Neymar Jr fala sobre a paternidade e reacende debate sobre a importância da presença

Especialista analisa amadurecimento de Neymar Jr como pai e faz ressalvas sobre a responsabilidade dos filhos ainda recair majoritariamente sobre as mães

Neymar fala sobre a paternidade e reacende debate sobre a importância da presença - Instagram

O Programa do João estreou em agosto com a presença de Neymar Jr., que abriu o coração ao falar sobre a experiência de ser pai. Aproveitando o Dia dos Pais, o jogador fez um balanço sincero sobre as mudanças que viveu desde que se tornou pai aos 19 anos até o momento atual, com quatro filhos. Questionado sobre a diferença entre o jovem Neymar e o homem que é hoje, o craque destacou que a maturidade foi construída ao longo do tempo, especialmente com a chegada do primogênito, Davi Lucca.

“Eu não entendia absolutamente nada do que realmente era ser pai, e a Carol me ajudou muito nisso. Conseguimos criar ele da melhor forma possível. Eu à distância, e ela sempre fazendo tudo para que ele tivesse momentos comigo”, disse, ao se referir a Carol Dantas, mãe de Davi.

Com a chegada das filhas Mavie, Helena e Mel, Neymar acredita que cresceu ainda mais emocionalmente e afirma viver hoje uma paternidade diferente, mais presente e consciente. “Estou vivendo uma paternidade muito diferente. Óbvio que eu queria ser o pai que sou hoje para todos desde o começo, mas tento sempre fazer o melhor possível”, garantiu.

Mel, a filha mais nova do camisa 10, nasceu em julho de 2025 e marcou, segundo o jogador, mais um momento de transformação pessoal. Crescido sob os holofotes, Neymar afirma que hoje enxerga a vida sob uma nova perspectiva, muito influenciada pela paternidade.

Paternidade vísivel

No início da carreira, quando ainda dava os primeiros passos rumo ao estrelato internacional, Neymar Jr. vivia uma dinâmica de paternidade diferente. O primogênito, Davi Lucca, ficou sob os cuidados principais da mãe, Carol Dantas, enquanto o jogador conciliava compromissos profissionais fora do país, ainda assim, sem conflitos públicos envolvendo questões financeiras e mantendo, segundo ambos, uma relação respeitosa e colaborativa na criação do filho.

Já com a chegada de Mavie e Mel, filhas do casamento com Bruna Biancardi, o atacante aparece hoje de forma muito mais ativa no dia a dia das crianças, cenário que, segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, reflete um movimento cada vez mais necessário de paternidade visível, em que o pai deixa de ser apenas coadjuvante e passa a dividir, de maneira concreta, as responsabilidades emocionais e práticas do cuidado, um fator que contribui diretamente para a saúde mental materna e para o desenvolvimento familiar equilibrado.

Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, o caso de Neymar ajuda a jogar luz sobre um debate importante: mesmo quando o pai é presente e participativo, a maior parte da responsabilidade pelo cuidado ainda recai socialmente sobre a mulher.

Segundo a especialista, isso tem raízes culturais profundas.“A maternidade e a paternidade são aprendizados. Não existe instinto materno na espécie humana. O que existe é um treino social para a maternidade, enquanto os homens não são educados desde a infância para cuidar”, explica.

Desigualdade

Rafaela destaca que a própria estrutura social reforça essa desigualdade, desde a forma como meninas são incentivadas a brincar de boneca até a diferença entre licença-maternidade e paternidade.

Quando o pai é, de fato, visível e atuante, os impactos são positivos para toda a família. “Um pai presente é um fator de proteção para a saúde mental materna. Divide a sobrecarga, reduz culpa, ansiedade e fortalece o vínculo familiar”, afirma.

A psicóloga defende que a construção de uma parentalidade saudável passa por orientação, diálogo e preparação — inclusive com a participação ativa dos homens desde o pré-natal psicológico: “Cuidar, dar banho, acolher o choro, colocar para dormir não diminui a masculinidade. Pelo contrário: mostra força, responsabilidade e amor”.

Segundo ela, dar visibilidade a exemplos de paternidade presente, sem reforçar estereótipos, contribui para uma sociedade mais justa, com menos culpa para as mães e mais igualdade no cuidado com os filhos.

Quem são as mães dos filhos de Neymar?

Carol Dantas, mãe de Davi Lucca

Carol Dantas é mãe do primogênito de Neymar, Davi Lucca, nascido em 2011. Mesmo após o fim do relacionamento com o jogador, os dois mantêm uma relação respeitosa em prol da criação do filho, frequentemente destacada pelo atleta como fundamental em sua trajetória como pai.

Bruna Biancardi, mãe de Mavie

A influenciadora Bruna Biancardi é mãe de Mavie, nascida em 2023 e Mel, a filha mais nova do craque, nascida em julho de 2025. O relacionamento com Neymar foi marcado por idas e vindas, mas ambos demonstram empenho em manter uma convivência focada no bem-estar da filha.

Amanda Kimberlly, mãe de Helena

Helena nasceu após um relacionamento extraconjugal do jogador com a influenciadora Amanda Kimberlly, revelado durante o período em que ele ainda estava com Bruna Biancardi.

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FAMÍLIA

Rafaela Schiavo (CRP 93353) é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.