Bom Gosto chega aos 20 anos e resgata a essência do samba: ‘A gente quis que as pessoas sentissem’
Gravado em roda, no tradicional Restaurante Balbino, “O Samba Que Eu Vou” marca os 20 anos do Bom Gosto e aposta na memória afetiva, na fé e na força do samba para emocionar o público.

Com versos que falam diretamente ao coração, o Bom Gosto escolheu abrir seu novo trabalho com um recado que traduz a própria essência do grupo. “Tá nas mãos de Deus/ Pode acreditar/ Bota fé na vida/ Confia que vai clarear.” É assim que começa O Samba Que Eu Vou, álbum lançado na íntegra no YouTube nesta segunda-feira, 22 de dezembro, e que marca os 20 anos de carreira de uma das formações mais queridas e respeitadas do samba contemporâneo.
A frase que inaugura o disco não é apenas poética. Ela resume a caminhada do quinteto, construída com fé, resistência e a certeza de que o samba é mais do que música: é acolhimento, esperança e permanência. Ao longo de duas décadas, o Bom Gosto atravessou gerações, modas e transformações do mercado musical sem perder sua identidade, sempre com os pés fincados na roda e o olhar atento ao público.
Um retorno às origens que emocionam
Com mais de 900 milhões de streams acumulados nas plataformas digitais, o grupo chega ao décimo álbum de estúdio olhando para trás com orgulho e para frente com maturidade. Gravado no tradicional Restaurante Balbino, em Curicica, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o projeto resgata a atmosfera das rodas de samba que deram origem à banda, sem palco elevado, sem distância entre músicos e plateia.
“Esse álbum é uma homenagem aos nossos começos. É o Bom Gosto olhando nos olhos do público do mesmo jeito que olhava há vinte anos, num quintal, num terreiro, numa roda sincera”, define o grupo, ao explicar a escolha do local e do formato.
O clima intimista atravessa todo o repertório, que passeia entre músicas inéditas, regravações e pot-pourris que ajudam a contar essa história de forma afetiva e coletiva.
Encontros que reverenciam o legado do samba
O disco também ganha ainda mais força com participações que dialogam diretamente com a ancestralidade do gênero. Alcione divide os vocais no single Magoou, Abusou, enquanto Mosquito e Jorge André se unem em Luz do Repente / Ao Som do Fundo de Quintal, conectando diferentes gerações do samba. Zé Roberto participa do medley Nosso Fogo / Inigualável Paixão / Retrato Cantado De Um Amor, e Carlos Caetano surge em um pot-pourri com composições que marcaram época.
Mais do que um lançamento comemorativo, O Samba Que Eu Vou se apresenta como um gesto de gratidão. “A gente quis que as pessoas sentissem o calor do ambiente, o barulho dos copos, os sorrisos em volta da mesa. Porque o samba vive disso: de partilha”, completa o grupo à CARAS Brasil.
Celebrando 20 anos de estrada, o Bom Gosto entrega um trabalho que honra o passado, vibra o presente e reafirma seu lugar como um dos nomes mais consistentes e afetivos do samba brasileiro.