O que ninguém contou sobre a “dieta da selva” de Henrique Fogaça, de acordo com médica

Henrique Fogaça, jurado do MasterChef Brasil, perdeu 17 kg com "dieta da selva"

O chef Henrique Fogaça
O chef Henrique Fogaça | Foto: Reprodução/Instagram @henrique_fogaca74

Henrique Fogaça sempre foi um nome associado à intensidade. Na cozinha, no palco do MasterChef Brasil e também na vida pessoal, o chef transita entre disciplina e ousadia desde o início da carreira. Nos últimos meses, porém, ele chamou atenção por um motivo inesperado: a perda de 17 quilos em apenas três meses, resultado do que batizou de “dieta da selva”, baseada em carnes, gorduras naturais e quase nenhum carboidrato. A mudança radical virou assunto nas redes, levantou dúvidas e reacendeu debates sobre métodos de emagrecimento rápido.

O que está por trás da chamada “dieta da selva”

Para entender como dietas extremas repercutem na saúde e no imaginário popular, CARAS Brasil entrevista a médica nutróloga Dra. Cibele Spinelli. A especialista destaca que a curiosidade do público é compreensível, mas lembra que nem tudo o que viraliza vem acompanhado de evidência científica.

“As escolhas alimentares de figuras públicas sempre despertam curiosidade, e isso não é diferente quando vemos histórias de perda de peso rápida ou dietas com nomes chamativos, como a chamada ‘dieta da selva’. Mas é importante lembrar que nem tudo que ganha destaque nas redes ou na mídia tem respaldo científico — e que cada organismo responde de forma única às mudanças no estilo de vida”, explica.

Segundo ela, o nome pode até chamar atenção, mas não encontra respaldo na literatura. “O termo ‘dieta da selva’, por exemplo, não é reconhecido pela literatura médica nem corresponde a um protocolo nutricional validado. Ele se inspira em padrões alimentares tradicionais de populações indígenas, que realmente apresentam excelente saúde metabólica, mas isso está muito mais relacionado à qualidade dos alimentos, ao alto consumo de fibras e à ausência de ultraprocessados, do que à exclusão de carboidratos”, comenta.

Henrique Fogaça, MasterChef e o debate sobre carboidratos

O ponto central, segundo a nutróloga, não está na ausência de carboidratos, mas na qualidade deles. “Zerar carboidratos não é um caminho sustentável nem necessário para a maioria das pessoas. Os carboidratos são nutrientes essenciais para energia, função hormonal, saúde cerebral e — talvez o mais negligenciado — para a saúde intestinal e imunológica. Grande parte das fibras que precisamos diariamente está justamente em alimentos com carboidrato: legumes, verduras, tubérculos, frutas e sementes”, relata.

Ela reforça que o problema não está na presença do carboidrato, mas na escolha equivocada do tipo. “Hoje, nós, profissionais de saúde, observamos que o maior problema da população brasileira não é comer carboidrato demais, mas sim comer carboidratos de baixa qualidade e com pouca fibra. A deficiência de fibra é tão relevante que afeta diretamente o metabolismo, o controle glicêmico, a inflamação e até o bem-estar mental”, diz.

O chef Henrique Fogaça | Foto: Reprodução/Instagram @jamile_restaurante
O chef Henrique Fogaça | Foto: Reprodução/Instagram @jamile_restaurante

O que realmente funciona no longo prazo

A médica reforça que soluções extremas normalmente não se sustentam e podem carregar riscos. “Por isso, mais do que buscar dietas extremas ou nomes impactantes, o caminho mais eficiente e duradouro está na qualidade do carboidrato que colocamos no prato. Legumes, raízes, frutas, grãos integrais e vegetais são fontes naturais de energia, micronutrientes e compostos bioativos que protegem o corpo de doenças — e não vilões a serem eliminados”, destaca.

Para ela, o sucesso de qualquer mudança alimentar depende de um fator essencial: individualidade. “O que funciona para um chef famoso, para um atleta ou para um artista pode não ser o ideal para quem tem rotina intensa, alterações hormonais, resistência à insulina ou diferentes objetivos corporais. Nutrição é ciência, mas também é personalização”, afirma.

Ao observar histórias como a de Fogaça, ela recomenda cautela e autoconhecimento. “Quando olhamos para histórias de perda de peso, é fundamental evitar comparações e lembrar que não existe saúde real com extremismos. Dietas baseadas apenas em proteínas ou que excluem grupos alimentares inteiros podem funcionar no curto prazo, mas raramente se sustentam no longo prazo — e algumas podem trazer riscos”, comenta.

No fim das contas, a especialista lembra que saúde é sobre constância, e não sobre radicalismo. “O foco deve ser sempre um estilo de vida que respeite o corpo, a rotina e a individualidade de cada pessoa — sem fórmulas mágicas, sem exageros e sem perder de vista aquilo que sustenta a saúde ao longo da vida: alimentos de verdade, diversidade alimentar e fibra suficiente para nutrir o corpo de dentro para fora”, finaliza.

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Dra. Cibele Spinelli é Médica nutróloga, com Residência em Clínica Médica pelo HRPP e Estágio de Nutrologia pela USP Ribeirão Preto; Pós graduação em Nutrologia pela ABRAN Título de especialista em nutrologia; Coordenadora Pós graduação em Saúde da mulher. CRM 139.680/RQE 79.239