Em edição passada do BBB, Yasmin Brunet acendeu alerta sobre doença que atinge muitas mulheres

Ex-BBB Yasmin Brunet tornou público diagnóstico pouco conhecido, frequentemente confundido com obesidade ou estética, aponta especialista

Em edição passada do BBB, Yasmin Brunet acendeu alerta sobre doença que atinge muitas mulheres, aponta especialista - Reprodução: Instagram

A modelo e influenciadora Yasmin Brunet, de 37 anos, tornou-se um dos rostos mais visíveis do debate sobre lipedema, uma condição crônica que afeta predominantemente mulheres. Às vésperas da estreia da nova temporada do Big Brother Brasil, marcada para o dia 12, a experiência vivida pela influenciadora no BBB 24 volta a ganhar relevância ao reacender o alerta sobre uma doença ainda pouco conhecida, e frequentemente confundida com questões estéticas.

Yasmin relatou que só recebeu o diagnóstico de lipedema depois de sair do BBB, quando percebeu que o que ela sempre acreditou ser retenção de líquido ou flutuações normais no corpo tinha outra explicação médica. Durante o reality, ela chegou a sofrer com intensa dor, inchaço e desconforto nas pernas, ao ponto de pedir medicamentos à produção e se sentir constrangida com a própria aparência.

Segundo a ex-BBB, “fazia muita massagem, que doía demais, me deixava roxa”, e ela nem imaginava que poderia ser uma condição médica específica — um relato que muitos especialistas destacaram como representativo das experiências de mulheres com lipedema antes do diagnóstico correto.

Mudança de estilo de vida de Yasmin Brunet e resultados

Após o diagnóstico, a modelo passou por um processo de mudanças de hábitos alimentares e de atividade física, com foco em reduzir inflamação e melhorar a resposta do organismo. Em entrevistas e nas redes sociais, ela afirmou que conseguiu perder cerca de 14 kg a 20 kg sem cirurgia, apenas com disciplina de treino e adoção de uma alimentação voltada à saúde e ao controle de inflamação.

Nas redes, Yasmin compartilhou: “Olha esse antes e depois, estou muito chocada!… não é só a largura, é a qualidade da pele”, destacando que a transformação foi mais profunda do que uma simples perda de peso estética.

O que é o lipedema e por que ele vai além da estética

Segundo a cirurgiã plástica Dra. Paula Furtado, o lipedema não deve ser tratado como uma questão estética. “O lipedema é uma condição crônica com um componente inflamatório importante. Esse tecido adiposo doente inflama, retém líquido e comprime estruturas locais. Por isso a paciente sente dor ao toque, sensibilidade exagerada, sensação de peso nas pernas e cansaço. Não é uma gordura ‘normal’, é uma gordura que dói”, explicou.

A doença atinge majoritariamente mulheres e costuma se manifestar nas pernas e quadris, criando uma desproporção corporal que muitas vezes leva a diagnósticos equivocados. O lipedema é frequentemente confundido com obesidade, retenção de líquido, celulite ou problemas de circulação, justamente porque causa acúmulo anormal de gordura nas pernas e, em alguns casos, nos braços, dificultando o reconhecimento como uma condição à parte.  Yasmin disse que se preocupava em se tapar no reality por vergonha de como seu corpo aparecia, e que a exposição pública acabou sendo, ao mesmo tempo, desconfortável e libertadora: foi como “arrancar um curativo de algo que tentei esconder por tanto tempo”.

Lipedema ou obesidade?

De acordo com a médica, a aparência visual do lipedema contribui para o erro de interpretação. “Porque, visualmente, o corpo fica desproporcional. A parte superior pode ser magra e as pernas volumosas. Para quem não conhece a doença, parece obesidade localizada ou, depois do tratamento, parece emagrecimento excessivo”, disse a especialista.

No caso de figuras públicas como Yasmin Brunet, essa confusão se torna ainda mais cruel. Comentários sobre peso, dieta e aparência acabam ignorando completamente a existência de uma condição médica.

Tratamento, mudança corporal e julgamentos externos

Após iniciar o tratamento, muitas pacientes enfrentam uma nova onda de críticas: a da mudança abrupta no corpo. “Quando tratamos o lipedema, reduzimos inflamação, retenção de líquido e o volume da gordura doente. Isso muda muito o contorno corporal. Para quem olha de fora, parece que a pessoa ‘secou demais’, mas, na verdade, é o corpo respondendo ao tratamento de uma condição médica”, relatou a Dra. Paula.

Esse foi um dos pontos que Yasmin também enfrentou publicamente após tornar o diagnóstico conhecido.

O impacto emocional de viver com lipedema

Para além da dor física, o sofrimento psicológico é profundo. “É muito pesado emocionalmente. Muitas pacientes passam anos sendo acusadas de exagero, descuido ou obsessão estética. Isso afeta autoestima, gera culpa, ansiedade e sofrimento psicológico”, afirmou a médica.

Ela destaca que, quando a paciente é uma pessoa pública, como no caso de Yasmin, o impacto se multiplica. “Quando existe exposição nas redes sociais, esse julgamento se amplia e machuca ainda mais”, acrescentou.

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Médica formada pela Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas). Cirurgiã Geral pela Fundação Hospitalar de Minas Gerais (FHEMIG). Cirurgiã Plástica pelo Hospital Belo Horizonte – Instituição Hospitalar da Faculdade de Ciências Médicas. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Especialista em Rinoplastia pela University of Illinois at Chicago (EUA) e em parte funcional e estética de rinoplastia pelo DAFPRS, com formações realizadas em Istambul (Turquia) e Stuttgart (Alemanha). Membro da International Society of Plastic & Aesthetic Surgery (ISAPS). Além da rinoplastia, atua também na área de estética facial, sempre com o propósito de proporcionar resultados naturais, respeitando a individualidade e a harmonia de cada paciente. CRMMG: 48885 | CRMSP: 188848 | RQE: 65708