Fernanda Montenegro, Tony Tornado e Susana Vieira desafiam o tempo aos 80+ em 2025; médica desvenda segredo

Saiba por que Fernanda Montenegro e Tony Tornado seguem no auge aos 80+ em 2025 e confira as dicas de especialista para envelhecer bem

Fernanda Montenegro, Tony Tornado e Susana Vieira - Foto: Instagram/Globo

Em 2025, um grupo de celebridades acima dos 80 anos segue contrariando expectativas, mantendo agendas intensas de trabalho, presença nas redes sociais e uma vitalidade que chama atenção do público. Os exemplos vão de Fernanda Montenegro (96), a Tony Tornado (95), passando por Ary Fontoura (92), Susana Vieira (83) e Laura Cardoso (98).

Esses nomes provam que envelhecer não significa parar e que propósito, saúde mental e escolhas conscientes fazem toda a diferença ao longo da vida.

Para entender o que está por trás dessa longevidade ativa, a CARAS Brasil conversou com a médica especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental, Dra. Roberta França, que analisou o comportamento desses artistas e explicou como o público pode se inspirar neles para viver mais e melhor.

Propósito diário e saúde do cérebro na terceira idade

Ao comentar sobre artistas que seguem trabalhando mesmo após os 80 anos, a especialista é direta ao apontar o impacto do propósito no envelhecimento cerebral.

“Todos esses atores famosos, já idosos, que a gente acompanha e que continuam trabalhando diariamente, como Ary Fontoura, que segue fazendo novela, um trabalho longo, com extensos períodos de falas para decorar e uma rotina que exige presença constante, movimento e energia, mostram o quanto ter um propósito diário de vida faz diferença.”

Segundo a médica, manter desejos e planos é essencial para a saúde mental: “Ter vontades, desejos e sonhos, querer fazer coisas diferentes, ajuda o cérebro a envelhecer de forma muito mais lenta e responsiva aos estímulos do que acontece com aquelas pessoas que passam a entender o envelhecimento como sinônimo de se aposentar da vida.”

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Ela resume: “A vida pede propósito, e quem o tem mantém a alma jovem, conserva a vontade de executar, realizar, fazer e, principalmente, acreditar que ainda existem muitas possibilidades.”

Genética ou estilo de vida: o que pesa mais na longevidade?

Quando o assunto é viver mais de 80 anos com autonomia, a genética costuma ser apontada como principal fator — mas a ciência mostra outro cenário.

“Os estudos mostram que, quando falamos em longevidade, ela está muito atrelada às escolhas conscientes que fazemos ao longo da vida. Hoje, apesar de entendermos que a genética é um fator importante, os estudos mostram que ela não é preponderante. Apenas 30% são fatores decididos pela genética. Os outros 70% estão atrelados ao estilo de vida, às escolhas conscientes que fazemos ao longo da vida.”

A médica lista hábitos fundamentais para um envelhecimento saudável.

“Uma alimentação saudável, atividade física regular, conexão astral, conexão com uma religiosidade, com uma espiritualidade, que é muito importante, o tempo de lazer e o tempo de sono: tudo isso são fatores que contribuem para que o envelhecimento seja muito melhor e mais bem-sucedido.”

Redes sociais, tecnologia e prevenção de doenças

A presença constante desses artistas nas redes sociais também chama atenção e tem impacto direto na saúde cerebral.

“É muito importante, à medida que a gente vai envelhecendo, que a gente saia daquele lugar que eu detesto quando os meus pacientes falam “da minha época”. Eu falo para eles: que época? A sua época é a época em que você está agora.”

Ela explica que aprender algo novo estimula o cérebro: “Quando eu aprendo novas habilidades, quando eu aprendo coisas novas, eu estou gerando neuroplasticidade. Estou fazendo com que meu cérebro se amplie, melhore a minha resposta neuronal e, inclusive, crie novas circuitarias neuronais.”

O resultado é claro: “E isso, obviamente, vai ajudar, e muito, a prevenir as doenças neurodegenerativas.”

O que podemos aprender com esses artistas longevos?

Para a médica, o ponto em comum entre esses famosos está na forma como eles enxergam a idade: “Eles fizeram escolhas conscientes de viver uma vida plena, com autonomia e prazer. A idade nunca foi, para eles, um fator limitante.”

Ela reforça que envelhecer é um privilégio: “Envelhecer é privilégio, é privilégio daqueles que continuam a sua jornada aqui neste plano. Quantos gostariam de estar aqui e não estão mais?”

E conclui: “Eles mostram todos os dias que agarraram essa oportunidade com unhas e dentes e continuam criando, construindo e, principalmente, sonhando.”

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Dra. Roberta França é médica geriatra e psiquiatra (CRM: 52744859), com 22 anos de formação pela Universidade Gama Filho. É pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Estácio de Sá e em Psiquiatria. Membro da Comissão de Direito da Pessoa Idosa (OAB/RJ), integra também a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica. Professora da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) e palestrante em temas voltados à medicina geriátrica e psiquiátrica, é idealizadora do projeto social Cantinho da Geriatria, que impacta mais de 250 mil pessoas com conteúdo diário para a terceira idade nas redes sociais. Coautora do livro Estratégia de Vencedores, foi condecorada com a Medalha Pedro Ernesto e homenageada com Moção Honrosa pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelos relevantes serviços prestados aos idosos. Em 2023, foi reconhecida como Medicina Destaque pela mesma instituição.