Cristiane Amorim brilha em Êta Mundo Melhor! e abre o jogo sobre xenofobia: ‘O riso é resistência’
Intérprete da vidente Carmen em Êta Mundo Melhor!, Cristiane Amorim celebra mais de 30 anos de estrada e reflete sobre a luta contra o preconceito com o sotaque nordestino
Quem vê Cristiane Amorim arrancando gargalhadas do público como a trambiqueira Carmen, em Êta Mundo Melhor!, mal imagina a batalha diária travada nos bastidores para manter sua essência e seu espaço. Com mais de três décadas de estrada, a atriz baiana conversou com a CARAS Brasil e não fugiu de temas espinhosos: da “romantização” do sucesso à pressão estética e xenofóbica da indústria.
Nascida em Amargosa, no interior da Bahia, Cristiane traça um paralelo comovente entre sua vida e a de suas personagens – muitas delas, mulheres migrantes em busca de sobrevivência no eixo Rio-São Paulo.
A realidade sem filtros
Apesar de acumular papéis em novelas vencedoras do Emmy Internacional, como Joia Rara e Órfãos da Terra, Cristiane rejeita o rótulo de que sua carreira está em um “ápice” de conforto. Com uma honestidade rara no meio artístico, ela desmistifica o conceito de estabilidade.
“A palavra deslanchar para mim chega num outro lugar, no outro patamar de sucesso, onde tem uma vida mais estável. E eu não me vejo assim, eu me vejo ralando. Eu me vejo ainda depois, mesmo com 34 anos de carreira, às vezes sem trabalho, com a cabeça quente: ‘e agora o que é que eu vou fazer?'”, desabafa a atriz.
Ela reforça que o termo “desempregado” é substituído por um eufemismo na classe artística, mas a angústia é real: “A gente usa ‘eu vou oferecer os meus serviços’. Então, eu ainda ando oferecendo os meus serviços. (…) Eu ainda ralo muito.”
Crítica à ‘ditadura dos seguidores’
Além da instabilidade financeira, Cristiane aponta uma crise de valores na escalação de elencos atuais, onde a popularidade digital muitas vezes atropela a formação técnica.
“O futuro que eu gostaria de ver é onde o valor do ator, do artista, estivesse no seu currículo, nos trabalhos relevantes que ele fez, e não no número de seguidores, por exemplo, que é uma coisa que estamos vivendo neste momento e que há aí uma inversão de valores.”
Xenofobia dentro da arte
Um dos pontos mais fortes da conversa foi o relato sobre a xenofobia velada que enfrentou ao chegar ao Rio de Janeiro, há 20 anos. Cristiane relembrou que, diferentemente de colegas de outras capitais, a cobrança para “neutralizar” a fala sempre recaiu sobre os nordestinos.
“O que eu mais ouvia era: ‘vai ter que tirar o sotaque, vai ter que suavizar’. Isso é muito preconceituoso. (…) Eu conheci atores de Curitiba, de Brasília, e esse pedido não era feito para eles.”
Ela cita a ex-BBB Juliette como um exemplo contemporâneo de resistência e reforça sua postura política em cena: “A minha militância é essa, é continuar trabalhando com o meu sotaque. O Brasil é plural, altamente miscigenado. E não vejo por que tenho que tirar o meu sotaque no meu dia a dia.”
O sonho da protagonista fora do estereótipo
Embora seja grata por suas personagens cômicas e populares, Cristiane sonha em ocupar espaços de dramaturgia que fujam do óbvio. Ela deseja ver o nordestino representado em posições de poder e prestígio, longe da visão limitada do mercado.
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“Tenho um sonho de fazer uma protagonista nordestina. Acho que a gente precisa realmente combater esse estereótipo que o nordestino tem, ocupações mais subalternas. Busco por isso, sabe? Quebrar um pouco essa imagem do nordestino só como trabalhador braçal.”
Risadas proibidas e química instantânea
No ar no núcleo da ‘Casa dos Anjos’, a atriz celebra a parceria com Heloísa Périssé e a recém-conhecida Evelyn Castro, com quem desenvolveu uma química instantânea de improviso e diversão.
“Vários momentos a gente já não está olhando no olho para não cair na gargalhada, para não desconcentrar”, conta ela, empolgada também por trabalhar com ídolos de infância como Ary Fontoura. “É a realização de um sonho mesmo.”
O riso que cura
Ao final, emocionada, a artista revelou que seu maior desejo é ser lembrada como alguém que levou alegria, citando o impacto de sua personagem Santinha (Órfãos da Terra) na vida de uma fã em um hospital.
“O riso cura, ele salva, ele transforma. Como dizia Paulo Gustavo, rir é um ato de resistência. Então, se eu for lembrada como uma pessoa que leva essa alegria (…) é isso que vai ficar, é isso que importa.”
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CARAS Brasil – Cristiane, você já deu vida a personagens hilárias e agora interpreta a Carmen, uma vidente cheia de mistério. Qual delas mais se parece com você na vida real?
Cristiane Amorim: Eu faria um paralelo, eu traçaria aí um link entre a vida de Zefinha, de Joia Rara, com a minha própria história. Eu acho que existe algo em comum aí. Zefinha era uma nordestina, que foi para o Rio de Janeiro em busca de um bom emprego, como ela mesma dizia. Só que Zefinha não teve estudo e, nesse caso, era uma busca por melhores condições de vida, por sobrevivência mesmo. A história da novela se passou em 1930, 1940, e nessa época o Brasil vivia um movimento migratório forte do nordestino para o eixo Rio-São Paulo, por conta das secas do Nordeste, em busca de melhores condições de sobrevivência, pela falta de oportunidade econômica mesmo. E nisso eu traçaria um paralelo com a minha própria vida, com a minha própria história. Mesmo em outra época, mesmo em outras condições, eu faria esse paralelo. Eu, Cristiane, como atriz, mesmo tendo oportunidade de estudar, de faculdade, eu também senti uma necessidade, e não só uma vontade, uma necessidade de vir para o Rio de Janeiro em busca por melhores condições de trabalho. É muito difícil viver de arte no Brasil e fora aqui desse polo, desse eixo Rio-São Paulo, é mais difícil ainda. As grandes produções se concentram aqui no eixo Rio-São Paulo e, infelizmente, ainda existe essa necessidade. Os principais pólos culturais e artísticos, a maior parte dos investimentos, a maior visibilidade ainda se encontra aqui. E eu senti isso. Não foi só uma questão de escolha. Passou também por uma necessidade mesmo de ampliar o mercado de trabalho. Por isso, a minha vinda como nordestina para o Rio de Janeiro. Então, eu traço esse paralelo da minha história com a história de Zefinha, de Joia Rara.
CARAS Brasil – Você saiu de Amargosa, no interior da Bahia, para conquistar espaço no teatro, na TV e no cinema. Qual foi o momento em que você pensou: ‘Agora minha carreira deslanchou’?
Cristiane Amorim: Eu vou te dizer, essa resposta é muito difícil, sabia? Parece super simples, mas é muito difícil, porque eu não consigo ver minha carreira dessa forma. Com essa palavra, “deslanchou”, agora deslanchou. Eu tenho 33 anos de carreira, graças a Deus eu tenho uma constância no trabalho, eu tenho 33 anos vivendo da minha profissão, eu tenho, reconheço, eu enxergo um certo reconhecimento que eu tenho quando meu nome é indicado, meu nome é citado, internamente, produtores de elenco, diretores, autores, quem já conheceu o meu trabalho, sempre me elogia, tem esse reconhecimento em relação ao meu trabalho, ao meu talento, isso eu fico muito feliz, agradecida, eu tenho gratidão pela minha história, por tudo que eu conquistei. Agora, a palavra deslanchar para mim chega num outro lugar, no outro patamar de sucesso, sabe? Deslanchar para mim, me parece uma pessoa que chegou num ápice, assim, onde tem uma vida mais estável, mais segura, e eu não me vejo, eu me vejo ralando. Eu me vejo ainda depois, mesmo com 34 anos de carreira, às vezes eu me vejo sem trabalho, eu me vejo com a cabeça quente, e agora o que é que eu vou fazer? E eu me vejo ainda em busca de trabalho, né? A gente não usa a palavra desempregado, a gente usa, “eu vou oferecer os meus serviços”. Então, eu ainda ando oferecendo os meus serviços. Quando acaba o trabalho, eu ainda tenho tudo, aquela questão de editar as melhores cenas, fazer site, enviar, ser lembrada por aí, em novas produções. Então, ainda é muito difícil, eu ainda ralo muito. Então, eu não usaria essa palavra deslanchou na minha carreira. Posso estar enganada, mas da forma que eu enxergo a palavra deslanchar, eu não acho que chegou esse momento. Eu, inclusive, ando buscando isso, trabalho, para chegar num lugar mais confortável, mais estável. Onde eu possa correr menos atrás. Nem sei se é assim que se usa a palavra. Mas eu ainda não consigo ver, por esse ponto de vista, assim. Deslanchou. Da minha forma, como eu interpreto essa palavra deslanchar, eu ainda estou em busca desse lugar.
CARAS Brasil – A Carmen é uma farsante, mas se você pudesse realmente prever o futuro, o que gostaria de enxergar para a sua vida pessoal e profissional?
Cristiane Amorim: Se eu pudesse prever o meu futuro, pessoal e profissional. Bom, eu daria uma resposta só, porque a minha vida pessoal se funde muito com a minha vida profissional. Eu tenho 34 anos de carreira, eu vivi em função do teatro, em função da arte, em função realmente da minha vida profissional. E eu gostaria de um futuro mais estável, eu gostaria de uma estabilidade maior na minha carreira. Apesar de ter 34 anos de carreira, eu ainda ralo, vamos dizer assim, ainda tenho que correr atrás. Ainda é muito difícil, é difícil viver de arte no Brasil. Então, o futuro que eu gostaria de ver é um futuro onde a arte fosse mais valorizada, onde o ator de teatro fosse mais valorizado e que esse valor viesse a partir do estudo, da disciplina, do investimento, do esforço, da informação, da educação e não um valor superficial. Eu acho que hoje a gente está vivendo um pouco uma inversão de valores. O artista hoje, por exemplo, é cobrado a ter seguidores, muitas vezes, para ser chamado para determinado trabalho. Então, o futuro que eu gostaria de ver é onde o valor do ator, do artista, estivesse no seu currículo, nos trabalhos relevantes que ele fez, e não no número de seguidores, por exemplo, que é uma coisa que estamos vivendo neste momento e que há aí uma inversão de valores. Então esse é o futuro que eu gostaria de ver na minha vida pessoal e profissional.
CARAS Brasil – Você já participou de novelas premiadas internacionalmente e de grandes sucessos de humor. Existe algum papel que ainda falta na sua trajetória e que você sonha em interpretar?
Cristiane Amorim: Existe, sim. Muitos, vários. Tenho muita coisa ainda para fazer, tenho muita história a ser contada. Não fiz ainda uma protagonista, vamos dizer assim. Não fiz ainda uma grande vilã. Ainda preciso, desejo e sonho em papéis maiores, de maior destaque. Tenho um sonho de fazer uma protagonista nordestina. Acho que a gente precisa realmente combater esse estereótipo que o nordestino tem, ocupações mais subalternas. Busco por isso, sabe? Quebrar um pouco essa imagem do nordestino só como trabalhador braçal. Isso é muito preconceito. Então, ainda sonho em ver um personagem nordestino em outra posição social, vamos dizer assim. Esse, sim, é um grande sonho. Mas sem diferenças.
CARAS Brasil – A vida de atriz é cheia de desafios. Qual foi o maior obstáculo que você já enfrentou nos bastidores e como ele te transformou?
Cristiane Amorim: Olha, tem um obstáculo muito grande, que é o sotaque. Na verdade, eu tenho 33 anos de carreira e tenho 20 anos de Rio de Janeiro. Quando eu cheguei aqui no Rio de Janeiro, 20 anos atrás, o que eu mais ouvia… Não estou falando isso do Rio, da Globo, não, estou falando de forma geral. O que eu mais ouvia era, “vai ter que tirar o sotaque, vai ter que suavizar, vai ter que amenizar”. Isso é muito preconceituoso. Por que o nordestino tem que tirar o sotaque? Eu estou falando isso porque há 20 anos atrás, quando eu cheguei aqui, tinha muita gente, muita gente de outros atores, de outras capitais que vêm para o Rio de Janeiro tentar fazer novela, TV, ampliar o mercado de trabalho. E, nisso, eu conheci atores de Minas, atores de São Paulo, eu conheci atores de Curitiba, de Brasília, vi amigos atores tentando a vida aqui, fazendo testes junto comigo, e esse pedido não era feito para outras pessoas, para essas pessoas vindas de outras capitais. Mas sempre existia um preconceito muito grande com o sotaque nordestino. No que isso me transformou, me transformou em desafio. Sempre que alguém fala, “você não vai conseguir”, aqui eu traço uma meta, sou muito determinada e eu vou até conseguir aquilo. E lutei, continuo lutando para continuar com sotaque, para trabalhar com sotaque. O Brasil é plural, altamente miscigenado. E não vejo por que tenho que tirar o meu sotaque no meu dia a dia. Eu sou atriz, estudo para fazer o personagem, fui chamada dois anos atrás para fazer Amor Perfeito com uma novela que se passava em Minas. E eu estudei o sotaque mineiro e fiz a novela com sotaque mineiro. Agora, mudar isso no meu dia a dia é absurdo, é xenofobia. Claro que, hoje em dia, eu não ouço tanto como eu ouvia 20 anos atrás, mas a gente não pode negar que ainda existe isso. Vou dar um exemplo. A Juliette, que saiu do BBB, que se tornou esse fenômeno, uma das pessoas mais conhecidas aqui no Brasil, até hoje eu vejo nas entrevistas dela que alguns trabalhos que ela vai fazer, de publicidade, alguma coisa, aqui, ela já ouviu, “você pode suavizar só um pouquinho o sotaque?”, ela fala, “não, não posso não, por que eu tenho que suavizar?”. E bate o pé, sabe? E milita, não sei se usa essa palavra milita, de militância, e ela está ali, batalhando pelo próprio sotaque, e eu também sou dessas aqui, sou uma nordestina dessa, de raiz, que até hoje, minha militância é essa, é continuar trabalhando com o meu sotaque.
CARAS Brasil – Fora das câmeras, o que te faz feliz no dia a dia e quais são os rituais que você não abre mão para se reconectar consigo mesma?
Cristiane Amorim: Olha, a minha vida profissional e pessoal, elas se fundem, na verdade. Eu amo tanto o que eu faço. Tanto, tanto, tanto, tanto. Eu tenho tanto prazer, eu amo tanto o que eu faço. Eu sempre quis tanto, eu ralei tanto, eu ainda corro atrás com tanto afinco. Sabe, meu sonho sempre foi também, né? Além de tudo, do teatro e tudo mais. Sempre fui fazer novelas. Então, o que me faz feliz é trabalhar. O que me parece, quando eu estou trabalhando, eu estou muito feliz. E quando eu não tenho trabalho, e não tenho, inclusive, perspectiva de trabalho, é quando vem as angústias, as preocupações, a ansiedade, né? Aí eu não fico bem. Nesses momentos, eu gosto muito, né? Me reconectar comigo mesma. Eu gosto muito da natureza, sabe? E isso realmente me faz muito bem. Uma coisa muito simples, um banho de mar, olhar um pôr do sol, uma cachoeira. Esse contato com a natureza me fortalece bastante. Eu gosto disso. Eu acho, inclusive, na minha visão, é também um contato com a espiritualidade. O que mais eu busco para me reconectar? Fazendo um paralelo agora, né? Com a minha personagem, vidente, assim. Eu jogo, desde quando eu jogo um tarô, aí eu estou com umas velas, faço os meus rituais, minhas orações. Ou eu jogo uns búzios, ou eu passo no centro espírita, eu tomo um passe. Eu tenho uma fé muito forte, independente da religião. Eu sou movida muito, muito pela fé. E gosto muito de ficar em casa. Sou muito caseira. Eu gosto muito de ficar em casa sozinha. E a solitude é uma coisa que me faz reconectar comigo mesma. Eu não tenho problema nenhum em ficar só. Muito pelo contrário, eu gosto. Casa para mim, minha casa, quando eu entro, porta adentro, para mim é um lugar de ficar sozinha, de paz, de silêncio. Isso me faz muito bem. Muito bem. Ouvir música. Outra coisa que me faz muito bem, estar com os amigos, conversar. Gosto muito de terapia, não estou fazendo no momento, mas essa coisa da palavra, de falar, aí se reconhecer na fala, se reconhecer em algum paralelo que você faça, em alguma comparação, acessar o seu inconsciente. Eu gosto desse universo. E ver a família de vez em quando, é óbvio, porque eu saí de casa muito cedo com 18 anos, no interior de Amargosa para Salvador, e depois de Salvador para o Rio, eu tenho 20 anos aqui, vivo longe da família desde sempre. E essas visitas também me fazem bem, é algo que me reconecta com a raiz mesmo, o meu espírito. E outra coisa que eu amo é dançar. Nossa Senhora, dançar. Seja em casa, na casa de alguém, numa festinha. Eu sempre vou estar assim, abrindo a pista de dança e encerrando. Isso me faz muito bem, me traz uma leveza, me desliga dos problemas. Dançar também é algo que me faz muito, muito, muito bem.
CARAS Brasil – Depois de tantos anos de carreira e personagens marcantes, como você gostaria que o público se lembrasse de Cristiane Amorim no futuro?
Cristiane Amorim: Eu gostaria de ser lembrada como uma pessoa talentosa, é óbvio. Esse reconhecimento, esse elogio deixa a gente bem satisfeito, porque é muito estudo, é muito investimento. Quando você é reconhecida, “nossa, você tem talento”. Eu gostaria de ser vista assim no futuro. Não só isso, como também uma pessoa determinada. Eu realmente nunca desisti da minha carreira, é muito difícil, e eu nunca desisti em momento algum. Nos piores momentos da minha vida, não só da minha carreira, da minha vida, como eu vim para o Rio de Janeiro, quando eu tive que trabalhar fora da profissão, ser garçonete, trabalhar em loja. Já passei até dificuldade na alimentação. Passar fome é uma frase muito pesada, mas vamos botar dificuldade na alimentação, foram momentos difíceis. A gente passa por muita humilhação também nessa carreira. Eu acho isso um exemplo incrível. E terceiro, que na verdade poderia ser o primeiro, número um, assim, aquela que me faz rir. Nossa, para mim é o melhor elogio. Para quem faz humor, para quem faz comédia. Na novela Órfãos da Terra, tinha uma pessoa que me escrevia dizendo que a mãe estava hospitalizada e ela passou muito tempo com a mãe e que assistiam a novela e que a mãe ficava esperando o momento da personagem Santinha entrar para dar risada. Para mim, é o melhor elogio que eu posso ouvir na minha vida. Então, no futuro, eu gostaria de ser lembrada como uma pessoa que levou alegria, vamos dizer assim. E realmente é o melhor remédio. O riso cura, ele salva, ele transforma. Como dizia Paulo Gustavo, rir é um ato de resistência. Então, se eu for lembrada como uma pessoa que leva essa alegria, tira a risada do outro, acessa esse humor, é assim que eu gostaria de ser lembrada, é isso que vai ficar, é isso que importa.
CARAS Brasil – Nos bastidores de Êta Mundo Melhor, você contracena com um núcleo cheio de humor. Como é a convivência nos sets e tem alguma história divertida ou marcante que pode compartilhar?
Cristiane Amorim: Os bastidores é maravilhoso, é diversão garantida. Muito, muito, muito leve. É incrível, é incrível. Os atores, colegas talentosíssimos na convivência particular, super gentis. É a realização de um sonho mesmo, está muito prazeroso. Muito bom reencontrar colegas que eu já trabalhei, como a Heloísa Perissé, que eu agora estou no núcleo dela, e eu fiz Cordel Encantado com ela, Miguel Rômulo, não contracenei com ele ainda nessa novela, mas fiz Cordel Encantado e Joia Rara, fiz Órfão da Terra com Betty Goffman, fiz um filme lindo com Luiz Miranda. Então, esse reencontro também está sendo maravilhoso. Tenho muita gratidão pelos novos colegas, vou dar um exemplo, Evelyn Castro, que eu agora estou no núcleo delas, na Casa dos Anjos, com a Heloísa Perissé e Evelyn Castro, que é uma colega que eu conheci agora, e que a gente já está tendo uma relação de trabalho maravilhosa. A gente cria a cena na hora, ali na TV, e aí a gente já está criando a relação da vidente com o Zenaide, ela com um pouco de medo da vidente, e aí a gente vai criando, construindo ali as relações na hora. Vários momentos a gente já não está olhando no olho para não cair na gargalhada, para não desconcentrar. Aguardem essa junção de Zuma, Zenaide e Carmen. E fora que é uma honra, gente, também estar trabalhando com grandes atores que foram referências na minha infância, como a Ary Fontoura. Eu vi a Ary Fontoura fazendo o Nonô Corrêa na minha infância. Então, trabalhar hoje com a Ary Fontoura, a Elizabeth Savala, a Nívea Maria, a Duh Moraes, o Tony Tornado, que eu também fiz com ele, o Amor Perfeito. Então, está sendo a realização de um sonho mesmo. Não tenho ainda nenhuma história assim, engraçada, mas vamos ver aí o que vai acontecer com essa vidente. Eu acho que ainda vai dar uma circulada em outros núcleos. Eu gostaria muito que ela fosse na Pensão de Margarida, no Dense, no sítio de Cunegundes, que o humor já está ali instalado de forma genial. Esse núcleo, para mim, é incrível. E eu espero contracenar com todos eles, colocar aí a vidente para… E fazendo a previsão do futuro de todos eles. Isso seria uma ideia maravilhosa.
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