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Médico faz alerta para diagnóstico investigado por Bruna Marquezine: ‘Histórico de frustrações’

Recentemente, Bruna Marquezine afirmou que já realizou alguns exames para descobrir diagnóstico de transtorno neurológico; entenda

Médico faz alerta para diagnóstico investigado por Bruna Marquezine: 'Histórico de frustrações'
Bruna Marquezine - Reprodução/Instagram

Recentemente, durante uma participação no programa Angélica Ao Vivo, da GNT, Bruna Marquezine relatou que já realizou avaliações para entender se tem TDAH ou TEA. Isso porque, segundo a atriz, ela enfrenta dificuldades em lidar com mensagens e notificações.

Para saber um pouco mais sobre os diagnósticos que Bruna buscou entender, a CARAS Brasil conversou com o médico neurologista Dr. Matheus Trilico, que esclareceu sobre a descoberta do transtorno neurológico durante a fase adulta.

“Antigamente, acreditava-se que essas eram condições exclusivas da infância. Se a criança não era hiperativa ou não tinha atrasos graves na fala, o diagnóstico passava despercebido. Hoje, com o avanço da neurociência, entendemos que existem apresentações mais sutis”.

O Dr. disse que muitos adultos conseguiram “compensar” suas dificuldades ao longo da vida com inteligência ou estratégias adaptativas, até que as demandas da vida adulta (trabalho, casamento, filhos) excedem essa capacidade de compensação, levando ao colapso e a busca por ajuda.

Principais sinais

“Diferente da criança que corre pela sala, o adulto com TDAH muitas vezes tem uma hiperatividade mental. Os sinais que costumam ser ignorados incluem: procrastinação crônica (deixar tudo para a última hora), dificuldade em priorizar tarefas, sensação constante de inquietude interna, interrupção frequente da fala dos outros e instabilidade emocional”.

O especialista contou que é comum que sejam rotulados apenas como “desorganizados” ou “preguiçosos”, quando, na verdade, há uma disfunção executiva neurológica por trás.

Já no caso do autismo (TEA), no nível 1 de suporte (antigamente chamado de Asperger), os sinais podem ser discretos. “Na vida adulta, isso se manifesta frequentemente como uma exaustão social desproporcional após interações, dificuldade em entender nuances, ironias ou “entrelinhas” nas conversas, e uma necessidade rígida de rotina”.

Segundo o médico, outro ponto comum é o hiperfoco em interesses específicos e alterações sensoriais, como incômodo extremo com certos barulhos, luzes ou texturas de roupas, que a pessoa aprendeu a tolerar, mas que geram grande sofrimento interno.

Em mulheres

Perguntamos ao Dr. Matheus por que o diagnóstico de TDAH e autismo costuma ser mais tardio em mulheres. Segundo ele, existe um viés histórico nos critérios diagnósticos, que foram baseados majoritariamente em estudos com meninos. As mulheres tendem a apresentar sintomas mais internalizados.

“No TDAH, elas costumam ser mais desatentas do que hiperativas. No autismo, elas geralmente têm maior habilidade de imitação social, esforçando-se mais para se adequar às expectativas de comportamento. Esse esforço para “parecer normal” mascara os sintomas, fazendo com que muitas recebam diagnósticos errados de ansiedade ou depressão antes de chegarem à raiz neurodivergente”.

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Avaliação

Sobre a avaliação para descobrir o diagnóstico, o médico explicou que ele é eminentemente clínico.

“Não existe um exame de sangue ou de imagem (como ressonância) que detecte TDAH ou autismo. O processo envolve uma anamnese detalhada, onde reconstruímos a história de vida do paciente desde a infância. Utilizamos escalas padronizadas e, frequentemente, solicitamos avaliações neuropsicológicas para mapear o funcionamento cognitivo”.

O objetivo é identificar padrões persistentes que causam prejuízo funcional e sofrimento, descartando outras condições que possam simular os sintomas.

Momento certo para procurar um neurologista

“O momento certo é quando você percebe que, apesar de todo o seu esforço, as coisas não fluem como deveriam e isso gera sofrimento ou prejuízo. Se você sente que suas dificuldades de atenção, organização ou interação social estão atrapalhando seu trabalho, seus estudos ou seus relacionamentos, ou se você tem uma sensação persistente de ser “diferente” e exausto mentalmente, vale a pena buscar uma avaliação especializada”.

Para o médico, o diagnóstico não é um rótulo para limitar, mas uma chave para libertar e melhorar a qualidade de vida.

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Dr. Matheus Luis Castelan Trilico é médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR e tem pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista. Referência em Autismo e TDAH em adultos. CRM 35805PR I RQE 24818.