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Cantor que morreu em banheira e teve item roubado de túmulo faria 82 anos

Achado de item roubado após 37 anos devolve novo capítulo à lenda musical, que ainda intriga fãs do mundo todo

Cemitério Père-Lachaise, em Paris (Foto: Divulgação)

Se estivesse vivo, Jim Morrison (1943-1971) teria completado 82 anos no último dia 8 de dezembro. Considerado um dos vocalistas mais icônicos da história do rock, o cantor do The Doors marcou gerações pela voz grave, presença explosiva no palco e pela poesia que carregava para além das canções — marca que o transformou também em um dos mitos mais enigmáticos da cultura pop do século XX.

Nascido em 1943, na Flórida, James Douglas Morrison cresceu entre leis rígidas impostas pelos pais militares e o fascínio por literatura, filosofia e cinema. Dotado de QI elevado e espírito transgressor, encontrou cedo na escrita sua maior paixão. Já na juventude, devorava obras de autores como Arthur Rimbaud (1854-1891) e Aldous Huxley (1894-1963) — influência que mais tarde se tornaria a base de sua poesia e performances.

A vida boêmia se intensificou ainda nos tempos de universidade, quando ele passou a viver em Los Angeles, dormindo em telhados, escrevendo compulsivamente e se envolvendo com drogas. Em 1965, após reencontrar o colega Ray Manzarek (11939-2013) e mostrar alguns poemas, surgiu o The Doors, que completaria a formação com Robby Krieger (76) e John Densmore (81).

O grupo ascendeu vertiginosamente em 1967 e, ao mesmo tempo em que Morrison se tornava um ícone, mergulhava em um consumo cada vez mais intenso de álcool e outras substâncias. Mesmo assim, seu magnetismo o consolidou entre os grandes: a Rolling Stone o colocou entre os 100 melhores cantores de todos os tempos.

Assista a Jim Morrison durante apresentação do The Doors em 1967:

A morte misteriosa aos 27 anos

Jim Morrison morreu em 3 de julho de 1971, em Paris, França, encontrado sem vida na banheira de seu apartamento, aos 27 anos. Sua namorada, Pamela Courson (1946-1974) — que também morreria aos 27, três anos depois — foi quem acionou a polícia. O atestado oficial cita insuficiência cardíaca, mas sem autópsia, a causa nunca foi esclarecida.

Overdose de heroína? Crise de asma? Morte em outro local? Até hoje, a morte do chamado “Rei Lagarto” permanece envolta em teorias, o que só fortaleceu o mito.

Morrison foi enterrado discretamente no cemitério Père-Lachaise, em Paris, sem lápide nem marcador. Poucos sabiam o local exato; fãs começaram a pichar túmulos vizinhos e a levar oferendas que iam de garrafas de uísque a rosários quebrados. A aglomeração incomodou familiares de outros sepultados — e começava ali a segunda vida de Jim: a de santo profano de um santuário roqueiro.

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O busto roubado que voltou 37 anos depois

Em 1981, para tentar organizar a romaria, o escultor croata Mladen Mikulin (66) instalou voluntariamente no túmulo um busto de mármore branco, representando Morrison como um Dionísio moderno. Sete anos depois, em 1988, a peça — que pesava 136 kg — desapareceu.

O caso virou lenda urbana. Dois jovens franceses chegaram a assumir o furto à revista Globe, posando mascarados diante da estátua pichada e sem nariz em um apartamento luxuoso de Paris. Não houve prisões, e o busto se tornou um dos roubos mais famosos da história do rock.

Quase quatro décadas depois, em 16 de maio de 2025, o silêncio foi quebrado em um post da polícia de Paris:
Após 37 anos de ausência, o busto de Jim Morrison foi encontrado!

A peça reapareceu enrolada em cordas, como evidência, em um depósito descoberto durante uma investigação de outro caso. A polícia comemorou com emojis de microfone e estrela, mas se recusou a dar detalhes. Onde esteve? Quem guardou? Por quê? Mistério — como a morte.

Busto do túmulo de Jim Morisson em Paris (Foto: AFP)
Busto do túmulo de Jim Morisson em Paris (Foto: AFP)

A eterna devoção

Mais de 50 anos depois de seu funeral às pressas, o túmulo de Jim Morrison segue sendo o mais visitado do Père-Lachaise, que atrai 3 milhões de pessoas por ano. Peregrinos deixam flores, cigarros, garrafas de uísque e pequenas relíquias — um culto espontâneo ao poeta que transformou sexo, morte e liberdade em música.

Seu epitáfio diz: “Kata Ton Daimona Eaytoy”, expressão grega muitas vezes traduzida como “Fiel ao seu próprio demônio” — embora outros defendam “Seguiu seu próprio destino”. De qualquer forma, nada parece definir melhor a passagem fulminante de Jim Morrison: breve, indomável, eterna.

O busto voltou. O mito, nunca saiu de cena. Jim faria 82 anos. E continua vivo onde mais queria: nas palavras.