Ingrid Guimarães faz desabafo e especialista aponta mudanças: ‘Avaliação clínica é a base’

Médico aponta limites entre irregularidade comum e sintomas da perimenopausa

Ingrid Guimarães - Instagram

Nos últimos anos, relatos de famosas como Ingrid Guimarães, Angélica e Flávia Alessandra têm ajudado a quebrar tabus sobre a transição hormonal feminina. “Não menstruar, enfrentar a secura vaginal… É muito complexo. Eu me sinto muito jovem e esqueço a idade que tenho”, disse Ingrid em um dos depoimentos que mais repercutiram. Apesar de o debate sobre sintomas ondas de calor, insônia, irritabilidade, secura vaginal, estar ganhando espaço, ainda existe uma dúvida que causa grande ansiedade: como saber se a menstruação irregular é apenas uma pausa pontual causada pelo estilo de vida ou o início da perimenopausa? Segundo o ginecologista, Dr. Igor Padovesi, nem toda irregularidade menstrual é motivo de alarme. Se a mudança ocorre por um ou dois meses em alguém que sempre teve ciclos previsíveis, geralmente não há necessidade de exames imediatos.

Alterações no ciclo

O sinal de alerta surge quando a alteração passa a ser persistente. Mesmo assim, o diagnóstico não é simples: “A própria perimenopausa pode gerar mudanças sutis no padrão menstrual. Não existe um exame que confirme com precisão, depende de uma boa história clínica”, diz o ginecologista.

Além disso, muitos fatores entram em cena: estresse, atividade física intensa, uso de contraceptivos ou até ausência do útero podem impedir que o padrão menstrual seja utilizado como referência.

Exames que ajudam, e os que confundem

Embora exames como FSH, LH e estradiol sejam frequentemente solicitados, eles não fecham diagnóstico de perimenopausa, já que os níveis hormonais variam muito nessa fase.

Para diferenciar estresse, síndrome dos ovários policísticos e perimenopausa, o médico ressalta: “A avaliação clínica é a base. Não existe exame que diagnostique estresse.”

Entre os exames úteis, estão:

  • Prolactina

  • TSH e T4 para avaliar tireoide

  • Testosterona, androstenediona e DHEA, quando há suspeita de SOP

  • Ultrassom transvaginal — embora o aspecto micropolicístico isolado não confirme SOP

Irregularidade pode afetar ossos, humor e metabolismo

Antes mesmo da menopausa, as oscilações hormonais típicas da perimenopausa já têm impacto direto no corpo.

Conforme explica Padovesi, o declínio na ovulação reduz a produção de progesterona e pode gerar um quadro de predominância estrogênica, que piora:

  • humor e irritabilidade

  • qualidade do sono

  • sensibilidade à insulina

  • acúmulo de gordura abdominal

Além disso, é nesse período que muitas mulheres começam a registrar a primeira perda de densidade óssea, um dos motivos pelos quais a terapia hormonal pode ser benéfica quando bem indicada.

Estresse, carga mental e rotinas intensas podem simular sintomas

Mulheres com agenda cheia, viagens frequentes, pouco descanso e nível alto de exigência, perfil comum entre profissionais sobrecarregadas e também entre figuras públicas como Ingrid Guimarães, tendem a experimentar alterações no ciclo que imitam sintomas da perimenopausa. Segundo o especialista: “A privação de sono e o estresse crônico afetam diretamente o eixo hormonal e podem desorganizar o ciclo.”

Quando considerar reposição hormonal?

A chamada janela de oportunidade define o período ideal para iniciar a terapia:

  • início dos sintomas

  • fase de transição da perimenopausa

  • até dez anos após a menopausa

  • preferencialmente antes dos 60 anos

Indicações formais incluem:

  • ondas de calor e suores noturnos

  • perda de massa óssea

  • síndrome geniturinária (ressecamento, dor, sintomas urinários)

  • menopausa precoce (antes dos 40), onde o tratamento é essencial

Padovesi reforça que a análise é sempre individual, já que os sintomas podem ir e voltar de forma irregular — algo que Ingrid também descreveu ao relatar suas mudanças no ciclo.

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Dr. Igor Padovesi (CRM 134933) é médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. Instagram: @dr.igorpadovesi