Após relato de Zoo sobre cirurgia íntima, médico faz alerta: ‘O maior risco’

Influenciadora Zoo abriu o jogo sobre a própria experiência, e especialista explica por que procedientos vão muito além da aparência

Zoo -Reprodução Instagram

As cirurgias íntimas femininas voltaram ao centro do debate após Zoo, esposa de Christian Figueiredo, falar publicamente sobre a cirurgia que realizou em julho e defender que informação é uma forma de liberdade. Ao relatar sua experiência, ela chamou atenção para um tema que ainda enfrenta preconceito, mas que envolve saúde, funcionalidade e qualidade de vida.

“Cirurgias íntimas ainda são um tabu, mas informação é liberdade. Compartilho minha experiência sobre o que fiz, para que outras mulheres possam compreender seus corpos, suas opções e seus direitos. Autoconhecimento também é autocuidado”, escreveu Zoo nas redes sociais. Em outro trecho, ela destacou que “não se trata apenas de cirurgias estéticas, são procedimentos funcionais que podem devolver conforto, sensibilidade e bem-estar. Saúde íntima também é saúde integral”.

Cirurgia íntima não segue padrão e nem sempre é apenas estética

De acordo com o ginecologista Dr. Igor Padovesi, a ninfoplastia e a correção do capuz clitoriano não têm uma indicação médica clássica, mas também não devem ser vistas como futilidade. “No caso da ninfoplastia, que quase sempre inclui a correção do capuz do clitóris, não é uma cirurgia que tenha uma indicação médica definida, entra no grupo de cirurgias e procedimentos como se fossem ‘plásticos’, que têm indicação daquilo que a mulher quer corrigir”, explicou o médico.

Segundo ele, é fundamental entender que não existe um modelo único de anatomia feminina. “É importante sempre enfatizar que não existe padrão normal. A vulva tem anatomia que pode variar bastante”, afirmou.

Desconforto físico

Apesar de muitas vezes serem rotuladas como cirurgias estéticas, esses procedimentos frequentemente respondem a queixas funcionais. “Muitas mulheres têm excesso de pele nos lábios internos e isso incomoda e constrange. Então não é só uma questão estética, tem um componente que é muito funcional, que é de desconforto físico mesmo”, disse o ginecologista.

O especialista detalhou situações comuns no consultório. “Os lábios pegam na roupa, marcam o biquíni, normalmente elas reclamam que calcinha de renda incomoda, às vezes machuca o lábio, quando usa alguma calça jeans mais apertada, roupa de academia”, relatou.

Segundo ele, a decisão de operar parte da mulher. “O que tem indicação de operar é tudo que incomoda ou constrange a mulher e que ela quer resolver, quer melhorar o aspecto”, afirmou.

O impacto das cirurgias íntimas vai além do corpo. Segundo o Dr. Igor Padovesi, há benefícios comprovados na saúde emocional. “É a melhora da autoestima, do bem-estar, da qualidade de vida e faz a mulher ter uma relação mais positiva com o corpo”, disse o médico, destacando que estudos científicos sustentam essa relação.

O maior risco não é a cirurgia

Com o aumento da procura, o especialista faz um alerta importante. “O maior risco é de ter uma cirurgia mal feita e um resultado insatisfatório, que pode não ser possível corrigir depois”, afirmou.

Ele explicou que o procedimento costuma ser subestimado na formação médica. “É uma cirurgia que é subestimada durante a formação médica, tanto do ginecologista quanto do cirurgião plástico”, disse.

Segundo o médico, há uma falsa ideia de simplicidade. “É um procedimento que se trata como algo simples e menor, que é só cortar os lábios e dar alguns pontos, mas não é assim”, alertou.

Retirada excessiva pode causar danos irreversíveis

Entre as complicações mais graves está a retirada exagerada de tecido. “Quando se retirou o lábio em excesso, que é a chamada amputação dos pequenos lábios. A correção é complexa, é difícil. Em alguns casos, pode não ser possível”, explicou.

Já outros problemas são raros. “O risco de infecção é muito pequeno, baixíssimo, usando o protocolo adequado”, disse o ginecologista. Para ele, na maioria dos casos, “é uma cirurgia que essencialmente não complica, basicamente o que pode acontecer é ter um resultado insatisfatório”.

Avaliação clínica e alinhamento de expectativas são essenciais

Antes da cirurgia, o preparo envolve uma avaliação clínica detalhada. “É sempre necessário fazer uma avaliação da mulher, ver se ela tem algum histórico de saúde relevante”, explicou o médico.

Como o procedimento é feito com anestesia local, não há necessidade de avaliação anestésica tradicional. “A cirurgia é feita sob anestesia local, então equivale à anestesia que é feita quando vai a um dentista”, disse.

Ele também alerta para a importância de investigar histórico de herpes genital. “Se ela já teve herpes genital, mesmo que no passado, tem a recomendação de usar um medicamento antiviral”, afirmou.

Recuperação costuma ser rápida

O pós-operatório, segundo o Dr. Igor Padovesi, tende a ser tranquilo. “O pós-operatório, de modo geral, é bem tranquilo”, disse.

Ele explicou que o desconforto é maior nos primeiros dias. “Os primeiros dois a três dias são um pouco mais incômodos, mas é bem compatível com as atividades habituais”, afirmou.

A principal restrição é sexual. “Relação sexual é a maior restrição, de no mínimo 30 a 40 dias”, disse. Já atividades físicas costumam ser retomadas gradualmente. “Depois de aproximadamente uma semana a 10 dias, que pode voltar já as atividades físicas normalmente”, explicou.

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Dr. Igor Padovesi (CRM 134933) é médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. Instagram: @dr.igorpadovesi