vai que Cola”, explica.

Da TV por assinatura à intimidade com o público

Com mais de uma década no ar, Vai Que Cola ultrapassou as fronteiras da TV por assinatura e ganhou ainda mais alcance ao chegar à televisão aberta. A mudança ampliou a popularidade da série e reforçou a identificação do público com os personagens, que passaram a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros por meio de exibições frequentes e reprises constantes.

Luis Lobianco avalia que esse aumento de visibilidade também trouxe uma responsabilidade maior na forma de viver Reginel, já que o personagem passou a ser reconhecido como alguém íntimo do público, quase um velho conhecido.

“É um programa muito popular desde a sua estreia. Além disso tem gerações que cresceram assistindo a gente. Eu sinto que muita gente tem intimidade com o Reginel e respeito isso. São muitos episódios e reprises entrando diariamente na casa das pessoas há 13 anos”, diz.

Luís Lobianco
Luís Lobianco – FOTO: Fabrizia Granatieri/Multishow

Humor atravessado pelo luto e pela amizade 

Mesmo consolidado como um dos maiores sucessos do humor nacional, Vai Que Cola também precisou enfrentar momentos delicados fora de cena. A perda de Paulo Gustavo (1978-2021),presença fundamental no elenco, marcou profundamente os bastidores da produção e transformou a dinâmica emocional entre os atores, especialmente durante o período da pandemia.

Para Luis Lobianco, a impossibilidade de se despedir presencialmente do amigo tornou o processo ainda mais doloroso, mas também fortaleceu o compromisso coletivo de seguir levando alegria ao público.

“Acho que foi um dos maiores desafios da minha vida. Estávamos atravessando a pandemia da Covid e por algum tempo, não deu pra gente se ver, abraçar e chorar por esse amigo. Ainda é muito estranho pensar que ele não está mais aqui. Mas também isso reforçou a nossa missão de levar alegria às pessoas e inspirar o valor da amizade”, afirma.

Paulo Gustavo e Luis Lobainco
Paulo Gustavo e Luis Lobainco – FOTO: Reprodução/Instagram

Construção de personagem além da piada

Embora Reginel seja visto como uma figura leve, acessível e bem-humorada, o ator destaca que o maior desafio sempre foi construir um personagem com verdade e profundidade dentro de um programa cômico. Para Lobianco, o riso vem das situações e das relações, não apenas das piadas.

O ator ressalta que sua prioridade sempre foi pensar na trajetória de Reginel, permitindo que o humor surgisse de forma natural ao longo das histórias.

“Fazer humor não é fácil. Se estamos num programa cômico, a primeira expectativa do público é que ele faça rir. Mas gosto de pensar primeiro na construção do personagem do que nas piadas. As situações cômicas me interessam mais que tudo”, complementa.

O Méier como símbolo de resistência

Na 13ª temporada, a ameaça da especulação imobiliária funciona como pano de fundo para discutir pertencimento e identidade. Reginel, ao se infiltrar na construtora por meio de seus contatos nos Correios, representa a resistência cotidiana de quem conhece profundamente o bairro e se recusa a vê-lo descaracterizado.

Luis Lobianco vê o Méier como um personagem à parte dentro da série, carregado de códigos próprios, memória afetiva e orgulho suburbano.

“O Méier é um bairro muito tradicional da Zona Norte do Rio de Janeiro. Tem seus próprios códigos, comércio forte e é também muito residencial. Existe até o seu bordão próprio “Quem é do Méier não Bobéier”. Acho que de um jeito leve e com muito bom humor estamos falando de especulação imobiliária. Algo que descaracteriza e satura lugares especiais”, finaliza.

A SEGUIR, CONFIRA TRECHOS EDITADOS DA ENTREVISTA DE LUÍS LOBIANCO À CARAS BRASIL.

No humorístico “Vai Que Cola”, você interpreta o carteiro Reginel, que aos poucos assume outras funções (como citado no anúncio da 13ª temporada). Como foi para você explorar esse “crescimento” do personagem dentro da pensão do Méier?

– Foi natural porque sempre gravei o Vai que Cola entre amigos e com muito prazer. Eu estreei no programa em 2014 para uma participação pontual. Quando vi o personagem já tinha criado laços na pensão. Mesmo com outros compromissos, todo ano deixo espaço garantido na agenda pro Vai que Cola.

Em matéria você comentou que “o público do Multishow já era gigante e quando a série vai pra TV aberta… meu dia está mais movimentado, mais gente me olhando”. Como esse “aumento de visibilidade” afetou sua forma de trabalhar ou de viver o personagem Reginel?

– É um programa muito popular desde a sua estreia. Além disso tem gerações que cresceram assistindo a gente. Eu sinto que muita gente tem intimidade com o Reginel e respeito isso. São muitos episódios e reprises entrando diariamente na casa das pessoas há 13 anos.

A série passou por momentos de peso emocional, por exemplo, a perda de Paulo Gustavo, que era presença fundamental no elenco. Você disse que a gravação virou “momento que a gente passa por isso juntos”. Como foi lidar com esse luto dentro de um programa de humor?

– Acho que foi um dos maiores desafios da minha vida. Estávamos atravessando a pandemia da Covid e por algum tempo, não deu pra gente se ver, abraçar e chorar por esse amigo. Ainda é muito estranho pensar que ele não está mais aqui. Mas também isso reforçou a nossa missão de levar alegria às pessoas e inspirar o valor da amizade.

Reginel é descrito como “uma figura muito fácil de lidar… começa como carteiro, é amigo de todo mundo, muito foqueiro” você disse. Qual foi o maior desafio para dar cor e profundidade a esse personagem aparentemente leve?

– Fazer humor não é fácil. Se estamos num programa cômico, a primeira expectativa do público é que ele faça rir. Mas gosto de pensar primeiro na construção do personagem do que nas piadas. As situações cômicas me interessam mais que tudo.

Para esta nova temporada (a 13ª) de “Vai Que Cola”, o enredo inclui a pensão que enfrenta obras, dívidas e até uma construtora querendo transformar o bairro. No anúncio, Reginel entra espionando a construtora pelos Correios. Como você enxerga a “resistência” do Méier – e de Reginel – dentro desse contexto de ocupação, mudança de bairro e humor?

– O Méier é um bairro muito tradicional da Zona Norte do Rio de Janeiro. Tem seus próprios códigos, comércio forte e é também muito residencial. Existe até o seu bordão próprio “Quem é do Méier não Bobéier”. Acho que de um jeito leve e com muito bom humor estamos falando de especulação imobiliária. Algo que descaracteriza e satura lugares especiais.

CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DO ATOR LUIS LOBIANCO NAS REDES SOCIAIS:

Paulo Henrique Lima é repórter de pautas especiais do Grupo Perfil. Tem passagens por diversos veículos de comunicação na web. É apaixonado por entretenimento e realities.